faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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sábado, 4 de abril de 2009

ou... "Uma História Com Final (aparentemente) Feliz" - 14

14.

No jeep, os GNR percorreram, devagar, a estrada até ao Guincho, perscrutando as margens.
Não viram o Homem.

“É pá! que idade terá o gajo… vê aí na pasta…”
“Já vi, já vi… ‘inda não tem 50 anos. Está quase. Parece que vive numa aldeia de que nem fixei o nome. Se percebi bem é um reformado, ou um desses que foram despedidos e receberam uma indemnização das gordas…”
“Sorte a deles…”
“Achas que sim? Não me parece grande sorte receber uma porrada de massa para ficar desempregado…”
“Pois… o emprego é muito importante e, se calhar, não há preço que o pague…”
“… olha ali!, olha ali…”
“Não, não é o gajo... não vês a mochila?!”

Tinham ido muito longe. Voltaram para trás.
De repente, o Guarda-republicano gritou para o camarada que conduzia:
“Entra aí!,… entra aí à direita…”
O outro guinou para a grande esplanada natural que se abria até às rochas e o mar.
Num carro parado, dois jovens namoravam.
Quando deram pelo jeep se aproximar e parar, assustaram-se.
O Rapaz saiu do carro como para proteger a Rapariga.
“Algum problema, senhores guardas?...”
“Não, não… nada com vocês… tudo bem.”
A Rapariga também saiu do carro.
“Boa tarde!”
“Boa tarde… vocês não viram, por acaso, um homem passar por aqui?”
Os dois, a Rapariga e o Rapaz, olharam-se. Interrogando-se cúmplices (“lembras-te?”).
Ele: “Lembras-te daquele homem que passou por aqui há um bocado de tempo, sei lá… um quarto de hora?”
Ela: “Lembro… se lembro!, foi cá um susto… passou mesmo mesmo ao lado da minha janela… até me assustei” (e lembrou-se como um beijo fora interrompido, como se assustara).
“Sim, está bem!... e notaram alguma coisa de particular?”
“Não… isto é, o homem parecia sonâmbulo, sei lá…, fora deste mundo…”.
“… e para onde foi?...”
“… sei lá… não reparámos bem… mas ia direito às rochas aí em frente… não sei”.
O Guarda-republicano deixou o camarada a conversar com os jovens namorados e correu direito ao mar e às rochas.
Ao longe, muito ao longe viu a silhueta do Homem, sentado numa rocha rodeada de mar pouco calmo, pouco lago. Como se fosse um pescador, dos corajosos. Daqueles que já tivera de socorrer, de recuperar do arrojo, da insensatez.
Mas este sem cana de pesca. Recostado, como numa poltrona.

2 comentários:

Anónimo disse...

O "suspense" está a adensar-se.
Vamos ver onde é que isto vai dar.


Campaniça

Maria disse...

E como é bom estar sent6ado frente ao mar, olhar para o infinito, alhear-se de tudo e de vez em quando ouvir o barulho das ondas...

Até terça, aqui.