faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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sábado, 22 de julho de 2017

VISITAS - o 2º esquerdo

A DONA LAURA

A Dona Laura era a vizinha do 2º esquerdo. Era a esposa muito senhora esposa do senhor Armando Mendes, homem discreto, apagado, e era a extremosa e preocupada mãe do Armandinho, um dos miúdos do prédio, com mau aproveitamento escolar, estudante de violino mas mais dedicado - muito mais… – à viola e suas variações, a que se entregava no tempo que deveria ser, segundo a Dona Laura, para os deveres escolares e o estudo dos clássicos do violino, seus concertos e sinfonias.
A Dona Laura era uma senhora. Que pontificava, sem alardes ou alarido, no prédio da Rua do Sol ao Rato, que mudara de 85 para 27 na ordenação toponímica. Impunha-se pela postura de Senhora Dona.

Os miúdos do prédio – o ZéLuís, meu primo, também do 2º andar mas direito, os dois irmãos do 1º andar esquerdo, eu do rés do chão – eram os companheiros do Armandinho. De escada e quintal ao rés do chão nosso.
A Dona Laura tinha as suas referências e preferências. Para exemplo do Armandinho. Eu seria um deles. Um rapazinho atilado, bom aluno, um menino que gostava de ler, que brincava mas era comedido e aproveitava o tempo. 
E foi discreta mas clara na solidariedade para comigo no meu pesar por o meu pai não ter comprado o violino para que eu parecia ter jeitinho, tal como ela fizera para o seu Armandinho. Decisão de que não se conhecia o contributo e opinião do senhor Mendes. Se é que este os tivera...
A Dona Laura era uma senhora. E acompanhava, cheia de simpatia (ou empatia?), a minha adolescência e começo de idade adulta. De (bom) exemplo para o seu Armandinho.

Quando voltei da prisão e fui ao prédio, visitei a Dona Laura. Contente e compungida, mostrou-me a sua incompreensão com uma pergunta insistente e intencional:
Não te percebo, não te percebo… o que é que TU queres mais?
Não lhe respondi. Ia lá ela perceber que o mais que queria era, SÓ!…, contribuir para mudar o mundo sempre em mudança, ajudá-lo num rumo de humanização.

A Dona Laura era uma senhora. 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

S.O.S.!

E SE EU,
O GAJO MAIS SENSATO
                          (SEM TATO*?),
COMEÇAR A FAZER DISPARATES,
         A NÃO DIZER COISA COM “CUSA”
                                               (COM “TUSA”?):

que o dinheiro não vale nada e, para o ter, parecer valer tudo
que mais valia ter estado quieto
que Maria vai com as outras
que já estou no tempo in illo…
que me sinto in loco (ou en louco si?)
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S.O.S.!
Preciso urgentemente de tranquil(a)idade

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Estou em estado de sítio,

isto é, en CURRAL alado
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* - de acordo com o novo Acordo Ortográfico, apesar do desacordo

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O (UM) QUE (NOS) FAZ (MUITA) FALTA

AO PAULITO
01.07.2017

com o Luís Costa

O QUE FAZ FALTA…

 S – Se me dão licença… pedia ao Luís Costa que me acompanhasse no que chamaria UM (curto) DUETO A TRÊS…
L – Por mim, pode ser!… mas…. para ser “a três”, falta um!
S – Pois é… e é precisamente O QUE nos FAZ  FALTA…
e o nome do dueto seria mesmo O QUE FAZ FALTA…
L – Já estou a perceber… e a sentir – como tu – a falta
daquele que nos faz falta.
S – Eu sabia que ias entender… que todos íamos entender
e sentir a falta do que nos faz falta.
L – ... e se faz!...
S – Pois… mas é assim a vida (ou o contrário dela)…
mas, quando não nos deixa fazer tercetos não se pode desistir!
... e fazemos duetos.
L – Pois claro. E é o que nos faz falta.
S – Já o cantava o Zeca Afonso…
L – Pois:     "O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é acordar a malta
…"
S – Como diria também aquele que nos faz falta!
L – Siga a caravana de Ourém!
S – Mas… antes… para 
O QUE NOS FAZ FALTA
 um enorme aplauso