faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Adrede e adrenalina

"Fazer política" pode ser a coisa mais bonita a fazer porque é estar ao serviço dos outros, é ajudá-los a humanizarem-se, é ser o outro. 
"Ser político" é a "carreira" mais desumanizada de todas quando (e porque) feita a enganar, ludibriar, manipular outros e os outros, a servir-se dos outros.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O TEMPO, A VIDA, A MORTE, O NORTE

sempre grato ao R.R.


O TEMPO DE AGORA

Quando penso,
              ou digo,
              ou escrevo
                                 AGORA
o primeiro A já é passado
no triplo salto para o futuro,
para o último A...
que logo logo passado é 
e acabou o tempo daquele 
                                           AGORA
mas logo logo chega outro,
até se esgotarem agora mesmo!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

AS MORTES A DESTEMPO - página de um livro quase acabado

INTERVALO PARA UM LÁGRIMA

De súbito, neste desfiar de memórias, os dedos suspendem-se sobre as teclas e em vez de descerem para continuar os contares e as contas  deste rosário, antes de passarem pelo emaranhado dos cabelos, retém-se nos olhos, a secar uma lágrima. Não das artificiais que o muito uso começou a exigir, nem das reais que por vezes se soltam na comoção de um momento.
Uma lágrima cá bem de dentro e fundo. Ao lembrar gente e amizades ligadas ao que as recordações me trazem.
Têm os nomes do Zé Casanova, do Herberto, do João Honrado, do João Lourenço, do Bino Peixoto, agora, há dias, da Isabel M.. Sim, têm estes nomes de quem morreu, talvez a seu tempo embora sempre brutal surpresa. 
Mas, neste escrito, neste intervalo do que escrevo, são as mortes a destempo que me preenchem. 
A do Flávio, e o seu telefonema do hospital para a Festa do Avante!, a sua vida cheia de força, de esperança, de futuro que construía para si-e-os outros, o meu neto de Somos todos netos de Abril; a do João "Barrote", sempre discreto, sempre presente, sempre amigo, sempre como que a apagar-se, um pouco perdido, solidário e solitário, quase diria desistente; a do Paulito, a vê-lo aqui em casa, na véspera das férias e da que se seria a sua última, estúpida, viagem, com o seu entusiasmo contagiante, a falar de projectos, a exigir ideias e trabalho… de teatro, pois de que havia de ser?

Às vezes, é difícil reter as lágrimas que não se choram. Que ficam na garganta e que, ao serem lidas as palavras escritas, estrangulam a voz.

Os dedos descem, tristes mas resistentes, com destino a estas teclas. Para me continuar. Enquanto. E por eles. e por todos.  

segunda-feira, 31 de julho de 2017

GLOSAS DE GOZO... em toalhas de papel

OS  FALS(ÁRI)OS

OS FALSIFICADORES

OS  QUE FAZEM (DE) CONTAS

O QUE FAZ FALTA É AVISAR A MALTA!

sábado, 22 de julho de 2017

VISITAS - o 2º esquerdo

A DONA LAURA

A Dona Laura era a vizinha do 2º esquerdo. Era a esposa muito senhora esposa do senhor Armando Mendes, homem discreto, apagado, e era a extremosa e preocupada mãe do Armandinho, um dos miúdos do prédio, com mau aproveitamento escolar, estudante de violino mas mais dedicado - muito mais… – à viola e suas variações, a que se entregava no tempo que deveria ser, segundo a Dona Laura, para os deveres escolares e o estudo dos clássicos do violino, seus concertos e sinfonias.
A Dona Laura era uma senhora. Que pontificava, sem alardes ou alarido, no prédio da Rua do Sol ao Rato, que mudara de 85 para 27 na ordenação toponímica. Impunha-se pela postura de Senhora Dona.

Os miúdos do prédio – o ZéLuís, meu primo, também do 2º andar mas direito, os dois irmãos do 1º andar esquerdo, eu do rés do chão – eram os companheiros do Armandinho. De escada e quintal ao rés do chão nosso.
A Dona Laura tinha as suas referências e preferências. Para exemplo do Armandinho. Eu seria um deles. Um rapazinho atilado, bom aluno, um menino que gostava de ler, que brincava mas era comedido e aproveitava o tempo. 
E foi discreta mas clara na solidariedade para comigo no meu pesar por o meu pai não ter comprado o violino para que eu parecia ter jeitinho, tal como ela fizera para o seu Armandinho. Decisão de que não se conhecia o contributo e opinião do senhor Mendes. Se é que este os tivera...
A Dona Laura era uma senhora. E acompanhava, cheia de simpatia (ou empatia?), a minha adolescência e começo de idade adulta. De (bom) exemplo para o seu Armandinho.

Quando voltei da prisão e fui ao prédio, visitei a Dona Laura. Contente e compungida, mostrou-me a sua incompreensão com uma pergunta insistente e intencional:
Não te percebo, não te percebo… o que é que TU queres mais?
Não lhe respondi. Ia lá ela perceber que o mais que queria era, SÓ!…, contribuir para mudar o mundo sempre em mudança, ajudá-lo num rumo de humanização.

A Dona Laura era uma senhora. 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

S.O.S.!

E SE EU,
O GAJO MAIS SENSATO
                          (SEM TATO*?),
COMEÇAR A FAZER DISPARATES,
         A NÃO DIZER COISA COM “CUSA”
                                               (COM “TUSA”?):

que o dinheiro não vale nada e, para o ter, parecer valer tudo
que mais valia ter estado quieto
que Maria vai com as outras
que já estou no tempo in illo…
que me sinto in loco (ou en louco si?)
___________________________________________________________________________

S.O.S.!
Preciso urgentemente de tranquil(a)idade

______________________________________________________________________

Estou em estado de sítio,

isto é, en CURRAL alado
___________________________________________

* - de acordo com o novo Acordo Ortográfico, apesar do desacordo

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O (UM) QUE (NOS) FAZ (MUITA) FALTA

AO PAULITO
01.07.2017

com o Luís Costa

O QUE FAZ FALTA…

 S – Se me dão licença… pedia ao Luís Costa que me acompanhasse no que chamaria UM (curto) DUETO A TRÊS…
L – Por mim, pode ser!… mas…. para ser “a três”, falta um!
S – Pois é… e é precisamente O QUE nos FAZ  FALTA…
e o nome do dueto seria mesmo O QUE FAZ FALTA…
L – Já estou a perceber… e a sentir – como tu – a falta
daquele que nos faz falta.
S – Eu sabia que ias entender… que todos íamos entender
e sentir a falta do que nos faz falta.
L – ... e se faz!...
S – Pois… mas é assim a vida (ou o contrário dela)…
mas, quando não nos deixa fazer tercetos não se pode desistir!
... e fazemos duetos.
L – Pois claro. E é o que nos faz falta.
S – Já o cantava o Zeca Afonso…
L – Pois:     "O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é acordar a malta
…"
S – Como diria também aquele que nos faz falta!
L – Siga a caravana de Ourém!
S – Mas… antes… para 
O QUE NOS FAZ FALTA
 um enorme aplauso

domingo, 25 de junho de 2017

grito no momento

ardeu, ardeu…
como todos os anos,
mas este ano (já) foi demais!
e ainda não tinha começado o verão.

morreram, morreram…
como era seu (e nosso) destino!
MAS… assim?,
ardendo numa fogueira insandecida,
anónimos e tantos?!

o espectáculo indecente da “informação”
no cenário de cadáveres carbonizados como adereço.
as palavras e os gestos habituais,
o cerimonial hipócrita da lágrima e das gravatas pretas.
tudo multiplicado pelo número de mortos,
pela quantidade de lares destruídos,
pelas dores e dramas reais.

luto nacional à medida das tragédias,
bandeiras a meia haste,
sentidos pêsames,
condolências formais e diplomáticas!

E depois?
No tempo das cinzas,
prossiga a dança!,
the show must go on
com adaptações no guião?

TALVEZ NÃO!

há sucessões e dimensões que provocam mudanças qualitativas!

domingo, 11 de junho de 2017

BREF!...

Bref!*

Breve,
breve me misturarei
no infinito tempo,
que é nada,
que é tudo!

Breve?
Aliás…
sempre breve fui,
desde sempre que fui e sou:
um passar único, irrepetível;
breve sempre,
mesmo e ainda quando o tempo era todo
… ou nenhum… ou sem medida.

Procuro que fique
a marca, a dedada, a pegada,
ainda que não reconhecida,
ainda que esquecida como minha
… mas que minha será,
Porque será do breve tempo em que fui.

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* - à la Brel, dit-elle... 
... mas não!, ou talvez sim...
... quantos milhões mais terei plagiado
nesta única – e breve – maneira

de dizer o mesmo que tantos disseram?

terça-feira, 23 de maio de 2017

Os amigos que partem

A Zairinho

foto com meu pai e comigo 
que ela me ofereceu