faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ditos (ou escritos)...

... por outros e por mim
e por mim trans critos
ou por mim trans formados
ou trans figurados:

  • é a atracção pelo berbicacho
    • ou a tracção pelo abismo
    • ou a traição do catecismo
  • querem que escolhamos a árvore em que nos queremos enforcar
    • ou o veneno com que nos queremos suicidar
    • ou a via de comunicação com que nos deixamos into xicar 
  • temos de acertar o passo da necessidade com a possibilidade
    • ou com a possivel idade
    • ou com a juvenial idade
    • ou com a senil idade
  • há que ter em atenção a sinistralidade
    • ou a sinistra(l) idade
    • ou a acidental idade

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Coisas à toa...

se há primos-entre-si,

não há avós-entre-nós?...

Antes de deitar para o caixote (mais) um papel...

... aproveito dele o que me parece valer a pena guardar (e é recuperável...):


Até ao fim a interrogar-me...
como já, agora e aqui!
-------------------------

A todo o momento
se põem em causa
os séculos, os milénios
-----------------------


Coisas estáveis,
aparentemente eternas,
um susto as abana,
um suspiro as derrota
um sopro as derruba
-----------------------

Todos os velhos são iguais

barbas brancas,
redondas barrigas,
artroses e varizes,
dentaduras e outros postiços
-----------------------------

Não esperar nada!
Deste ou de aquele
esperar NADA!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

As idades de ser humano

Soeiro Pereira Gomes escreveu Os Esteiros
"para os filhos dos homens
que não foram meninos"



Quantas crianças não chegam a adolescentes?
Quantos adolescentes não passam a adultos?
Quantos adultos sabem em-velhos-ser?

Eu?
Bem… quando eu falo dos outros, falo de/por mim.
Lembro-me de ter sido criança e de ter sido adolescente,
cheguei a velho sem ter dado por ter sido adulto...

Certificado de garantia

De duas, uma (ou as duas...):
  • ou nasci cedo de mais
  • ou estou a ir para além do prazo de validade
Em qualquer dos casos (ou nos dois...), resisto.
Como sempre vivi fazendo.
Podem contar comigo
(e lembrem-se do Niemeyer e do Manoel...).

domingo, 9 de dezembro de 2012

Tempo inconvencional

Como há dias com mais de 24 horas (ou menos...),
há meses em que se envelhece anos!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

alerto-ME

  • para o perigo daS lutaS como "terapêutica de substituição" da LUTA
  • para a obsessão da aparência de democracia, através do estabelecimento e cumprimento de "regras" e "critérios" em vez da visceral e quotidiana prática democrática 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Anotações datadas

Passei por aqui!
Alguém se vai lembrar?

---------------------------

Sou quadro?
Não! Sou é quadrado
... ou redondo
... ou convexo
... ou concavo
... ou tudo junto
... ou uma misturada informe

... ou, isso sim, sou coisa nenhuma,
que é o que virei a ser,
voltando ao que sempre sou
e, antes de, ao que já (não) fui

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tempo sem enganos


Quando era “o mais novo”
pensava que o seria para sempre,
… que nunca mais acabava…

Mas hoje,
hoje que sou
- em quase todos os lugares… -
“o mais velho”,
sei como o tempo me enganava
(e sei
– embora o quisésse esquecer... –
como o tempo me engana).

Ser “o mais velho”
é tempo que não acaba,
que dura sempre, e sempre mais presente,
até acabar tudo… até à Grande Ausência!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O que o Acordai acordou em mim...

Um dia destes chorei (*).
Estava a ver televisão, a viver uma manifestação e, ao ouver um grupo de manifestantes cantar o Acordai, dei comigo chorar. Disse cá para mim: "Tens de pensar nisto!".
E pensei. Como é sempre de um homem se pôr a pensar para que o mundo pule e avance-
Entre muita coisa pensada, pensei na comovente homenagem que aquele cantar representava para com o Fernando Lopes Graça e o José Gomes Ferreira. E ali encontrei uma das razões das lágrimas que se tinham soltado. Como aqueles dois camaradas (o músico e o poeta militantes) mereciam estar a ser cantados, ali!
Então não é que hoje recebi um mail em que, para se dar força ao que pretendia pôr-me a pensar, vinha lá isto:

IMPROVISO EM SOL MENOR

O Graça quando nasceu
Já lhe cantavam nas veias
Os sons da Terra e do Céu
Com claves e colcheias.

E assim foi que a nossa gente
- eu, tu, ele, nós e vós -
ouviu então finalmente
o sabor da própria Voz.

José Gomes Ferreira
(in Vértice nº 444/1981
- para os 75 anos de Lopes-Graça)

Não. Desta vez não chorei! Mas quase...
______________________________
  (*)
Não é feio um homem chorar,
Ti´Maria!
O que é feio,
Ti'Maria!
É um homem ter vontade de chorar
e não chorar...
Ti'Maria!
por dizerem que é feio um  homem chorar.

domingo, 28 de outubro de 2012

Histórias ante(s)passadas - 43

No regresso do que senti ser,
tardia e irremediavelmente,
o corte definitivo da ligação viva
com o meu passado vivido
escolhi o Requiem, de Mozart
“para este domingo” do anónimo do século xxi,
E juntei a nota de que teria “memória”
- ou histórias ante(s)passadas - em docordel
Aqui, e também nos dias de agora.

Histórias ante(s)passadas – 58 (?)

Não vou “literalizar” a questão, e muito menos como “ficções do cordel”, mas sinto necessidade de transformar o luto duplo que sinto em escrita catártica. Porque não foi bem o corte de uma ligação viva, a última, com o meu passado vivido, mas mais o desfazer de um laço, brutalmente, e sentido ao longo de quilómetros ao volante e de horas em que estive voltado para o mais fundo em mim.
Sucederam-se cenas como num filme a episódios.
O mais antigo, as vistas a uma casa onde a Casimira vivia com uma tia, depois de um nunca esclarecido divórcio (isto nos anos 30!), como que em reclusão, e onde a mãe e os familiares maternos a podiam visitar e onde havia uma janela num andar sobre a Duque d’Ávila, muito alto para mim, habituado a rés-do-chão e a sentir vertigens.
Depois, a vinda da Casimira para a nossa companhia no canto familiar da Rua do Sol ao Rato. Os três primos! A Casimira, a mais velha, rodeada de mistério e silêncios (porque havia coisas de que não se falava), o José Luís, com o pai na Penitenciária, por vício do jogos e desvios de dinheiro (também coisas de que não se falava em frente das crianças), onde eu, o mais novo dos primos, o conheci.
A seguir, o namoro da Casimira com o Agnelo da Trafaria, quando, dizia-se…, de quem ela gostava era do José, e cenas insólitas como o Agnelo, baixinho e todo garboso na sua farda de oficial, a subir a íngreme Rua do Sol para passar debaixo da janela da sua amada a comandar um pelotão, num desvio ao RDM (Regulamento de Disciplina Militar)!
E o casamento. Daqueles de fato de cerimónia, em que para mim se arranjou a solução da “capa e batina” feita no A.Lemos da Rua Augusta, e que veio marcar a minha vida de estudante lisboeta a sonhar com Coimbra.
Do casamento nasceu o António Alberto, que estaria agora nos 60 anos se não tivesse morrido há uns quatro ou cinco anos, de uma morte anunciada e de certo modo antecipada para os pais e, também, para mim. Por isso, quando ontem, no cemitério, me disseram que o António Alberto, além do corte total com todos os laços familiares, morrera de sida, senti estar a fazer um duplo luto.



Esta fotografia tem escrito nas costas, com a letra da Casimira, António Alberto com 3 anos e meio – Restauradores 1955













Tudo foi revivido.
O António Alberto foi o meu primeiro bébé! Andava eu no liceu, no D. João de Castro, no Alto de Santo Amaro, e organizava a minha vida para estar com ele, que quase vira nascer. Com os meus 16/17 anos passei horas a brincar com o TóBé, no encantamento de ver um ser humano ganhar corpo e sentidos e consciência. (O que estou a voltar a viver numa terceira etapa da minha vida).
O miúdo cresceu e sempre o fui acompanhando. Com uma enorme ternura. Retribuída, E lembro a alegria que lhe teria dado quando, no começo da sua adolescência, consegui ir ver o sarau de ginástica na Académica da Amadora, em que ele participou e para que me convidara com alguma insistência..
Depois, adolescente inquieto e com um difícil relacionamento com os pais, uma fuga de casa para uma "aventura" por Espanha, terminada em Barcelona com um regresso atribulado, em que também tive um papel bem difícil. Em que fui uma espécie de mediador, fisicamente no meio dele e do pai a impedir a violência, e com a insólita confissão que ele me fez de que terminara a sua “aventura”… por ter sentido a falta do "champoo"!
E cada um foi fazendo a sua vida. Sempre com a Casimira a dar-me notícias, e a encontrá-lo de vez em quando.
Até que chegou um 25 de Abril. Em 1974. Ele com 20 e poucos anos, eu a chegar aos 40. Tempos em que nos teríamos reencontrado. Em que soube coisas dele, na empresa em que trabalhava e do seu impeto revolucionário. Cruzando-nos e abraçando-nos em manifestações. No meio da alegria e do futuro que procurávamos ajudar, eu um pouco preocupado porque ele queria a revolução-já e eu não tinha nem arte nem tempo para lhe provar que as revoluções não se fazem . Que se fazem sempre. Todos os dias, e mais difíceis são os dias em que se julga que ela está feita.
Ter-se-á perdido, ou terá procurado encontrar-se por outros lados. Por Moçambique e não sei mais por que paragens. Rompendo laços, cortando ligações. Perdi-o!
Soube da sua morte. Quase com indiferença. Até ontem. Até ao acompanhamento da Casimira ao cemitério do Feijó, e ao ter-me sido confirmado, por voz amiga e comovida, que o António Alberto morrera, e como morrera.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

extracto de diário

Mais gente contra o ultrajante


Hoje foi o dia da gente dormente
que passou a gente emergente.

Temos de lutar para que não venha a ser
gente desistente
ou pungente
ou… pingente.

É urgente tornar muita dessa gente
gente de sempre!

15 de Setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Com um sorriso (amarelo) na escrita

Uma estórinha de humor muito negro
acerca de uma “branca”
(mas com um sorriso na escrita)

O “amigo” aproximou-se da mesa onde estava sentado à espera de quem quisesse um autógrafo no livro que publicara. Abraçámo-nos com a afectividade aquecida por muitas recordações de lutas comuns ao longo de tantos anos, que digo eu?..., de tantas décadas.

Estende-me o livro recém-comprado: “bota aí uma dedicatória…”.

Entro em pânico, que tento disfarçar com truques já experimentados em situações parecidas ”… é para oferecer?... queres em que nome?”. “Não, não… é para mim… põe em meu nome…”.
O pânico aumenta. Uma “branca” enorme. Do tamanho de um nome que desapareceu da memória ou que se esconde em qualquer lugar dentro de mim. Lentamente, pouso a caneta sobre a página em branco, com um grande esforço para que venha ao de cima o que está num recôndito muito fundo a fazer-me fosquinhas.
Nada!

Meto uma conversa pelo meio… “lembras-te daquela vez em que?...”, “oh!, se me lembro… foi cá uma aventura…”.

O intervalo não chegou para fazer saltar o nome. Mas deu o pretexto para a dedicatória evocativa do vivido e lembrado pelos dois “Para o inesquecível companheiro de…”, assim substituindo o esquecido nome.

Mais um abraço, e ele lá foi (ao que me pareceu) satisfeito com a dedicatória, dando o lugar a quem esperava na fila dos raros que queriam um autógrafo deste autor em pânico.

Ainda lhe via as costas a afastarem-se, e veio-me à memória o nome dele. “Porra!”, pensei eu… e ia pensar mais coisas sobre a idade e os sinais que nos manda aquele sacana do alemão que deu o nome a uma doença (como é raio ele se chama?...), mas recompus-me ao lembrar que estas “brancas” já me aconteciam quando comecei a dar autógrafos nos idos anos… de há décadas.

sábado, 11 de agosto de 2012

Instantâneos de um casamento nos Castelos, na Sé Colegiada - 2

Enquanto todo o cerimonial
na Sé Colegiada,
indiferentes ao ritual,
às orações e aos sermões,
aos ajoelhares e aos levantares,
às mãos postas e aos beijinhos nos vizinhos,
uma jovem e um jovem dedilhavam,
obcecadamente,
jogos dos respectivos telemóveis.
Obcecadamente,
opiamente,
... dispensando o ópio da religião.

Depois, durante a refeição matrimonial,
entre os pratos que vinham e iam,
os garfos e facas a baterem na loiça
para os noivos se beijarem,
no meio do bulício e da animação,
vimo-los de novo,
aos dois jovens da Sé Colegiada,
continuavam a dar aos dedos,
desesperadamente,
nos seus infernais teclados.
Desesperadamente,
avidamente,
... alheios a tudo,
às comidas e às bebidas,
ao barulho e às gentes,
à VIDA!

que pena me fizeram...

Instantâneos de um casamento nos Castelos, na Sé Colegiada - 1

Dizia o padre:

"... serão os dois uma só carne..."

Escrevia eu, nas costas de um papelinho do multibanco:

"Deus perto de nós...".
Tão perto nós...
que nós
o criámos,
de dentro de nós
... para fora de nós
para ser ele o nosso criador!

domingo, 29 de julho de 2012



Esta é uma das duas vezes do dia em que o relógio, de que ainda não mudei pilha (há quantos meses?), está certo!
E calhou olhar para ele na hora certa!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vermelho... de todas as cores que vermelho sejam


Quantas conexões a partir de uma beleza colorida (a duas, ou três, ou multi-cores...).

E nada é tão fácil como parece ser, sobretudo se se procurarem analogias humanas. É que nós, seres humanos que somos, mudamos em cada momento e, nessa mudança permanente, deveríamos continuar a ser, sempre, o que éramos antes de o deixarmos de ser.

Até porque todo o mundo é composto de mudança, como espalhou por dez cantos um zanaga lu(i)sitano

O vermelho vivo é sempre vermelho enquanto vivo, mesmo que vá mudando de tons e sons com o tempo, ou a idade. O que é o mesmo sem ser igual, ou tal-e-qual. E, sem fugir às analogias que nos interpelam e arrepelam, falso seria se, para aparentar não mudar de cor, tom ou som, o ser humano deixasse de ser vermelho (ou) vivo.

Assino e sublinho. A amarelo que é a cor dos sublinhados do que mais vermelho (e vivo) se quer.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Avô observado por avô observador

Os olhos semicerram-se
ficam dois riscos risonhos
porque todo o rosto se ri

É um emigrante em Orly
é um avô com os netos!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A QUESTAO

... a questão que está  em questão desde que estamos no estado em que estamos...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Papel rasgado

Encontrado no meio de papeis a rasgar (um de cada vez...), e que talvez já esteja para aí em qualquer sítio:

Quando me falam em TAC
Logo acuso o toque
Dá-me uma espécie de crac
E sinto que vou a reboque

A reboque do que resta do SNS
Entre enxaquecas e constipações
Saltando o grito de SOS
Se a coisa pode ter complicações

terça-feira, 19 de junho de 2012

As conversas que...

A conversa com o camarada e amigo foi igual a tantas desde há tempos,
de camaradagem, amizade e inteira concordância no que não nos dizemos...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Em o compadre

Um sobressalto de raspão:

Será que estou errado...
e esta é que é a human(a)idade?
Não pode ser!

Mais um canto... o do compadre

Mais um canto com toalhas de papel para nelas preencher cantos. A juntar a outros. Até perfazerem dez cantos lusidianos?
Este canto é o de o compadre, ao lado da casa do... Diogo!
Num recanto/bairro de Lisboa.

Já aqui vivi nas núvens. Que hoje carregadas estão. De raios e coriscos. Mas de que outra maneira poderia ser?
Que passem as tempestades, que não sejam mais que borrascas!

Todos nós precisamos de ajuda... e sentimo-lo. E alguns de nós têm a forte fraqueza de o dizer.
Mas a ajuda de que cada um precisa só pode ser do "outro", do "outro" que da nossa ajuda precisa.
E esquecemo-lo por tão necessitados de ajuda estarmos. Pelo que o "outro" fica sem a ajuda de que precisa... e nós sem ajuda ficamos.  

Está um bocado retorcido?
Queria fazer um desenho... mas tenho de aprender a técnica.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Assim se cumprem os dias

Assim se cumprem os dias,
uns atrás dos outros,
de carreirinho, todos iguais.
Todos com 24 horas,
todas elas diferentes.
Umas asSIM,
outras aNÃO,
outras ASSIM-ASSIM.

Assim se cumprem os dias,
uns atrás dos outros,
seguindo-se sem parar, todos diferentes.
Todas com 24 horas,
todas elas iguais.
Cada um, mais uma/menos uma,
numa soma que diminui,
sendo tantas
a caminho de não ser nenhuma.

Aproveitemos os dias,
aproveitemos as horas
vivendo todos os dias, todas as horas
que nos é dado viver.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Cantinho

Um homem é o que foi e o que outros o fizeram ser.
Tá dito!

Mais um canto enquanto almoço

Mais um canto, este em Fátima city em que posso sentar-me, refeiçoar-me e tomar uns aponta mentes em toalhas de papel. e este trata-se de um reencontro de vez em quando reencontrado. Desde que, há mais de 30 anos, um casal jovem, a razar os 20 anos, se meteu na aventura (antes desse coisa falaciosa do empreendedorismo... brrr!) de abrir um restaurante no Casal Novo, e começou uma vida que tem dado muitos saltos e sobressaltos. Familiares e de lugares vários. Abrantes, Ourém, agora Fátima. Adiante...
Aqui sentado, a comer lingua estufado que o sr. José lembra ser prato favorito da minha mãe (como as iscas...), sou cumprimentado carinhosamente pela Joana, a quem, muito miúda e há quase 30 anos, ofereci (e à irmã) a abelhinha da campanha eleitoral da CDU. A Joana, hoje uma senhora a ajudar o pai na actividade de restauração, agora em Fátima, que se lembra dessa minha oferta e que diz que a tem no seu quarto... Um almoço sem preço!

É curioso. Fátima é povoação que vive e cresce. Naturalmente. Para além (mas também por...) de "milagres" e sazonalidades a eles ligados. Ao fim e ao resto, anda sempre tudo ligado...
E Ourém? Ourém vê passar os comboios... em Caxarias e Chão de Maçãs. Parando cada vez menos. e com o IC9 ao lado. Também a passar ao lado.

Vejo como me observam. De outras mesas. Como o medo (de quê?) se transformou em admiração (em toda a sua ambiguidade), perguntando-me quando em respeito? A que me não sei dar...

Também observo.
Aquela jovem (professora?) que, pelo pegar no garfo e outras maneiras denuncia que é de "boas famílias" e deve ter andado em colégio de freiras. Tão só...
E observo os que me observam.
Choco os meus olhos com as rotundas barrigas conso(n)antes com as rotundas rodoviárias.Algumas tão recentes e tão efémeras.
E sorrio... para dentro das minhas, também efémeras, barbas brancas. Tão sábias por já tanto terem visto (desde 1968...)! 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Fala do velho com os botões (das suas cuecas) - II

,,, qualquer dia chateio-me e, assim como vos substitui pelos "slips" (que não conversam nada...), troco-vos em definitivo pelas fraldas que são um velhíssimo conhecimento (de quando não eram descartáveis e exigiam alfinetes "munta grandes").

voltarei a ser criança!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Fala do velho com os seus botões - I

Quem toma diuréticos tem de treinar a bexiga (e não só...) para viagens de "expresso"!


(quem dizia botões, hoje diz "fechos de correr"
... até porque tem de correr muito expressamente
quando chega aos terminais da Rodoviária)

3 tempos!

terça-feira, 15 de maio de 2012

De bicicleta pela História

Já não é só uma questão de equilíbrio.
Parece que a corrente saltou da roda dentada e continua-se a pedalar desalmadamente.
E nós? Não vemos que é isso? Que a questão do tempo presente nos remete para a imagem velocipédica? O que temos é de fazer saltar quem está agarrado ao guiador, a fazer-nos pedalar no vazio, como se estivesse num ginásio privado num 5º andar das Avenidas Novas (que já estão velhas!), a viver dos rendimentos, que são juros e rendas e não mais-valias.
Apeá-los, primeiro, mas apearmo-nos, também!
Depois, com jeitinho, mas sem medo de sujar as mãos, de óleo, de terra, de lama, ferindo-nos calhaus e nas ferramentas, fazendo algum sangue, colocar a corrente na roda dentada, pôr em pneus em boa pressão (talvez, se preciso..., tapar uns furos nas rodas), saltar para o selim... e continuar a corrida. Que é sempre em frente, apesar de muitas curvas e de pedaços de caminho em que parece que o raio da bicicleta tem marcha-atrás.
Pedalar, é preciso!

domingo, 13 de maio de 2012

Um Amigo

Era um Amigo!
É mais um amigo que fica vivo dentro de nós.
Vivo no nosso "cemitério" interior.
E já tão povoado!
Tantos anos! Tanto viver em que estivemos os dois.
Foi muito duro vê-lo a morrer. A lutar contra a morte!
Fica aqui - e como se ficção fosse - o registo.



para o João, uma camélia
da Justine

quarta-feira, 2 de maio de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

Num canto de espera do átrio de um hospital

A ver um amigo (a) morrer

a ver um amigo (a) morrer
reconhecemo-nos
meros mortais
efémera matéria
doídamente!



Doídamente

respeitar a dor dos outros
sofrer a própria dor
evitar a desnecessária dor
viver a dor de todos


sábado, 14 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

É assim!

O meu problema é sempre o mesmo:

Quando me sinto bem… penso como será o depois?

“na volta”, como vai ser … ainda hoje e já fora destes agoras?
“na curva”, como vai ser … pelas cercanias e já nas lonjuras?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Trabalhos de avô


pois!
é com o punho direito!


quarta-feira, 14 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Caminho



De olhos na estrada,

calcorreio, passo a passo,

o espaço que percorro,

fixado no que será o meu chão.

Levanto os olhos do chão,

levanto-os para os verdes das árvores,

para o azul infinito.

Levanto os olhos para o horizonte

(não para o céu em que tantos acreditam).

Faço, a andar, o caminho

(que não há outras maneiras de o fazer…).

Já vejo a casa e o poiso.

Desta vez chegarei!


Por quantas mais?

domingo, 4 de março de 2012

e depois de agora?... e fora de aqui?

O meu problema é sempre o mesmo:
sinto-me bem... e depois?
sinto-me bem hoje, onde estou... e mais tarde, fora de aqui?
sinto-me bem nas cercanias, agora... e nas lonjuras, mais logo?

sexta-feira, 2 de março de 2012

É isto que eles querem...

Fazer de cada homem um explorador.
E de cada explorado um não-homem!

puta que os pariu !
(em grito!)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Já fui "doente" (há muitos anos...)

... mas curei-me. Mas de ser português não me curarei...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dêem nome a esse néné!

Não é preciso baptizar... mas vocês é que sabem!

Recordacções...

Creio que foi no princípio dos anos 60 (há 50 anos!), na revista do ABC, teatro do Parque Mayer, a vedeta era António Machin. Tempo de guerra colonial. Pediu-se-lhe para cantar "angelitos negros". Fez-se um pouco rogado porque, disse, muito o emocionava cantar aquela canção. E cantou-a. Chorando. Eu vi. Ou a memória assim me traz a recordação!

ANGELITOS NEGROS

Pintor nacido en mi tierra
con el pincel extranjero
pintor que sigues el rumbo
de tantos pintores viejos.

Aunque la Virgen sea blanca
píntame angelitos negros,
que también se van al cielo
todos los negritos buenos.

Pintor, si pintas con amor,
por qué desprecias su color,
si sabes que en cielo
también los quiere Dios.

Pintor de santos de alcoba,
si tienes alma en el cuerpo,
porque al pintar en tus cuadros
te olvidaste de los negros.

Siempre que pintas iglesias
pintas angelitos bellos,
pero nunca te acordaste
de pintar un ángel negro.

Oh, Maria!... isto faz-se?
Obrigado!
No fundo somos todos uns sentimentais...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Uma espécie de concurso

Fora do meu cantinho de trabalho e vida para estes anos, por exultantes motivos - que muitas vezes me levarão a migrar -, trouxe "trabalho para fora de casa", até porque há compromissos a cumprir, como a participação, hoje â tarde, numa iniciativa em Carnaxide, no Centro de Trabalho.

A ler uma entrevista, de que não digo a data nem com quem, surgiu-me a ideia/exercício de transcrever frases e de fazer um espécie de concursos. Algum dos eventuais passantes, quer arriscar

quem foi que o disse e quando?

À pergunta sobre que pensa da previsão do primeiro-ministro (à data) de que, com os empréstimos (a "ajuda") "a nossa economia poderá reequilibrar-se dentro de quatro anos" 

frase 1  - não é assunto para me pronunciar levianamante: tenho responsabilidades como economista.
frase 2 - os empréstimos ajudam a resolver as dificuldades de pagamentos externos.
frase 3 - Ponto importante é o das consequências a médio e longo prazo.
frase 4 - Como se trata de empréstimos e não de donativos, será necessário pagar juros e os próprios capitais.
frase 5 - muitos dos empréstimos contém cláusulas impondo as compras nos países em que se aplicam no país que empresta...
frase 6 - O capitalismo tem os seus códigos de fraternidade - mas os efeitos sobre a balança de pagamentos que se está a ajudar são, por vezes, pesados.
frase 7 - numa situação precária como a portuguesa, o "banqueiro" domina o jogo, agora que está a emprestar e, depois, quando se tratar de cobrar juros e indemnizações.
frase 8 - Eles, nos EUA, na RFA, no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial (vão sendo sempre os mesmos), sabem das dificuldades e da sua provável persistência; seguram-se, impondo um juro político que vai da "brigada NATO" até à liberdade de movimentos das forças de direita.

Chega? Mas havia tanto mais e tão interessante! Mais algo virá com a resposta, 2ª feira, aos eventuais concorrentes. 
Arrisquem, embora nada haja para petiscar...

Não era para vir para aqui. Mas, já que veio, fica... com uma prova do "exultante motivo"
D. Neto, o 1º

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Purificado"

Excerto de "dias de agora":

Eis-me "purificado" de um terrível pecado mortal que por vezes me assaltava, apesar de morigerado pela amizade de alguns dos invejados/as que, cheios de caridade cristã, me diziam atribuir-me ou partilhar comigo a benção de ser avô.
Obrigado a todos.
O céu está-me mais acessível liberto desse mortal pecado.
E a "purificação" está a trazer consigo outras bençãos colaterais. Assim como questiono quanto tempo pode durar o "canto do cisne", me pergunto quantos dias viverei em "estado de graça".  

domingo, 22 de janeiro de 2012

"Cenas" em toalha de papel à volta de um jantar sozinho

  • São dois casais na mesa da direita. Comem silenciosamente, ou sem que os sons venham até mim ou me atraiam o ouvido e a atenção. Convocado efusivamente por uma delas, chega um 3º homem (tipo Orson Wells...). A animação instalou-se. E a desanimação. Cada uma com os seus intérpretes. Invadindo a minha mesa. Só apanho (porque me é atirado pelos ares próximos...) EU fiz, EU vou fazer, EU gosto de, EU não gosto de, ... que desgosto d'ele. Os outros dois homens apagaram-se... e pagaram a conta, empurrando o grupo para fora do restaurante logo que lhes foi sendo possível!
  • Ali, na mesa em frente, um protagonista da opereta tipo vienense, em cena na Avenida de Roma, Os viúvos tristes.
  • Abundam as mesas de pessoa só. Como esta em que me sento e aponto mentes.
  • Ali, o gajo no engate. Será que, acolá, é a gaja no engate? Quem vai ganhar? Se calhar dá empate. Ou perdem os dois!
  • À volta, todo o "descharme" do mundo.
  • Aqui, à minha esquerda, 6-homens-6, da várias cores, reformados do tempo colonial, com todos os tiques, comendo marisco alarvemente, bebendo cerveja às canecas, falando de futebol, das "glórias do passado", berrando unanimemente "qu'hoje não têm gajo nenhum que lhes chegue aos calcanhares".
  • Os grandes candidatos ao Óscar (que seria renhidissimo com este juri) seriam o Matateu e o Eusébio, e, para haver um angolano, veio o Peiroteo (tinha que entrar um branco... e eu lembrei-me do Zé Águas, mas também do Coluna, cá para os meus botões...), e coitado do Mantorras!, que ficará sempre a grande frustração com o correspondente zurzir em médicos e dirigentes!
  • O prazer da solidão povoada.
  • Ou de... la solitude, je suis d'un autre pays que le votre, d'une autre quartier, d'une autre solitude, biologiquement je m'arranje avec l'idée que je me fasse de la biologie, je pisse, j' éjacule... (será assim, oh, Léo?)
  • Às vezes, assim, em solitude, assalta-me a vontade de "apanhar" uma bebedeira... mas ela foge-me, ou esconde-se atrás da (ou mascara-se de) lucidez.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

estórias de sussexo e de insussexo - 2

Nas viagens que então fizemos, algumas ficaram na memória com episódios a pedirem para ser contados como estórias de sussexo e de insussexo.
Eram conhecidas algumas características do senhor ministro (um jovem e corajoso capitão que tomara sozinho o aeroporto de Lisboa, em 25 de Abril de 1974), tal como a sua propensão para se relacionar intimamente com o belo sexo (que redonda maneira de dizer…).
Recebida a delegação – o ministro, um elemento de cada ramo das forças armadas e eu –, logo no almoço com o embaixador em Berlim, e respectiva esposa, houve um episódio que (talvez…) fique para outra estória.
Nesta, conta-se que a delegação, recebida com todas as honras, teve reunião com o ministro do trabalho de lá, e outras, e, para uma manhã, estava programada uma visita a instalações militares, da qual logo me exclui por ser paisano. Surpresa tive quando o ministro-capitão, no jantar da véspera, me disse que também não participaria na visita militar, e aproveitaria para ver comigo o discurso que eu estava a preparar para ele dizer na reunião da OIT, em Genebra, para onde seguiríamos depois.
Ora nessa manhã, após o pequeno-almoço, saíram os tropas, e ministro e eu voltámos aos nossos quartos com a combinação de nos encontrarmos mais tarde. Que eu lhe telefonasse…
Lá telefonar, telefonei... mas ninguém me atendeu. Pelo que resolvi ir à procura dele, convicto que fora erro de comunicação. Na recepção, disseram-me que o sr. ministro estava na sala de jogos, que era na cave, a jogar ping-pong com a intérprete (que me esqueci de dizer que era… uma verdadeira estampa!).
Por dever de ofício, fui lá abaixo. E deparei com uma maneira muito diferente de praticar desporto: uma esbelta alemã a fugir à volta da mesa de ping-pong, com um ministro português a correr atrás dela. Inopinadamente, pus fim àquela modalidade desportiva com pouco futuro.
Acho que o ministro nunca me perdoou…

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

estórias de sussexo e de insussexo - 1

Naqueles tempos e lugares, os portugueses eram olhados como heróis. Sobretudo, os capitães.

Estava um grupo de portugueses, do movimento da Paz, em Budapeste. Um, responsável, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, um professor universitário, de Coimbra, um trabalhador da indústria, do Barreiro, um trabalhador da agricultura, de Viseu, um “capitão de Abril”.
No hotel, estava também uma equipa feminina de atletismo da Polónia. Cujas atletas nos olhavam com a admiração com que nós as olhávamos a elas…
Por insistência do “nosso capitão”, promoveu-se um convívio num quarto daquele corredor. Três para três (o professor retirava-se cedo e quedo, o nosso trabalhador rural era tímido e não falava línguas). Convívio com algumas cervejas trazidas do bar e troca de impressões sobre as terras e a(s) vida(s).
Convívio que não estava a correr ao desejo do “nosso capitão”. Que, por isso propôs um jogo. Uma espécie de roleta. Uma garrafa de cerveja no chão posta a rodar e, para onde apontasse o gargalo, o designado ou tirava uma peça de roupa, ou cantava uma canção da terra dele ou dela.
Boa ideia!
Assim se fez.

E, nesta crónica, poupam-se pormenores e incidentes. Apenas se deixa contado que, até acabar a noite, isto é, até nos despedirmos cada um e uma para as respectivas caminhas, fomos 5 a cantar alternadamente, e também em coral, canções das nossas terras, e um capitão a tirar peças de roupa e a terminar “fardado” de camisola interior (das de alcinhas), cuecas e peúgas e a resmungar que só ele é que sabia jogar aquele jogo.