faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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segunda-feira, 28 de março de 2016

Páginas de diário

Que, agora, tem o título factos i relevâncias:

«(...)
Para começar, como se tivesse vindo (a caminhar) do Curral, ou de outro almoço algures:

Novo inquérito factos i relevâncias

1.     Qual a coisa mais fácil do mundo para um ser humano? 
Julgar outro ser humano.

2.     Qual a coisa mais difícil do mundo para um ser humano? 
Julgar outro ser humano.

3.     Qual a profissão menos desejada do mundo por um ser humano? 
Ser juiz do outro.

4.     Qual a atitude mais praticada do mundo por um ser humano? 
Ser juiz do outro.

(...)»

quinta-feira, 17 de março de 2016

resgato


DÁS TRANQUILIDADE
PEDES TERNURA

Dia gnóstico & re ceita

Fui ao médico e levei o diagnóstco (não fui ao veterinário...):

tremem as mãos
tropeçam os pés
entorta a coluna
claudica o joelho (por agora só o esquerdo)
lacrimejam os olhos
entope o intestinõ
entope o intestino
engrossa a próstata
incham as pernas
sobe a teNsão
doem os calos
             ... e a cabeça
     mas vai funcionando!

Face ao exaustivo relato, disse o atento esculápio:

o que o senhor tem é... idade a mais
para o prazo de validade!
caminhe muito,
largue o telemóvel e os computadores,
aguente as dores
beba muita água...

Interrompi, de caminho, fazendo boa cara à má sorte:

... a que vem no vinho 
também conta?

Resposta pronta:

com certeza que sim!,
enfim... até lhe digo mais...
e lhe aconselho o que sinto:
beba dois copitos de tinto ao deitar
em vez do que está a tomar!

Assim, sim... isto é que é receitar

se o clínico não é cínico
(e a doença não é terminal...)
encontrei o médico ideal!


quarta-feira, 16 de março de 2016

DEI À(OS) COSTA(S)

Neste preciso momento (mais rigoroso... neste preciso segundo: 15:27) dei à costa!
"Quere-se dezer": estou a deitar por fora de Costas (de António e de Carlos, e outros mais que tais, e das  respectivas mãezinhas).
Só aqui o digo!

quarta-feira, 2 de março de 2016

Perdidos & Achados - ... e o que somos hoje?

Éramos um povo. 
Éramos um povo nascido, de parto difícil e com dor, quando em certas (ou incertas) contas do nosso rosário humano se viviam os anos 40 do segundo século do segundo milénio.
Éramos um povo que, depois, na mesma escala de medir o tempo, cresceu atribuladamente, teve afirmação de vontade própria em 1383, sacudiu jugo de vizinhos em 1640.
Éramos um povo que descobriu ter o que bem-falantes chamam “vocação marítima”, e que seria a forma de chegar a adulto independente e com vida própria, se aventurou a percorrer, por desconhecidos caminhos, mares atlânticos e de outros oceanos.
Éramos um povo com o destino - ou com esse  fado - de sair para o mar, porque para o interior da terra havia montes, e vales, e gente outra, fronteiras hostis antes de se chegar a mais longínquas fronteiras, de Pirinéus, Franças e Araganças. 
Éramos um povo que só por mar ganhou o direito a… ter a chave de casa. 
(Mas desses primeiros tempos, que também segundos foram, falou um de nós - que lusíadas somos! - como talvez ninguém de outros seus povos terá falado.)

Éramos, em 1974, um povo. Com séculos de história e sendo, então, uns 10 milhões. 
Éramos, então, um povo prisioneiro ou no estrangeiro. Prisioneiro porque sem liberdade, reprimido, oprimido e oprimindo no estrangeiro porque muitos de nós (um que fosse, demais seriam) em guerra. 
Éramos 10 milhões? Decerto mais mas sem números exactos porque muitos abalaram e não voltaram, muitos foram ficando e deixando de ser deste povo que os deixara partir, e teriam sido levados a desistir de serem deste povo.
Éramos, aqui, um povo prisioneiro. Porque sem liberdade, reprimido, oprimido. Resistindo. Uns passivamente, resignadamente; outros clandestinamente, lutando. Lutando por e como este povo que eram. Como este povo que queriam ser. Alguns, presos por o quererem ser. Por lutarem para serem este povo. Livre..

As circunstâncias fizeram-me ser um destes.

2012
(e o que seremos amanhã?

terça-feira, 1 de março de 2016

EU-O-OUTRO, AGORA

CADA SER HUMANO É UM POÇO SEM FUNDO DE EGOÍSMO
CADA UM COM UMA DOSE IMENSURÁVEL DE "OUTROÍSMO"

Perdidos & Achados

Façamos um pequeno exercício:

Há 40 anos, um operário com 20 anos, com os meios que lhe eram postos à disposição, fazia um produto. Produzia.

Era ele, em 48 horas semanais, mais 19 camaradas, e produziam 1.000 peças desse produto por mês.

20 anos passados, esse operário (com a mesma aptidão acrescida de experiência e alguma eventual formação), mas com outros meios entretanto criados por outros trabalhadores e postos à sua disposição, continua a produzir. Com a sua força de trabalho.

Mas já será em 40 horas de trabalho, e com 9 camaradas, e produzindo 2.000 peças desse mesmo produto por mês

A culpa é nossa, por ainda estarmos vivos
A culpa é deles, por terem sido paridos
Como foi nossa, por termos nascido
Como será deles se teimarem sobrevivos

Não há segurança social que resista a tanta longevidade
Não há trabalho decente que chegue para tanto licenciado
Não há tectos para tanta gente que vive (?) sem abrigo
Não há restos e sobras de cada-vez-mais abastança de alguns
que matem tanta fome a crescer em cada-vez-mais.


(em 2011)

Perdidos & Achados

Sen  tenças

As pontes
As pontes têm duas margens. 
O que só assenta em uma margem não é ponte, e não se sabe se alguma coisa será… mas continua a haver duas margens, uma de cada lado do que seria uma ponte.

Respeito pelos outros
Respeito os outros
Respeito(-me) (n)o outro
            que eu sou