faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Na quadra(da)

De fato-casaco e gravata
fui daqui jantar a Lisboa,
à Varina da Madragoa,
só p'ra festejar esta data.

Como no ano de setenta e oito,
para começar de novo a viver
nas vésperas de um ano nascer,
e qu’ este seja novo, ovo e afoito

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

De vez em quando...

De vez em quando, o estranho (entranhado?, dorido!) sentimento de ter esgotado o tempo a passar ao lado.
De quê? De tudo. De nada. Da vida.
Antes, caminhando por serventias abertas e por caminhos e ruelas sem nome;
há pouco, por travessas e ruas com nomes
(alguns queridas lembranças),
por estradas municipais e nacionais;
agora, mais por IPs, SCUTs e auto-estradas com números e portagens.
Mas, hoje, vindo de volta ao canto este,
em fuga a rotinas de sempre, meti os passos por outras veredas,
entrei por onde sempre ao lado passara, décadas e décadas a fio,
pisei o que estava virgem de meus pés,
vi o conhecido de outras perspectivas,
descobri o que estava ali, só à espera de ser descoberto.
Logo ali, a dois passos...
Que dei, pela primeira vez.
Fiquei olhando, e olhando-me.
Com o sentimento de ter esgotado o tempo a passar ao lado. De tanto tempo perdido...
... Não! Não é verdade! De de ter passado ao lado de tanto tempo não ganho.
A quê? A tudo. A nada. À vida.
Hoje, neste regresso, recuperei algum desse tempo.
Porque não estava de todo perdido!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Do conhecimento dos animais

Comecei por conhecer, dos animais, os cães e os gatos.
Um cão, com nome de Tarzan, foi meu companheiro de infância de filho único, foi membro da família, protegido e protector.
Aos gatos, via-os passar nos quintais das traseiras do velho bairro urbano ou às portas das carvoarias.
Também via pássaros cruzarem os ares. Andorinhas quando era tempo - e, então, ainda poucas das muitas vezes que já as reencontrei, ano a ano e tantos são -, pardais em todos os tempos e lugares. E nunca aprendi a distinguir outras, por mais lições que o menino da cidade tivesse tido do pai nascido na aldeia e que sabia identificar os piares, cores, nomes de todos os pássaros (arbéolas, cucos, ferreiros, melros, pintassilgos e pintarroxos, rouxinois, caracois e mais bichos mois). Nunca passei das andorinhas, dos pardais, dos pombos e, depois, das aves de rapina... todas iguais.
Ainda podia acrescentar, a essa descoberta do mundo animal, algumas visitas. As repetidas ao Jardim Zoológico e uma ao Aquário Vasco da Gama. Mas isso eram animais de um outro mundo. Não do meu.
.
Assim foram escorrendo os anos. Aprendendo e desaprendendo, construindo mundos e neles me integrando.
Assim foi sendo até ter, dos mundos, um conhecimento (ou descoberta?) do mundo meu. Uno e múltiplo. Em que os homens também são bichos. Animais, quero eu dizer, uns bons, outros maus, os restantes assim-assim.
Teria havido tempo em que os animais falavam? Houve tempo em que acreditei que sim. Foi também das coisas que construi e desconstrui. Sei, hoje, que só o homem fala depois de ter tempos e tempos em que, sendo animal e pouco ser humano, não falou.
Do conhecimento dos animais soube, durante décadas e como se fosse ciência certa, que os cães comiam ossos e os gatos comiam espinhas. Dos restos das nossas refeições. E que os cães eram fieis e obedientes, os melhores amigos do homem, e que os gatos eram ladrões, ariscos, associais, pequenas e incorrigíveis feras.
As coisas que eu sabia! Ou as coisas que eu julgava saber!
Hoje, se em certas casas há cãezinhos que são companhia de senhoras idosas e sós que, para eles, fazem coletinhos de lã, nesta casa que é minha tenho um gato que é “gourmet” e que tem longas conversas com a que faz-de-dona (dele e minha), que aprendeu gatês com muita rapidez.
E também há cães vádios a roubarem o que lhes chegue ao dente e a vasculharem caixotes do lixo, e também há gatos que são abandonados e, em vez de voltarem à caça ancestral, pedem humana ajuda e abrigo e bom trato. Ele há tanta coisa. É a vida!
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Isto o mundo dá cada volta! Está sempre a dar…

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fraternas idades

Um pouco arredado deste "canto", aqui me traz o meu "mano velho".
No jantar de 21 de Dezembro, dia em que fiz uma quantidade enorme de anos, num jantar familiar, o dito "mano velho", além da presença estimulante, fartou-se de me dar "prendas"... de que eu nunca me farto.
O fulano escreve uma prosa muito dele, de que eu gosto deveras, e conta coisas que são mesmo "à medida" deste blog. Só sendo de lamentar que ele não tenha um blog seu para publicar coisas destas... sem ter de ser apenas na ressaca dos dias dos meus aniversários.
Aí vai uma:
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Curta (mas verdadeira)
(Hospital Curry Cabral/Urgência):
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Médico - Não tem nada partido; foi só um entorse no pé. Vou-lhe receitar um gel e uns comprimidos. Tem algum problema com o estômago?
Eu - O único problema que tenho com o estômago é que não tenho estômago.
Médico - Ah! Então vou receitar um pó...
Eu - ... p'ró pé?!
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Isto nas traseiras de um cartão de Boas Festas e Feliz Ano Novo oriundo de um certo sítio em que trabalhámos os dois.
P.S. (salvo seja): tinha colorido o fraterno contar, com letra de azul que a salientava, mas lembrei-me que ele não é do Belenenses, e o melhor que arranjei lá perto das cores do Benfica, e que fosse visível, foi o que se vê (mal!).

sábado, 18 de dezembro de 2010

Coisas que me passam pela cabeça

A vida começa a con-cretizar-se em círculos ex-cêntricos; depois, fazemos (alguns…) um enorme esforço para tornar tudo con-cêntrico à volta do nosso ego-centro;
com o andar (andar?.!.. com o correr) dos anos, vamos comprovando que o mundo se divide, que tem vários centros não coincidentes ou coin-cêntricos.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Alentejando

A caminho para o sul, para o Algarve, passa-se pelo Alentejo. Que já é sul.
Um espaço de permeio. Mas com uma identidade única. Há um estar no Alentejo como dificilmente se vive o estar noutros espaços. Pelo Alentejo se passa, vindo do Centro, ou mais do Norte. Mas não é um espaço de passagem. É um espaço de ficagem!
Porque, nas suas diferenças, se vive uma identidade. Um modo de ser, de estar, de falar. Alentejano! Aqui mais cerrado que ali. Sempre o mesmo nas suas diferenças.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bom dia!

Uma manhã estranhamente calma, de sol pálido, depois de um meio dia de ontem de muita irritação e preocupação. Em que, depois de umas chuvadas mais fortes, tudo que nos cria conforto e segurança, dá luz e liga ao resto do mundo deixou de funcionar. A preocupação pelo que, nos frigoríficos e congeladores, se poderia estar a estragar.
O desespero e a impotência da dependência. Só havia uma saída: metermo-nos no carro (será que funcionava?) e fugir para algures... Deitámo-nos muito quietinhos à espera que passasse. Passou!
Bom dia.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bom dia!

Bonito dia, com o sol a colorir os verdes.
Mas deve estar cá um frio...
Vou dar uma volta pelo Zambujal do século XVII. Tenho um enocontro marcado com um miúdo que ainda não fez 12 anos, antes dele partir para a India. Como emigrante que não voltará.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Bom dia!

Mais uma quinta-feira. Ou menos uma, como nos dizia - para animar a malita... - o Martins, o "servente" do Aljube.
Por aqui, a semana dividia-se à quinta. Era o dia do mercado, de ir trocar as primícias pelas sardinhas, que tinham de chegar para a semana toda. Sem nada de frigoríficos...
Bom! Choveu a noite, está sol na manhã. Até já. Saudades e saudações. Nós por cá todos bem, como terminava a carta da mãe para o Fernando Lopes. Mas isto são outras fitas.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Bom dia!

Bom dia, que começa numa manhã de muita humidade, com um leve nevoeiro que amacia os contornos das coisas.
Digo-me que é dia feriado. Que, dizem, todos os dias dos reformados são dias feriados. O que é mentira. Este é o dia 1º de Dezembro. O dia da Independência Nacional, depois de décadas de sermos "espanhóis", numa humilhante forma de sermos ibéricos.
E agora? Como nos tornarmos os Restauradores que vão conseguir a nossa independência, que nos libertem de sermos - assim, desta humilhante forma - europeus. De segunda, ou periféricos. Por outras paragens desta blogosfera assim viverei o dia. Reflectindo com independência nacional. Bom dia!