faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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sábado, 14 de dezembro de 2013

El(o)ucubrações

Que quer a matéria organizada?
Manter-se organizada, isto é, viva!
A grande "contra dicção" é... que fazer
com a matéria organizada em ser humano,
e que prolongou a sua organização
para além do que é "conveniente"
à classe dominante.  

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Estórias ao desafio

Comentário a um certo “post”, respondendo ao desafio com 2 curtíssimas estórias (de ficção, claro!... e também com música):

1ª - Ele fechou a porta e saiu para o frio da noite. A custo o fez. Já a desejar o calor do regresso.


2º - Antes de fechar a porta ele olhou-a e pensou como seria fácil partir (e deixar-se ir) se ela fosse o retrato daquela estória que o Aznavour conta/canta, e de que tanto gostam os dois.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

De repente mente

Gerir os mo(vi)mentos

Aproveitar
os minutos
os segundos
os momentos
nos movimentos a fazer
na vida

para
em todos os momentos SER,
ser humano
na corrente
na torrente
no fluir
da vida ainda a viver

depois dos outros
entre os outros
antes dos outros.

só depois de "espremer isto"
é que fui lavar a loiça...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Quem se/meia, es/colhe

SE/MENTEIRA

Tens de es/colher
o que semeaste.
Eu já es/colhi
o que semeei!

se (não) ment(i)e

La solitude

4 a uma mesa.
3 a falarem (ou a enviar mensagens) ao telemóvel
(e eu a escrever isto)

Na mesa ao lado, um casal,
2 mais evidentemente sós:
ele, a ler o Correio da Manhã
(de uma ponta à outra),
ela... calada e muda,
ausente e humilhada.

E o Leo Ferré a "conversar"
cá dentro de mim:
sou doutro país, doutro bairro,
doutra latitude...
Pois... La solitude

domingo, 3 de novembro de 2013

Perante a... reforma do Estado

Sair de dentro de mim,
saltar para fora do ego!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sintimentes

Vivo vizinho da casa (ou lugar) onde a santa foi (a)par(ec)ida. 
Como ela, não faço milagres!
&-----&-----&
Trabalha, enquanto é tempo!
&-----&-----&
Não esqueço nada, mas a tudo me vou habit(u)ando. Fazendo de monge com aquilo de que este é feit(i)o... de hábito.
&-----&-----&
Não te iludas, iludir(-se) é viver as desilusões antecipadamente.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Actualizando (de 24 de Julho... e pela avenida de Ceuta)

Passos a passos, portas a portas, (es)cavaco a (es)cavaco...
até quando, Catilina?

De dívida em dívida,
de dúvida em dúvida,
de desgoverno em desgoverno,
de juro em juro,
de troika em troika
(troikando e rindo),
de avaliação em avaliação,
de passos em falso em passos em falso,
de portas abertas em portas abertas,
de cavaco em cavaco
(relvas já foi,
gaspar já foi,
álvaro já foi,
outros já foram,
outros irão ou não),
de salvação em salvação,
(de d.sebastião em d.sebastião)
de Luís XIV em Luís XIV,
de privatização em privatização,
de destruição em destruição,
de especulação em especulação,
de mentira em mentira...
até à dívida impagável,
até ao desastre final (?)

OU

de chumbo constitucional em chumbo constitucional
de protesto em protesto,
de manifestação em manifestação,
de luta em luta
até à revolução fatal
(para eles!...)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

no retorno

Já me falta o tempo!
... para aproveitar 
(e dar a aproveitar)
tudo o que me deu o tempo,
que tão largo foi que já tão pouco me resta

sábado, 3 de agosto de 2013

Olhem que não fui eu...

Nas minhas vizinhanças de criança e enquanto andei pelas escolas como estudante, o meu nome próprio era raro, para não dizer que Sérgio havia só um, eu e mais nenhum (no liceu até me arranjaram a alcunha de Sargeta, não com intenções malévolas - acho eu... -  mas por causa da raridade do nome.). 
Depois, foi-se vulgarizando o nome, e para tal contribui pois fui padrinho de alguns Sérgios, em certos casos ficando-me a dúvida se a escolha privilegiava o nome ou o padrinho. E, para compensar alguma eventual incerteza quando à bondade de quem me chamava Sargeta, tenho a alegria da amizade de quem me trata por Serioja.
Vem isto a propósito de ver o meu nome - e completo: Sérgio Ribeiro - pelas  ruas da amargura. O acaso de folhear um jornal desportivo, trazido por um amigo e vizinho, deu-me a conhecer que um tal Sérgio Ribeiro foi alvo sanções drásticas, na sua profissão, decerto por drásticos crimes cometidos. Destarte (por essas malas artes), Sérgio Ribeiro tem de dizer adeus ao ciclismo profissional, modalidade em que, ao ganhar etapas, já suscitara alguns mails de parabéns a mim dirigidos por amigos que, sabendo que isso de andar de bicicleta foi chão que já deu uvas há muitas décadas, gostam de brincar comigo.
Tenho pena... 
Tenho pena de não ter ganho etapas nessas voltas que se dão por aí, pelas estradas da vida, e do Sérgio Ribeiro que o conseguiu o ter feito de maneira que mancha o nome que é comum de dois (e mais do que de dois). 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Hom'Eça!

As vezes apetecem-me "habilidades" destas... ou d'Eças.

O Expresso está a fazer uma campanha Eça é que é Eça, mais sobre Os Maias!

Achei graça a esse título genérico de Eça agora:


para Maias, assinalando os Maias ou menos 125 anos da 1ª edição d'Eça livro.

E, desafiado, resolvi dizer Hora Eça, venham Maias d'Eças p'Eças!.

Feita a gracjnha, depr'Eça me despeço.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Passo a passo, porta a porta, cavaco a cavaco... até quando, Catilina?

De dívida em dívida,
de dúvida em dúvida,
de desgoverno em desgoverno,
de juro em juro,
de troika em troika
(troikando alegremente),
de avaliação em avaliação,
de passos em falso em passos em falso,
de portas abertas em portas abertas,
de cavaco em cavaco
(relvas já foi,
gaspar já foi,
álvaro já foi.
outros irão ou não),
de salvação em salvação,
de destruição em destruição

até à dívida impagável
até ao desastre final
até à revolução fatal
(para eles...)

Estórias para contar - 1 - ONDE o telefone toca

ONDE O TELEFONE TOCA!

Em tempos que já lá vão – de que alguns leitores ou ouvintes se recordarão – havia um programa de rádio chamado “quando o telefone toca”.
Se bem me lembro, o telefone tocava e um rádio-ouvinte pedia uma música – “posso pedir um disco?...” e tinha de dizer uma frase publicitária patrocinadora do programa –, e o disco, de vinil, claro!..., era posto no prato e servido ao “estimádóvinte”.
Passaram muitos anos e, agora, a estória é outra. Mas que tem ainda uma outra pelo meio. Que é a de “onde estão os meus óculos?”. Estória esta que até deu para título de um livro que me ofereceram quando fiz aí os meus 50 anos, isto é, pela primavera… quando só usava óculos para ler, os de “ver ao perto…”, como se dizia, e acontecia, às vezes, mas só às vezes…, não saber onde os deixava.
“Mas onde raio pus eu os meus óculos?”
Isso passou. Agora os óculos são acessórios permanentes, e até lhes chamam progressivos quando o que acontece é que a visão é regressiva, Tanto assim que há netos que julgam que os avós são aqueles seres que nasceram com óculos, e que servem para eles fazerem aquilo que os pais não os deixam fazer.
… Não nos desviemos do tema e título…
Já não se procuram os óculos, desde que passámos à fase – muito curiosa e engraçada… para os outros… – de termos andado à procura deles com eles postos pendurados no nariz.
Agora a nossa preocupação mais frequente (por mim falo…) é onde teríamos deixado o telemóvel.
Invenção mais recente para o quotidiano do ser humano, o telemóvel tornou-se numa espécie de prótese do ouvido, ou um prolongamento dos dedos e, pela sua dimensão e mobilidade, é frequente não se saber onde ele está.
Qu’é do meu telemóvel, raispartaisto…”

E procura-se, desesperadamente – como se fosse Susana… –, em todos os lugares em que o telemóvel, evidentemente, não está. Nos bolsos do roupão, do pijama (há os que os têm), na casa de banho (ao lado da sanita ou na prateleira da banheira), nas algibeiras das calças que se vestiam ontem, no meio dos comandos da televisão, entre o rato e o computador… sei lá, nas cómodas e incómodas, nos sofás e cadeiras de jardim “... ah! espera aí… terá ficado no carro ontem à noite?”
E passamos em revista todas as últimas horas da nossa vida (incluindo as do sono), revistas sem objecto à vista.
Até que surge o uso ao último recurso.
O telefone toca… e onde toca o telefone será onde o telefone está. Eureka!
Começa, então, uma nova saga. Se o salteador ou o procurador do telefone perdido está acompanhado, pede o auxílio de quem o acompanha; se não está, mas tem a companhia de um telefone fixo, serve-se deste.
Melhor é a primeira hipótese por mais telefonicamente móvel.
“Empresta-me aí o teu telemóvel”.
Vencidas as eventuais resistências (“há coisas que não se emprestam..., não tens um?”, “tenho mas não sei onde está… e é para o o encontrar”, “és sempre a mesma coisa… nunca sabes onde pões as coisas”, e etc. e tal).
Assim preparados para a busca, por mão própria ou marcação alheia, lá vamos marcando o nosso número, de ouvido à escuta, escrutinando a casa toda à procura do som que há-de vir não se sabe de onde, chamado pelo toque de um outro colega de telecomunicações.
A ver onde o telefone toca. Ou melhor: a querer ouvir onde o telefone há-de tocar.
E, às vezes, corre-se a casa toda, e o pequeno jardim e vai-se a outro móvel, ao automóvel.
E ele, o telemóvel desaparecido ou escondido, acaba por aparecer. Com um som sumido, quase se diria tímido e arrependido.
Nos sítios mais inimagináveis. No meio da roupa da cama, debaixo do banco do automóvel, no fundo da algibeira de uns calções que – julgávamos nós – não vestíamos há meses e experimentáramos ontem, já meio-a-dormir, no vaso de flores a fazer companhia a um ramo ontem apanhado para enfeitar a casa, no saco com que se foi às compras, num outro daqueles sacos para meterem os jornais que queremos ler e onde metem tudo o que ler não queremos, ao pé da comida do gato, entalado nas dobras das almofadas do sofá, no meio de um livro… sei lá, nos sítios mais incríveis.
Quantos cantos e santos da casa já descobrimos por toque e graça de um telemóvel perdido episodicamente, e afanosamente procurado por chamamento sonoro?
São as maravilhosas aventuras do tempo presente. Outras virão!

Sérgio Ribeiro

domingo, 7 de julho de 2013

Este tempo (e escrita) só pode ser de ficção... e de cordel!

Estória de uma gralha

«O senhor ministro, lider de partido, ex-jornalista-director de jornais para intrigar, comprador de submarinos por forma que - lá fora... - leva outros a tribunal, com passagem por universidades novas e novas universidades, malabarista costumeiro e contumaz, puxou os punhos da camisa, ajeitou o nó da gravata e a banda do casaco, pigarreou e ditou, com o seu ar imperativo, para a secretária ou secretário  favorito:

"... sendo assim, tomei a decisão clara e revogável de..." 

A secretária (ou o secretário?), embevecida/o com a pose e a pompa da circunstância e a postura imperiosa ou imperial, teve um momento de desconcentração, de que logo recuperou, e escreveu:

"... sendo assim, tomei a decisão, claro irrevogável, de..."

Tudo se explica, e comprova como um pequeno pormenor pode mudar os rumos da História... e reforçar a desacreditação de quem já não tinha credibilidade nenhuma.»


A propósito, ou a despropósito,
lembrei-me de como começa
a História do Cerco de Lisboa do Saramago.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ainda?, sempre!

Cá vou,
não cantando e pouco rindo,
mas contando e continuando
pelos meus cantos
... como se fosse um cisne.

Assim,
cisne me vejo,
no espelho da juventude,
enquanto,
aos olhos de muitos outros,
serei o patinho feio
e já fora de prazo
(o que até tinha asas e não quis voar!)

Cá vou,
contando e continuando,
pelos meus cantos e cantinhos,
a procurar chegar,
com o "canto do cisne",
onde a voz me chegar.

Ainda quanto tempo?
ainda o que for.
Sempre!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

É preciso (des)ocupar o "espírito" quando demasiado ocupado

Há quem cante, eu tento contar.
Há quem desenhe durante e ao lado das notas, eu escrevo ou jogo com as palavras. (Quase) tudo para deitar fora:


  • A dívida
  • A dúvida
  • As dúvidas
  • As dívidas
  • A dívida interior
    • (do imo)
  • A dúvida pública
    • (soberana!)
  • A dívida cartesiana
    • (metódica!)
  • A dúvida em % do PIB

domingo, 26 de maio de 2013

DIREcTO... adverbiando

tanto li e tanto escrevi,
que não sei onde li,
que não encontro onde e quando escrevi.
Se tivesse esperado tudo aprender
para alguma coisa  tentar ensinar,
nada teria divulgado.
Escrevi demais?
Talvez...
De certo, deveria ter escrito melhor

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O "senhor Horácio"

O “senhor Horácio” era um dos meus “chóferes”. Era assim que se dizia…

Horário era o nome de um  funcionário que, naqueles idos anos de 1975, tinha a tarefa de motorista da Direcção-Geral do Emprego, adstrito prioritariamente a transporte do “senhor director-geral". Que era eu.

E eles eram dois. O Espadinha, em primeiro lugar, que logo se apresentou como camarada e como tal se comportou sempre. E continua. Com encontros frequentes, embora espaçados. (Amanhã talvez nos abraçaremos em Belém). O Horário, nessa tarefa de me transportar, substituía-o, por conveniência ou arranjo de serviço. Para que o director-geral pouco tinha a ver…

Muitas vezes o fez mas de duas vezes me recordo. Porque foram especiais.

Uma, porque foi desagradável, ou porque ele, o Horário, não escondeu o desagrado ou a inconveniência que o serviço lhe provocara.

Foi numa ida inesperada a Arraiolos, por causa da Cooperativa Fraternidade, dos tapetes, e para que o Espadinha não estava disponível, por causa de outro qualquer serviço, ao serviço da D-G.

Não havendo Espadinha, lá teve de ir o Horácio, o que veio complicar a sua organização de vida... onde se incluía um turno de taxista. O que vim a saber ao cuidar de conhecer a razão do seu inhabitual ar carrancudo, que o pagamento de horas extraordinárias não apagava.

Mas lá se compôs tudo… e o regresso, já tardio, foi feito na costumeira conversa amena.

A outra, terá sido por arranjos outros. Foi o caso de uma ida a Viseu mais beiras interiores, terras que dele eram, e em que havia pernoita. E, por isso, o secretariado (da Direcção-Geral) arranjou as coisas por forma a que eu fosse conduzido pelo Horácio. Tudo certo. 

Eu deveria ficar num hotel qualquer, mas o secretariado não reservara e – foi-me dito – isso ver-se-ia com o delegado do director-geral de Viseu.

Mas havia ali alguma “conspiração”... e, no começo da viagem, o Horácio, com algum tacto, pôs-me a questão se eu teria problema em considerar dormir na casa dele, na aldeia. É que assim tudo se conciliaria. O serviço e os interesses pessoais. Eu logo o pus à vontade, dizendo-lhe que, se era um convite, o aceitaria de bom grado.

E a viagem de ida decorreu em ainda melhor disposição. Sempre boa, apesar de, de vez em quando, o Horácio extravasar preconceitos anti-comunistas e afirmar a sua postura “social-democrata” (ou seria “socialista”?...).

Ao fim do dia de trabalho, que nunca terminava cedo, lá fizemos os quilómetros que nos separavam da aldeia e casa familiares do Horácio, e (se bem me lembro) fui recebido pelos pais com a hospitalidade costumeira, e terei adormecido debaixo de uma montanha de cobertores que, nem por isso, apagaram a memória de que rapei muito frio.

De manhã, relativamente cedo, banquetearam-me com um pequeno-almoço (melhor se diria pequeno-banquete), e o "senhor Horácio" fez questão de me mostrar a propriedade.

Visitei a casa e os seus baixos e anexos. E não me esqueço de um pormenor para que o Horácio me chamou a atenção. Na vastos baixos com adega e lagar, segundo ele seu recente contributo para a casa paterna, fizera as obras por forma a que, a vir a haver (ou quando houvesse…) partilhas entre os seus três filhos, ainda crianças, tudo fosse fácil e as “partes” fossem iguais, e havia pilares que poderiam continuar-se por paredes a dividir o espaço em três.

Impressionou-me aquela preocupação sobre herança e partilhas a longo prazo. Tanto que aguardei como memória inapagada. Talvez resultado da “qualidade” de filho único de filho único.



Mas… o "senhor Horácio"… que será feito dele?, e dos três filhos (se por aí se ficou)?

O que a memória nos traz!





segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ontem, antes de me deixar adormecer

Ontem, antes de me deixar adormecer, à roda da/às voltas com a felicidade...

Nalguns lugares
nalguns momentos
sei
- hoje sei -
que fui feliz
naquele lugar
naquele momento.

Mas não o sabia
naquele momento
naquele lugar.


Mais do que procurar ser feliz,
a minha busca de felicidade
foi a recusa de ser infeliz!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Num regresso, a pé, pela madrugada


Três notas, tiradas  de papéis rascunhados:

&-----&-----&

 1.     Mar é morada de saudade (de letra de morna)

&-----&-----&

2.     Vou pensar na partida
Vou querer ficar
Violão vai chorar
Vou ir com a solidão
É hora di bai!
(“arranjo” sobre letra de morna)

&-----&-----&

3. Vivo não para ter “um lindo enterro” 
mas para viver o melhor que puder, 
i.é., o mais vivo e coerente possível,
 até ao fim.

domingo, 31 de março de 2013

31 de Março de 2013

(...)

Debaixo de chuva… que não pára, nesta primavera diluviana.

&-----&-----&

Neste domingo de páscoa, primeiro (?) da primavera que parece ter perdido o comboio do tempo, esquecida na estação anterior, no inverno.

&-----&-----&

Mas a passarada veio pelas suas próprias asas.

&-----&-----&

E trouxe-nos a vida que se renova, apesar da chuva que nos inunda, por fora e por dentro.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Saído do forno...

Tirado, agora mesmo, do final de um longo percurso nos dias de agora:

Longas horas têm os dias, muitos dias têm as semanas, de algumas semanas se fazem os meses e às dúzias de meses se fazem os anos, os anos somam-se em lustros e décadas, e muito curta é a vida para quem não a veja do tamanho de séculos e milénios.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Desde o Jamor. Desde a Festa do avante! de 1978...



Era apenas um telefonema, um encontro.
Porque não? Porque sim!
*
Tinha sido, apenas, uma amizade comum, dois olhares, dois sorrisos, duas palavras em vozes agradadas, a troca dos números de telefone.
E foi, apenas, um jantar, uma troca de livros,
um escrever de poemas em toalhas de papel.
Também um contido contar mútuo de vidas e desencontros.
Das momentâneas solidões.
Começar de novo?

Foi apenas, naquela noite, uma indesejada despedida com esperança partilhada de breve reencontro.
Bastaria apenas um telefonema…
Que não tardou muitos dias!
*
Passaram, já, apenas 34 anos.
Desde aquele encontro, daqueles olhares.
Desde o Jamor. 

Texto para um blog (palavrapuxapalavra)
respondendo ao mote-desafio Era apenas

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Histórias ante(s)passadas -44

História de rádio
… com um tio em ondas curtas
e um pai bem sintonizado

Cresci sem que em minha casa houvesse uma telefonia. Vejam lá…
E tinha pena, embora uma pena resignada. Silenciosa,
Ia a casa dos meus tios vizinhos ouvir os relatos (em ondas curtas) dos jogos de hóquei e patins em Montreux, com um grande “orgulho pátrio” insuflado pelos Emídios Pintos (ou Ciprianos) , Antónios Raios, os Edgares, os manos Serpa e os primos Correia (e outros que a memória, injustamente, atirou para segundo plano).

Mas tinha pena de não ter em casa um aparelho em que, à António Silva, abrisse a torneira  e saísse música e o Zéquinha e a Lélé e o anúncio ao Formitrol.
Até que um dia, o miúdo que eu era soube que o meu tio (por afinidade, diga-se… porque a mulher dele é que era minha tia) iria receber um rádio. Não sei ao certo porque bulas, mas julgo que em pagamento de umas injecções de penicilina que ele dava. É que, aos tempos de  então, iso de dar injecções era muito bem pago pois tinha de ser de poucas em poucas horas e durante a noite… pelo que, não havendo Serviço Nacional de Saúde, haveria quem, em troca de um tratamento prolongado, só podia pagar a cura (se cura houvesse…) com  aparelhos de rádio e coisas assim.

Sabedor do meu gosto e desgosto, o senhor meu tio anunciou-me a nova e perguntou-me se o meu pai não estaria interessado em lhe comprar o dito aparelho de válvulas e sons roufenhos.
Fui o intermediário. Interessado. E não me foi muito difícil convencer o meu pai… desde que o preço fosse em conta.
Pelo que, qual mensageiro de boa nova para o próprio mensageiro, corri a casa dos meus tios na disposição de “fechar o negócio”, até na expectativa de muito boa vontade do vendedor…
Qual não foi a minha desilusão quando o dito meu tio me disse, com alguma indiferença – para mim mais do que isso –, que se desinteressara do negócio porque a telefonia afinal até era muito boa, e até queria ficar com ela para ter música e notícias também no quarto (ou na sala de jantar?, já não o ouvi muito bem,,,).

Quando, no regresso a casa, com muita tristeza alimentada por várias e nem todas bem conhecidas razões, trouxe o resultado das “negociações” ao meu pai, (ou)viu-o meio zangado e  a resmungar “pois… se a telefonia não fosse boa já servia para nós, e vendia-ma… rico tio que tu tens!... sabendo do teu gosto…”

Foi uma lição para mim.
Fiquei com algumas irreparáveis reservas para com aquele tio… em ondas curtas.
“On n’oublie rien”.
Em compensação – e se o foi! –, na semana seguinte o meu pai entrou lá em casa com uma telefonia. E das novas e boas, decerto com algum sacrifício... mas com uma boa sintonização.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

No dia em que Catarina Furtado nasceu - crónica

Ontem, antes de "ir para a cama" ainda deixei, no meu intermitente diário que são os dias de agora,  uma pequena crónica nocturna (a propósito, tenho de ir ouvir o Silvio Rodriguez):

No dia em que Catarina Furtado nasceu


O dia em que Catarina Furtado nasceu foi nos tempos outros em que andava num virote e tinha muito protagonismo. Pelo menos aparente (e quando é que o protagonismo não é aparência?).
Entre muitas outras andanças, colaborava com a equipa que viera do Zip-Zip televisão para o Tempo Zip rádio.
E que equipa! Da televisão vieram todos (menos os baladeiros, a não ser de vez em quando), o Fialho Gouveia, o Carlos Cruz, o Zé Nuno Martins, e o Raul Solnado a “patronar”. Juntou-se-lhes o Joaquim Furtado e o João Paulo Guerra. Se não foi exactamente assim e se a cronologia está errada, qual é o problema? É assim que me lembro...

O que sei é que quiseram formar equipa com os que eles diziam os melhores e, da economia, só podia ser eu... pois claro!
O lançamento do programa foi espectacular. Num voo fretado à TAP sobre Lisboa nocturna, com convívio e ceia, a seguir na Rádio Renascença, ao lado do Governo Civil.
Lá do alto, sobre Lisboa, cada um dos colaboradores tinha de falar sobre o que quisesse, e lembro-me que saudei os que não estariam a ouvir o programa porque na manhã o trabalho começaria cedo, dizendo que a eles iria dedicar os meus tempos-Zip.
De mais duas coisas me lembro. Foi durante o convívio na Rádio Renascença que se soube da notícia que os Beatles se tinham dissolvido; foi aí, nesse convívio, que começou a minha amizade com o Manuel Freire a partir do seu comentário sobre a minha intervenção nas alturas.
Ainda uma coisa de 1970: quando nasceu o Gonçalo, a equipa deu-lhe o nome de bebé Zip-Zip e ofereceu-me (para ele…) um boneco de peluche que era o símbolo Zip.

Fui colaborando na rádio, não me ficando pelo Tempo Zip, e mantendo relações de boa convivência com aquele, ou naquele, meio.
Quando havia qualquer coisa de economia para dizer, ou um programa em que se quisesse falar de economia, lá ia eu. Por exemplo, o Dia positivo e a Economia ao pequeno-almoço.
Há episódios que não esquecerei, como uma vez, com o Zé Nuno Martins, enquanto esperávamos tempo para uma gravação, termos tido de ouvir um comunicado do Ministério da Educação Nacional sobre uma situação de agitação estudantil, termo-nos entretido a perturbar o comunicado com piparotes no microfone e uns tossicares que tinham de passar por deficiências técnicas.

Bom, mas no dia em nasceu a Catarina Furtado, diz o Google que foi em 25 de Agosto de 1972, soube do evento – de que não se podia prever a importância... – num qualquer espaço ou tempo radiofónico, e fui a correr à livraria-discoteca Opinião (de que, aliás, era sócio) comprar um disco da Odetta (vinil de 33 rotações), que, continuando a correr, fui oferecer ao feliz pai.

Quem é que sabe ou se lembra disto? Só eu!

Pois foi assim. No dia em que a Catarina Furtado nasceu. Tenho de lhe contar. Ou já será tarde?

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Glosando (com intenção de melhorar):

O que me desgosta é ter efémera idade o que foi parido para ser eterno, e que tenha aparente eterna idade o que melhor fora não ter nascido.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Alarv idades

Tanto se falar de efemeridades tem a ver com as efémeras idades que vivemos ou com as enfermas idades que sofremos?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"Tro(i)ko" do enCURRALado anterior...

...que deveria ter sido Acurralado:

O que está a faltar a tanta gente é

Moti(m)vação!

Este é um "post" Apatetado e à Aventura...

Num "blog" em que tenho muito gosto em participar (outrostemas-PPP) desafiaram-me a encontrar uma palavra e foto para a sílaba A num sub-tema cartilha. Comecei por ficar Abananado e, depois Apalermado (ou foi ao Avesso?). Ainda pensei recorrer a um blog Amigo (conversasAvinagradas), mas desisti ou, como dizem os novos cultores ("Acertivos") da nossa/sua língua desconsegui, ou melhor, Aconsegui.
Andei às voltas, tentei umas actas, que Agora se escrevem Atas mas, em protesto, desatei pois quis não Ajudar a Aplicação do novo Acordo ortográfico.
Auto Aconselhado, procurei Acertar numa palavra que tivesse o A como sílaba final, mas soube que a minha vizinha companheira Avançara (e muito bem) com baíA e pensei  que dois cá da casa a usarem essa fórmula seria Ademais, Por isso, falhou a que daria uma boa ligação a uma foto: saiA!... talvez rodada ou Arredondada.
Decidi-me por Atingido dadas as circunstâncias visíveis e Abaixo (poderia ser Acima...) fotografadas:


Fiquei Apaziguado... Até porque assim ando desde o Aparecimento na minha vida do Aguardado neto.
Bem... Afinal tenho de terminar, isto é, Acabo! Com Amizade, PPP

sábado, 2 de fevereiro de 2013

"Regresso às bases" (de onde nunca sai)


no final do XIX Congresso (antes da arrumação das mesas e cadeiras)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A nota(s) ção

Bem me parecia...
Aqui há uns anos, há umas décadas..., bem me parecia que tanto pôr as criancinhas a jogar "monopólio" ia dar mau resultado.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Intervalo - o vereador e a prole

O que nos vale são os intervalos. De ficção ou de riso. Ou de as duas coisas.
Este ofício que recebi serve bem para intervalo. E para fazer rir. Como se fosse ficção. Ou gralha. Ou distracção. Ou erro. Inclino-me mais para esta hipótese...
No entanto, dada a evolução demográfica, há que reter a disponibilidade do senhor vereador para trabalhar no aumento da prole ... a bem do Município e da Nação. 
Multiplicai-vos! 


domingo, 13 de janeiro de 2013

Ditos e (des)feitos e refeitos (ou 2ª edição)

... por outros e por mim

e por mim trans critos
ou por mim trans formados
ou por mim trans figurados:
e retrans formados
e retrans figurados
(ou des figurados?)

  • é a atracção pelo banksterismo
    • ou a tracção pelo abismo
    • ou a traição do catecismo
  • querem que escolhamos a árvore onde nos querem enforcar
    • ou o veneno com que nos queremos suicidar
    • ou a via de comunicação por onde nos en curral ar
    • ou a veia por onde que nos deixamos into xicar
  • temos de acertar o passo da necessidade com a possibilidade
    • ou com a possivel idade
    • ou com a juvenia(l) idade
    • ou com a jumenta(l) idade
    • ou com a senil idade
  • há que ter em atenção a sinistralidade
    • ou a sinistra(l) idade
    • ou a acidental idade
    • ou isto é tudo uma inevitabil idade
    • e apenas conta a contábil idade?
  • e onde está a alegria do em velho ser?


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Tropeçando...

Não sou eu que estou errado!
São vocês que estão enganados no sítio em que estão.

(isso corrigir-se-á...)

No regresso - em caminhada a pé - do almoço

Estou aPAZiguado e feliz?
Que me falta para o ser?
Nada
... mas tudo me falta.
Porque eu-sou-os-outros a quem tudo falta
(e a tantos porque de nada sentem falta)!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Excerto de "dias de agora"

(...)

Por tantas coisas ter feito na vida (nem todas boas, algumas “mal feitas”, mesmo másinhas poucas), por tanto caminho ter percorrido (e dado uns tombos, e tropeçado em certos “maus caminhos”), já não me espanta a repetição daquela pergunta que me foi feita num colóquio: “Você é o mesmo Sérgio Ribeiro da Seara Nova, do Diário de Lisboa, do Notícias da Amadora… ainda está vivo?!”

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Sou, sim senhor, e vivo estou!... para fazer mais coisas e para percorrer novos caminhos… vivinho da costa!

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Embora às vezes me doam as costas…

(...)

(vol.XXXI,
pag. 3.038)