faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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sexta-feira, 24 de julho de 2015

VER I FIXAÇÕES


Andei anos a (me a)perceber
que estava a
em-velho-ser.
Agora, estas décadas passadas
e uma vez (única...) que
em-velho-estou,
com surpresa verifiquei
que estava a
em-triste-estar.
Não estou a gostar!,
e vou combater este..
em-triste-ser.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Nem que seja só para dentro de mim ou em surdina

SILÊNCIO? NUNCA EU!

Teriam sido inúteis as dezenas de milhões de vítimas,
nos cercos e resistências, 
nas batalhas de Stalinegrado e de Leninegrado?
Para quê uma foice, um martelo, uma estrela vermelha 
no cimo do Bundestag?,
       se tão pouco durou para tanto sacrifício, 
       risco e sonho?
Porque é feriado o 1º de Maio e o 8 de Março? 
Para lembrar o quê?,                                      
       ou para esquecer em gozo de feriados?
Houve a Comuna de Paris, o 5 de Outubro, 
o 25 e o 2 de Abril?,
      ou foi só 28 de Maio, 25 de Novembro 
      e quejandas maldatas?
Merece ser memória e memorial o campo da morte 
no Tarrafal e outros lugares?,
      e os massacres na Baixa do Cassanje, 
      em May Ly, e os por aí, hoje?
À minha minúscula escala, valeu a pena os curros, 
a tortura, a prisão?,
      as mortes a descerem à rua?

AH!, VALEU!,
TUDO VALEU A PENA!

Somos e seremos o que lembrarmos e continuarmos,
Somos e seremos o que não esquecermos 
e não deixarmos esquecer:
       todas as duras conquistas que foram… 
       e tantas ficam…
       – algumas homem a homem, mulher a mulher, 
       luta a luta –
       que não conseguirão destruir, 
       de que não arrancarão a semente

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Os aviões dos Estados Unidos que vieram ”salvar a Europa”
       chegaram a aterrar ou foram logo 
       logo logo “ajudar” Hiroshima e Nagasaqui?
Levantam, como se magnânimos fossem, o cerco a Cuba?,
       e Guantánamo fica onde e como?

Não!, não quero uma versão parcial da História.
        Quero-a com um mínimo de verdade
A bandeira dos Estados Unidos – que só eu vi – estava a mais?
Não!, havia era outras a menos!
Ou nenhuma ou algumas…
       … até aliadas contra a barbárie vestida de suástica
Nunca só aquela. Visível e subliminar!

19.07.2015
Arabesque

e CineTeatro-Ourém 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

da arca do velho

Na mesa ao lado            A ALEGRIA FALSIFICADA
                                        A EUFORIA IRREPRIMIDA

Aqui, no papel
desta toalha                     A TRISTEZA RESPONSÁVEL
                                          O DESESPERO CONTIDO                

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Pois continuo a c(a)ontar...

Canto do Cisne ... é uma expressão popular que serve para descrever um gesto ou esforço  antes da morte de um ser humano; esta expressão nasceu porque havia uma crença antiga que o cisne-branco era completamente mudo durante a sua vida até pouco antes da sua morte, quando exprimia uns belos sons. Hoje é sabido que essa crença, que surgiu na Grécia Antiga por volta do século 3 A.C. não é fundamentada porque os cisnes-brancos não são mudos, emitem grunhidos e assobios, e também não cantam ao morrerem. Mas ficou, como metáfora, a ilustrar os derradeiros trinados (belos como nunca antes) de um animal, cisne ou humano.


Pretensiosamente, há longos anos venho etiquetando os meus caontares como "cantos de cisne". 
"Cisneticamente", acho que já excedi os prazos... de fazer de cisne.
Deixá-lo... Bem ou mal, isto é, mal ou pior, continuarei a caontar!  

terça-feira, 14 de julho de 2015

Histórias ante(s)passadas

Era o ano de 1972

Naquele pequeno gabinete, anexo à redacção do Diário de Lisboa, havia três secretárias e éramos três os seus ocupantes.  A Isabel, com a tarefa das traduções das agências estrangeiras, particularmente de coisas da cultura, da literatura, o Zé, com a principal e quotidiana função de escrever as opiniões que o DL tinha, as “notas do dia, e o terceiro era eu, encarregado da área da economia, sobretudo do suplemento semanal.

O ambiente era excelente, solidário, de calma boa disposição e entre-ajuda. Que extravasava daquele gabinete e transportávamos para as nossas vidas “lá de fora”.
De vez em quando, no desempenho das tarefas, trocávamos opiniões e até trechos. Mais de uma “opinião” do DL, na altura das negociações para o acordo comercial com a CEE, por exemplo, teve contributo meu. O que fartamente se compensava com opiniões (da Isabel e do Zé) sobre a minha escrita, que não lhes desagradava, de que elogiavam a facilidade e a espontaneidade… mas a que (sentia-o eu) achavam que faltava… “qualquer coisa”.
O que não foi o caso de uma crónica que escrevi para o Récord, onde colaborava com uma crónica semanal – às 5ªs… feira –, em que eu dizia da minha sensação de irreversibilidade da passagem do tempo e me queixava do avançar da idade (aos 36 anos!) que me ia enterrando sonhos, como o de subir o túnel que ligava os balneários ao relvado do Estádio Nacional para, envergando a camisolas das quinas, ouvir o “heróis do mar, nobre povo…”.
O Zé riu-se (no que não era pródigo) com gosto e gozo, fez rasgado elogio (no que era avaro) à qualidade literária da crónica… e passámos a outras coisas.  
Nunca esqueci esse episódio, e bem longe estava eu (e ele) que aquela avaliação de um escrito meu tinha a chancela de um futuro Prémio Nobel da Literatura.
Hesito em incluí-la no meu currículo…

    

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dia logos in prováveis

- Que é que tens?
-Tenho nada...
- Se não tens nada porque é que estás assim?
- Eu não disse que não tenho nada... respondi-te: tenho nada!
- Lá estás tu a jogar com as palavras...
- Talvez. Mas estou a falar português e a recusar aquela ambiguidade da dupla negativa...
- Está bem. Mas tens alguma coisa. Não podes não ter nada... o que é que tens?
- Posso!... Não tenho alguma coisa, e não coisa nenhuma. Tenho nada. Sim, tenho nada.
...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Porque és um ser humano... e vivo

Queres parar?
Para!

Como os macaquinhos da estatueta,
com as tuas mãos 
(não com outras...), 
fecha os olhos, 
tapa os ouvidos,
cala a boca
(hão-de chegar-te as mãos!)

É um teste
(estúpido como todos os testes,
ilusório como todas as amostras,
falsificador como todas as sondagens)

Ficas a saber 
a falta que fazes,
ou que não fazes falta nenhuma
(é o mais provável...)

Ficas a saber
como tudo continua,
sem que tu vejas,
sem que tu ouças,
sem que tu fales,
berres,
grites
...  escrevas)

Não tem importância,
não tens importância.

Mas não te importes
porque tens,
tu,
toda a importância!
A única:
a de seres tu e estares vivo!

Descerra os olhos, vê 
destapa os ouvidos, ouve
abre a boca, grita
e,
com as tuas mãos livres
(que são poucas, 
só duas, 
e as únicas
se não as juntares às de outros),
faz o que tens a fazer:
LUTA

PORQUE ESTÁS VIVO!