faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

Loading...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Registe-se...


... para arquivo!

De tal(as) e coisas... paciência é que é preciso!


Olha a perninha
..........da menina,
a perninha marota
................da garota.


Acabou o pé quebrado,
....................engessado,
já tem o pé ligeiro
........todo maneiro.


Mandou embora o gesso
........................do tropeço,
agora só a “porcaria”
..........da fisioterapia!

Tiraram-lhe as talas
“vê mas’é se te calas!”
… só queria gabar a aparência…

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,olha: paciência!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um conselho...

Uma vez, um amigo telefonou-me.
Parecia aflito.
- "É pá!, preciso que me dês um conselho..."
- "... não dou!..."
- "... é pá!... mas tu és meu amigo..."
- "Pois sou. Não dou é conselhos a ninguém, e muito menos a amigos..."
- "Porra!... és sempre o mesmo... mas queria uma opinião tua..."
- "... pois sou... sempre o mesmo... Uma opinião minha? É pá, é p'ra já!, à tua inteira disposição... ora diz lá o qu'é que se passa... ou vamos beber um copo?..."
(...)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sou assim...

Pronto!
Sou assim.
Para ganhar (nem que ganhos fossem...)
mais uns tostões, contos, ou euros
não vou desperdiçar horas da minha vida.
As horas de vida não são contabilizáveis,
dispensam técnicos oficiais de contas,
e são a única coisa que temos.
Ah! e quantos o esqueceram,
ou nunca o souberam...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tempo de luta!

Como todos os tempos dos tempos!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Tempo este

Tempo de desespero de uns, desesperança de tantos.
Refúgio na ironia, no cinismo. A fuga, consciente ou não (mais não que sim), à necessária e adiada ruptura. Com este mundo prostituto, com esta vida... de merda.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Obrigado, Adelaide!

Aqui há uns anos, bem uns vinte, houve um período (ou períodos… eleitorais ou não) em que, nas minhas digressões militantes pelo País, os camaradas me davam guarida em suas casas e calhava-me dormir nos quartos dos filhos ou filhas que estudavam por outras terras ou, mais novitos, iam dormir para outros lados. Muitas vezes dormi rodeado de bonecas, algumas à espera da vinda das suas meninas em fim-de-semana ou a férias.
Era simpático… e engraçado.

E foi, digamos, geracional. Porque começou a ser menos assim. Ou porque os camaradas passaram de pais a avós, e os quartos perderam aquele ambiente de abandono temporário que eu preenchia por uma noite de colóquio ou outra iniciativa partidária ou da CDU; ou porque, sendo os responsáveis cada vez mais novos, as casas diminuíram de tamanho e deixou de haver um quarto livre ainda que com dona temporariamente ausente, ou arranjaram outras soluções; ou porque me deu para, de vez em quando, dizer que não era preciso alojamento porque desejava, depois da seesão de trabalho, repousar à minha vontade, sozinho e sem cuidados, num quartinho de hotel.
Ontem, em Braga, lembrei-me desse tempo. Não tanto por me terem aboletado em casa de um camarada que foi inexcedível em atenções - num quarto sem bonecas... mas "cor de rosa" -, mas por ter tido, antes da sessão, uma surpresa que me apetece contar.
No café Brasileira, ainda no piso térreo em que bebia um chá para acamar o excelente jantar com um camarada “dos antigos”, antes do Marx e de O Capital e dessas coisas, aproximou-se da nossa mesa um casal, com todo o ar de pai e filha. A cara dele era-me familiar, vinha cumprimentar-me e lembrar-me que, há uns vinte anos, dormira em casa dele, no quarto daquela filha que o acompanhava. E esta, ali com ele, uma jovem e muito bonita mulher, disse-me que nunca esquecera que eu lhe deixara um bilhetinho no quarto a agradecer-lhe o ter-me cedido o quarto dela. Teria então 6 ou menos, e hoje é uma senhora doutora, enfermeira, e está a tirar um outro curso de gestão.
Se ela denotava algumas ternura e emoção, eu não as tinha menores, e trouxe-as para o regresso a casa e para este escrito.
Obrigado, Adelaide! (e também, camarada, pela tua contribuição, depois, para o debate).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Hoje, Nelson Mandela

No dia 11 de Fevereiro de 1990,
no noticiário da televisão,
apareceram umas imagens que para sempre ficaram gravadas na nossa memória.
Depois de 27 anos,
com 72 anos,
Nelson Mandela saía da prisão.
E fomos tantos a ver essa saída!
E fomos tantos a voltar a acreditar
no que nunca tinhamos deixado de acreditar.
Que vale a pena lutar.
Que lutando se consegue.
E segue em frente!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Passo certo ou trocado?...

  1. Estava a fazer chá de tília e lembrei-me da minha mãe que me fazia beber este cházinho antes dos exames... Como alguns pormenores nos fazem lembrar quem vive dentro de nós.
  2. De ideia em ideia, em cadeia ou associação, lembrei-me daqueloutra mãe (mas muito parecida com a minha!) que se irritava com os camaradas (da tropa...) do filho que iam todos de passo trocado no desfile.
  3. E, na sequência, veio logo o alerta auto-crítico: "não estarei a julgar que sou o único que levo o passo certo e que todos os outros têm o passo trocado?"
  4. Bom!, se os "outros" são estes nomes que, ao calhas, saltaram (fiquei-me pelo quarteirão porque à dúzia é mais barato) e coloquei por ordem alfabética e independentemente de relações e avaliações pessoais, que vão desde a muita simpatia até à verdadeira alergia... vou mesmo com o passo certo, trocado com o deles:
    Aguiar Branco
    Alberto João Jardim
    Anibal Cavaco Silva
    António Gameiro
    Armando Vara
    Deolinda Simões
    Framcisco de Assis
    Jaime Gama
    Jorge Coelho
    Jorge Lacão
    José Sócrates
    Loureiros (são vários!...)
    Manuela Ferreira Leite
    Manuela Moura Guedes
    Maria José Nogueira Pinto
    Mário Crespo
    Mário Soares
    Paulo Fonseca
    Paulo Portas
    Silva Pereira
    Teixeira dos Santos
    Victor Constâncio
    Victor Frazão
    Vital Moreira
  5. Mas há outros, muitos outros, massas, e, com eles quero ir, ao passo/compasso das/dos enfermeiros/enfermeiras, dos trabalhadores da função pública, da classe operária e todos os trabalhadores.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Reflexões e recordações num fim de tarde de inverno

O sol convidava.
Ao passeio, à reflexão, às recordações.
Aceitei o convite!
A reflexão ia a caminho quando apareceram as reflexões (ou os reflexos). E, como ia "armado", aí estão as primeiras. Com mancha.

Logo logo as segundas reflexões. Com as mesmas/outras manchas. Mas haverá reflexos/reflexões sem mácula?

Mas "alguém" me observava. "Alguém" que acompanhara o começo do passeio, e correra à frente, e subira às árvores. Feliz. Como só os gatos o podem ser.

«E aqui estou eu. À espera. Quando páras com as reflexões e continuamos o passeio?»


Lá fomos. Um gato feliz e um faz-de-dono, dono de muitas recordações. Não triste. Nostálgico.

Até à que gosto de chamar "pedra filosofal", onde meu pai se sentava, ao fim do tarde para apanhar o resto do sol do dia de inverno que se deitava por detrás da casa do Zé Alfaiate.

Mas a vida continua. E este pinheirinho que plantámos aqui. aqui cresce, a par com um outro que lá longe está e noutro dia merecerá a foto de um outro passeio pelo quintal-jardim.
##############

Falta alguma coisa? Falta! E se é importante... Falta a companhia companheira destes passeios. Paciência (que é a palavra agora mais dita para dentro de cada um de nós... e não chegam as vezes ditas), o perónio não deixa. Fica para a primavera!

Histórias ante(s)passadas -.39-Uma questão de estatuto

Tinha acabado o meu doutoramento há pouco tempo. Tirado "a ferros". Porque fora da "carreira académica", porque sem cumprir normas e/ou rituais, porque pretendendo defender uma tese marxista. Na área da economia e afirmadamente marxista.
Apesar disso, fui aprovado por "unanimidade com distinção e louvor", embora com duas "curiosas" declarações de voto para dizerem que aquele voto não queria significar qualquer identidade com a base teórica e os conceitos perfil(h)ados pelo doutorando (esta redacção é minha... mas tenho para aí a acta com as declarações de voto com este sentido, ou o que me ficou do seu sentido).
A tese tinha o título "o planeamento dos recursos humanos na estratégia de desenvolvimento dos Países em vias de desenvolvimento", e baseou-se na experiência em missões da OIT em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. Adiante... que este é só o intróito à estória.
Pouco tempo depois desse evento (na minha vida) houve um Congresso do Partido. Tive a tarefa de acompanhar uma delegação, como intérprete, motorista e o que fosse preciso. Calhou-me, veja-se lá, o delegado do Benin, onde estivera nessas andanças de técnico da OIT. E, muito agradado, lá ia cumprindo a tarefa.
Até que um belo dia - de Congresso... -, estava em semi-folga (o negralhão beninois teria ido a um almoço de delegações, ou às compras, não sei... mas ficara eu dispensado de o acompanhar) e, à porta da entrada principal, estava à conversa com um camarada, quando se deu o que me traz ao contar.
Fazíamos tempo... Conversávamos. E estava a conversa num ponto que me parecia interessante, ia eu a meio de uma fala, eis que ele me abandona inopinadamente, precipitando-se em direcção a um camarada que, ao longe, acabara de chegar e já estava a receber outras recepções e homenagens a que foi juntar a sua. Perfeitamente desnecessária.
Era o camarada Professor Doutor... Cheio de estatuto. Que não teve culpa nenhuma no incidente que, de vez em quando, me é lembrado. Sempre a despropósito.
É que fiquei ali, de fala inacabada, a pensar na minha falta de estatuto... Que não me faz falta nenhuma!
Coisas que só aqui conto,

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quadr(ículad)as para desanuviar

Ao pé da Zé

E cá andamos por aqui e acolá/fazendo o qu'é possível/p'ra baixo ainda vá lá,/a subir é qu'é mais ... difícel

Às vezes, inté eu vacilo/
ao pôr o pé no chão/
e não é questão d'estilo,/
é dor mesmo, pois'então!

O perónio é o dela/a ela é que o pé doeu/
e o gesso nela está,/
mas (que querem?) é como se fosse meu...

E doi, doi mesmo no coração,/
a quem o tem empenhado...,/
e é uma grande aflição/
... não vale mais só que bem acompanhado.

Mesmo a chegar ao calcanhar,/
foi pior que dor de cotovelo,/
doeu e até deu para gritar,/
isto não de cordel, é de pesadelo!

Dá p'ra cantar as Janeiras/
agora é só um saltinho,/
já estamos nas fevereiras/
e vai acabar o pé coxinho.