faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Histórias ante(s)passadas -.39-Uma questão de estatuto

Tinha acabado o meu doutoramento há pouco tempo. Tirado "a ferros". Porque fora da "carreira académica", porque sem cumprir normas e/ou rituais, porque pretendendo defender uma tese marxista. Na área da economia e afirmadamente marxista.
Apesar disso, fui aprovado por "unanimidade com distinção e louvor", embora com duas "curiosas" declarações de voto para dizerem que aquele voto não queria significar qualquer identidade com a base teórica e os conceitos perfil(h)ados pelo doutorando (esta redacção é minha... mas tenho para aí a acta com as declarações de voto com este sentido, ou o que me ficou do seu sentido).
A tese tinha o título "o planeamento dos recursos humanos na estratégia de desenvolvimento dos Países em vias de desenvolvimento", e baseou-se na experiência em missões da OIT em Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. Adiante... que este é só o intróito à estória.
Pouco tempo depois desse evento (na minha vida) houve um Congresso do Partido. Tive a tarefa de acompanhar uma delegação, como intérprete, motorista e o que fosse preciso. Calhou-me, veja-se lá, o delegado do Benin, onde estivera nessas andanças de técnico da OIT. E, muito agradado, lá ia cumprindo a tarefa.
Até que um belo dia - de Congresso... -, estava em semi-folga (o negralhão beninois teria ido a um almoço de delegações, ou às compras, não sei... mas ficara eu dispensado de o acompanhar) e, à porta da entrada principal, estava à conversa com um camarada, quando se deu o que me traz ao contar.
Fazíamos tempo... Conversávamos. E estava a conversa num ponto que me parecia interessante, ia eu a meio de uma fala, eis que ele me abandona inopinadamente, precipitando-se em direcção a um camarada que, ao longe, acabara de chegar e já estava a receber outras recepções e homenagens a que foi juntar a sua. Perfeitamente desnecessária.
Era o camarada Professor Doutor... Cheio de estatuto. Que não teve culpa nenhuma no incidente que, de vez em quando, me é lembrado. Sempre a despropósito.
É que fiquei ali, de fala inacabada, a pensar na minha falta de estatuto... Que não me faz falta nenhuma!
Coisas que só aqui conto,

3 comentários:

Justine disse...

Um retrato teu, e bem parecido:))

Sérgio Ribeiro disse...

Pois... sou o homem das falas inacabadas. Será falta de estatuto ou de estatura? Ou será por querer dizer demais de mais?
Isto só digo aqui.

Anónimo disse...

Ainda há muito boa gente que se delicia com os títulos e estatutos dos de fora, se forem dos de dentro já não é a mesma coisa. Enfim...

Campanica