faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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sábado, 23 de julho de 2011

Perfis em toalha de papel (qualquer semelhança com pessoas da vida real... e etc. e tal)

Descobri, hoje, entre papéis, um pedaço de toalha (de papel, claro!).
Já com muito tempo em cima, além das nódoas de vinho e gordura…  E amarelado.

«Entraram com algum espavento na sala quase vazia.
Lembrei-os. Conheci-os, a ele e a ela, antes dos dois juntos... Antes das famílias terem “arranjado” o casamento. Há 40/50 anos.
Tiveram filhos, dois se me não engano… Um, parece que “deu em droga”; outra, em droga teria dado. Se calhar não, mas é o que consta.
Ele, da minha geração (e obeso), tem dedicado a vida a esgotar a fortuna herdada, ou as herdadas fortunas (parece que já o teria conseguido…).
Ela foi uma linda menina, quase uma boneca. Tem sido… a esposa-sempre-fiel (embora tenha havido fumos de zuns-zuns, e – diz-se… – se há fumos, houve fogo).
Cumprimentámo-nos, risonhos (ela muito) e vizinhamente. Um tanto formais.
Ele sentou-se logo. Sem esperar por nada. Menos ainda por ela... Pediu ao que vinha: chícharos.
Logo que veio a comida, e logo foi, pôs os olhos no prato e comeu, comeu, comeu.
Ela, com alguma dificuldade, ajustou o larguíssimo traseiro (que tão jeitosinho foi...) ao asssento, e olhou em volta.  E em volta olhou. Em redor olhou. E olhou em redor.
Às vezes passou os olhos por ele. Que comia, que comia, que comia bacalhau com chícharos. E bebia o respectivo jarrinho de tinto.
Ela debicou, com o garfito, uns chicharozitos, enquanto os olhos circulavam. Em círculo, pela sala.
Não disseram uma palavra, ou trocaram um olhar, durante o repasto.
Acho que não pagaram. Como parece que é costume, ao que a dona da casa e gerente quer pôr fim… mas não sabe como.
A família tem credenciais (as famílias que eles juntaram numa), embora tenha perdido o crédito.»

A estória aqui fica, porque me pareceu que seria pena perdê-la, no meio dos papéis… em que já encontrava perdida… antes de a encontrar, por acaso.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Há um novo, há um novo... impropério próprio para esses...

... canalhas...

Grande ajuda/sugestão de Amigos que cá vieram almoçar, e a quem contámos as nossas dificuldades. Que eles, afinal, também partilhavam. Canalhas não tem conotação sexista, nem machista, não tem pregas no peito, nem rugas no colarinho, nem traz corantes. E diz tudo destes... canalhas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Já achei...

Ao ouvir-me, enquanto "ouvejo" televisão, ela pergunta-me:

"- Não haverá nenhum impropério que não tenha conotação sexual ou machista?..."

Tinha razão, apesar daquela coisa do... impropério.

Pensei, pensei e descobri algumas alternativas. Poucas,

E fixei-me em duas: energúmenos! e banksters!

domingo, 3 de julho de 2011

Depois dizem que exagero

Ainda na manhã do dia de hoje, 3 de Julho (já?):

Depois dos "dias de agora" (que vão, hoje, 3 de Julho, na página 767) , virão os "dias sem adiamento"... se chegarem  a tempo!

Não há fome que não dê em fartura... era bom, era!

Mais esta...
... que sobrou de gatafunhos num pedaço de toalha de papel, da mesa do canto do "Canto da Vila", observando dos "arredores humanos":

A ambição
A ganância
A exibição
A extravagância

Quase um mês... de silêncio. Aqui...

Gosto tanto de aqui vir!
E estava com saudades.
"Neste desenrolar da ilusão dos dias imóveis", como escrevia José Gomes Ferreira (quem havia de ser?), eles, os dias, vão passando, um atrás do outro, sorrateiramente. Em carreirinha. Em correria. Vertiginosamente.
E nós iludidos. Iludindo-nos. Fazendo de conta que os dias se repetem.
Repete-se o 3, que é o número do dia de hoje, mas não se repete o nome do mês, que este é de Julho quando o 3 anterior foi de Junho (ah!, quando foi...).
E a ilusão de que já houve outro dia 3 de Julho ilude-nos, engana-nos, se esquecermos (se nos quisermos esquecer) que já houve outros 3s de Julho mas em outro, em muitos outros anos.
O meu primeiro 3 de Julho foi em 1936, veja lá eu (e tu, e todos os que possam estar, agora, a ler).
Já tinha havido muitos muitos outros 3s de Julho antes, como o de 1933, em que, na Alemanha, os judeus foram excluídos da função pública.
E, depois desse primeiro (meu!) de 1936, houve 3 de Julho em 1937, e a seguir em 1938, e - depois - todos os 3s de Julho até ao 3 de Julho de hoje. Este. De 2011. Tantos...
E haverá o 3 de Julho que se seguirá a este. Em 2012. Sobre o qual não digo mais nada. Cá por coisas. Porque nem sei se será meu como este é...

Dias imóveis? Uma porra!