faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

80 anos

80 anos
Número redondo. 
Três zeros. Dois pequenos, um em cima do outro, e um terceiro (digamos) normal.
Melhor, só quatro. Aos pares. 88. Em equilíbrio instável. Mas será difícil!
Entretanto. Entretanto, “isto” assemelha-se a uma corrida de bicicletas… uma “Volta à Vida”.
Aos 80, parece-me que “saltei” do pelotão (já rarefeito…) e aí vou eu.
Em fuga? Em fuga!
A quê? A quê!
Tenho o sentimento de que para trás ficaram os que comigo já vinham de antes da guerra. De antes de ela começar e enquanto ela foi, conhecida por Grande, como todas são. Todas demasiado grandes.
Quantos desses já ficaram na estrada? Tantos!
Só me resta continuar a pedalar. Isolado? Quero ver se não.

A montanha é íngreme

sábado, 28 de novembro de 2015

quebrararn-se os (meus) laços

dizia,
todo impante,
ter jogado à bola no campo de S. Sebastião
          com avós
                  pais
                  filhos
                  e netos!

já não há (há muito!) campo de S. Sebastião
já não há, agora, um avô desses tempos
já os raros pais têm escassa memória
já os filhos não têm recordações
já os netos não me conhecem
          sabem lá quem eu sou
          quanto mais quem eu fui
          (ou vice-versa
          ... dá na mesma!)

EnCURRALado
27.11.2015


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Tivesse eu...


  



TIVESSE EU…


Tivesse eu sonhado
Tivesse eu adivinhado
Tivesse eu querido
Tivesse eu sabido
Tivesse eu podido
Oh!, tivesse eu sido
… mas apenas sou!
Apenas sou o que sonhei
O que adivinhei
O que quis
O que soube
O que fiz
… ou o que ajudei a ser feito
E dou-me por satisfeito
Vivi!
E vivo estou…
(empedernido… mas vivo!)

S.R
(publicado 
- e muito elogiado, apesar de mal paginado -.
no boletim nº4 da USO)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Uma "ideia" de cidadania

O "cidadão ideal" para o Expresso:

"Para terminar, sugiro que compense a agrura das notícias reclinando-se (ou imaginando que se reclina) numa cadeira desenhada por Aalto e produzida pela Artek e vá espreitando o Expresso online até à hora do Expresso Diário."

e, depois, há... os outros

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ao almoço, bem servido... com mosca(&)tal

I
Indignação é a palavra
ao discurso de posse de Passos
 (cinismo?
hipocrisia?
venha o Cavaco e escolha)
… e uma mosca à roda…

Um assalt(inh)o de desesperança,
a idade,
o estado de saúde
… e esta mosquinha tonta…

Um surt(ead)o de impaciência,
esta gente à volta
            que irrita
estas vozes estridentes
            que arranham
… e a mosca que não me larga…

II
E os dentes (bem) pagos
a dançarem na boca
E os olhos a chorarem
            sem razões (?) para isso
… e a mosquita a voltear…

III
E o tempo a passar
E o tempo que sobra
… e a mosquinha a pousar aqui e ali…

IV
O ser humano… humano será?
o ser humano… humano é?
                               humano será!
rais parta a mosca… (já te digo!)    

V
Os olhos do homem
seguem o corpo da mulher
… é a lei da caça!

Quando os olhos do ser humano
seguirem os passos do humano ser
… será a lei da História!

VI
Toda a gente a dizer que gosta de mim
E eu a gostar de toda a gente

VII
Sou este velhote (ou velhinho)
            da mesa do canto
que  meta as fontes entre os polegares
nos intervalos de escrever, escrever,
            de escrever… um inevitável cansaço

VIII
Uma falta de apetite
de comer o que me puseram no prato
 (só me apetece sopa passada!).
… e a mosca a pousar, insistente
Uma sede insaciável,
com o copo s encher
e logo a esvaziar-se
… outra vez a mosca?...ou será outra?...

IX
Ninguém acredita no milagre,
salvo os fanáticos ou os doentes,
ou melhor:
            ou os fanáticos doentes
            ou os doentes fanáticos
E a Lúcia!
… e a mosca, saltitante, a escapulir-se…

X
Na busca (desesperada)
de perceber os outros,
perco-me
            da compreensão de mim mesmo,
                                            do que sou

XI
O que está
(o que é!)
                           adquirido?

XII
Os meus dedos
            (e sua escrita)
deixaram de me obedecer

XIII
Como traduzir em legível
o que escrevi
e ilegível ficará?

XIV
Traga a conta, por favor
… e leve a mosca!… (ou as mosquinhas) 

  


CURRAL
na sexta-feira,
30 de Outubro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Gostar tanto da vida

Ser tanta a alegria de viver
e estar tão triste por a vida nos fugir...
a cada passo,
em cada gesto, 
minuto a minuto vivido.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

não é ficção e muito menos do cordel...

O José João, da ID, suicidou-se. 
Como em qualquer outra circunstância, a notícia foi brutal.  Nada me ligava, com intimidade ou afecto particular, a este companheiro de luta, encontro de muitas ocasiões, sempre agradável, sempre simpático e afável. 
Como o foi o de sábado. contra as manobras da NATO. Mas este, de há três dias, tornou mais brutal - e particularmente brutal - a notícia brutal do suicídio  de um companheiro, encontro de tantas lutas.
Muito conversámos durante as quase duas horas em que estivemos juntos e nos cruzámos com tanta gente. Descemos o Chiado, subimos o Chiado. Em conversa sempre viva e muitas vezes interrompida por outras conversas de passagem e abraços. Assistimos, juntos e trocando impressões, ao comício no Largo Camões. 
Revejo o que dissemos, reconstituo quase palavra a palavra. Tenho, na minha frente, o endereço que o José João escreveu num pedaço de papel, e para onde ia enviar o "coisas da arca do velho", quando chegou a notícia.
Tudo parece absurdo, sem sentido.
E revolve-se, cá bem dentro de mim, a busca inútil de uma palavra dita ou não dita por mim, de um gesto ou de um comentário meus, e que, naquele último sábado, pudessem ter contribuído, na imensidade de palavras, de gestos, de  comentários que, ao longo de uma vida, terão levado um homem a desistir de viver.

sábado, 24 de outubro de 2015

coisas de que tenho andado arredio

na "TRINDADE"

Aqui!
Quantos anos depois?
Depois de
... há tantos anos...
ter sido um meu "refeitório"!
Aqui regressado
a caminho de ir dizer NÃO à NATO
com a mesma convicção de sempre,
sempre acrescida
... e a crescer. Sempre!

Só!
O único só numa mesa,
a comer os percebes, 
o bife do costume e duas "mixtas"
Só... eu!
Em casa cheia,
com tantoutros à volta
e quantos sózinhos em mesas de vários?

domingo, 4 de outubro de 2015

4 de 0utubro

Eu - ... Olá!, vivam!... vieram votar?... já votaram?
Eles  - ... já...
A resposta, os olhos a fugirem dos olhos qual amarras, tornavam dispensável a continuidade da pergunta (meio a sorrir)
Eu - ... e votaram bem?
Eles - ... sim... 

- um sim apagado, tímido, com olhos a fugirem dos olhos, e a (ténue mas certa) consciência de que fora não porque fora contra eles próprios.

mudámos, rápido, de "cumbersa".

sábado, 3 de outubro de 2015

Coisas da arca




















Adriana,
no Chico Santo Amaro

Resposta sábia... e a universalizar

MJ - ... então... aprendeste alguma coisa?
SN - ... quando se sabe pouco aprende-se sempre muito!

resposta "à Einstein",
que sempre achou que sabia pouco!

sábado, 26 de setembro de 2015

Dias de raiva


com todo o enlevo paternal...

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O CORPO

O CORPO

O CORPO
O CORPO JÁ
O CORPO JÁ É
O CORPO JÁ NÃO É COMO ERA
O CORPO JÁ NÃO É
O CORPO JÁ NÃO
O CORPO JÁ ERA
O CORPO-NÃO

domingo, 30 de agosto de 2015

Um desagato

Estavam a conversar, e o homem ouviu-se a falar sozinho.
De súbito, ela (a)correra ao miado do (a)pelo de gato.
O homem, em-velho-sido, ficou meditabaixo e cabismudo. Embatocado. 
Tinha engatada qualquer coisa para dizer, na conversa que discorria interessante (achava ele...), sobre a "doce vita do Fellini a propósito dos ilúcidos envelhocimentos. Desengatou e, para desembuchar, bebeu um trago já... tardio. 
E o homem assim ali ficou. De burro amarrado. A imagicar. Até que re-engatou com frases batidas, godinhadas ou miacoutadas, que o fizeram desamuar e sorrir: sentes-te tratado abaixo de cão?, então...?, quem não tem cão, é destratado abaixo de gato!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

emCURRALado entre o NADA e o TUDO

NADA é O QUE esperavas
NADA é COMO desejaste
QUE 
viesse a ser

TUDO será O QUE quiseres
TUDO será COMO lutares
PARA QUE 
venha a ser

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

conversas in prováveis

- ... pronto... já lavei os dentes... vou "ouver" o telejornal... recomeço do início?
- ... acho bem... mas por mim deixa estar...
- ... lá estás tu... não t' interessa?
- ... interessa... mas já sei como vão começar.
- ... lá estás tu...
- ... vais ver se não é com a  tragédia humanitária dos migrantes...
- ... e achas que não devia ser?
- ... não é isso... não devia era ser esta tragédia com a Merkl e o Hollande à procura de "soluções solidárias" a impor aos seus cúmplices nas causas da tragédia...
- ... olha!!!!... é que é mesmo... bruxo!... sabias disto da Hungria?
- ... do muro?
- Sim. É inacreditável!... és bruxo?
- Pois sou... mas a culpa não é minha, é do Marx, do Álvaro e de outros que tais...
- ... mas qu'é que querias?
- Nada! Isto é, tudo... vê lá isso enquanto acabo o Porta da Ravessa (preço Lidl), ouço ao longe o Portas e as suas travessuras, como a papa da maçã, das nossas maçãs... já lá vou... a seguir deve ser o Jesus e as suas judiarias, e o Vitòria e as suas derrotas,,, não tenho pressa... a não ser por ti! 
- ... cá te espero!

sábado, 22 de agosto de 2015

emCURRALado - Auto-crítica...

Sou um desmesurado egoísta,
gosto demasiadamente dos outros!

emCURRALado - Mara(vilha)do com a vida!

A MARADA DA VIDA, 
O MARADO DO CORPO

Os olhos,
os dentes,
o joelho,.
o "coiso",
as "coisas",
o interior,
o intestino,
o anus,
E OS ANOS!

A maravilha
da marada da vida
da prolongada vida.

sábado, 15 de agosto de 2015

No fim do jantar de um dia destes

- ... mais uma vez não conseguimos acabar o jantar a tempo de ouvir o noticiário das nove...
- Pois é... também não nos faz falta nenhuma.
- Ess'agora... e vinda de ti...
- ... queres saber se a Maria vai p'ra Belém?
- ... já lá está uma... de que outra Maria falas?
- Daquela com que eles devem estar a encher o noticiário... da de Belém!
- Essa tem piada!... mas também ficariamos a saber se o regate da Grécia...
- ... morto ou vivo? Já se sabe para quem são as alvíssaras!
- Pronto, está bem... queres uma infusão?
- Antes isso que uma indigestão...obrigado!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Antes de rasgar e de deitar para o cesto dos papeis

(a arca está cheia...)

Papel recente não datado 
(por altura do referendo na Grécia)

Como me sinto no meio desta gente?,
desta gente que não sabe NADA da Grécia e da sua História
     (clássica e recente)?
Como me sinto a ouvir esta gente?. 
esta gente que só conhece (e mal... e facciosamente) UM Sócrates?
Desta gente que discute (diz coisas...) sobre o referendo,
     gente para quem tudo é visto na visão que lhe é imposta:
     na visão do negócio e do imposto!
Como me sinto COM esta gente?,
     com esta gente que come (e bebe!) e com-vive comigo...
Como me sinto 
no meio, a ouvir, com esta gente?
Bem! (quase sempre, às vezes mal...)
São os outros,
sou eu!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A "batalha" dos tomates

Em suma:
“Há para aí algum valente que se queira bater com um outro valente?”

                                   Ode ao Tomate

(cid simões em as palavras são armas)

---------
Meteram-se comigo, desafiaram-me. 
Sem poder já recorrer ao enorme Pablo Neruda, pedi ajuda a um vizinho e amigo que me ofereceu esta "prenda" de mais de um quilo.
Ora toma, para que saibas que por estas bandas também há tomates que não envergonham ninguém! Bem pelo contrário...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

VER I FIXAÇÕES


Andei anos a (me a)perceber
que estava a
em-velho-ser.
Agora, estas décadas passadas
e uma vez (única...) que
em-velho-estou,
com surpresa verifiquei
que estava a
em-triste-estar.
Não estou a gostar!,
e vou combater este..
em-triste-ser.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Nem que seja só para dentro de mim ou em surdina

SILÊNCIO? NUNCA EU!

Teriam sido inúteis as dezenas de milhões de vítimas,
nos cercos e resistências, 
nas batalhas de Stalinegrado e de Leninegrado?
Para quê uma foice, um martelo, uma estrela vermelha 
no cimo do Bundestag?,
       se tão pouco durou para tanto sacrifício, 
       risco e sonho?
Porque é feriado o 1º de Maio e o 8 de Março? 
Para lembrar o quê?,                                      
       ou para esquecer em gozo de feriados?
Houve a Comuna de Paris, o 5 de Outubro, 
o 25 e o 2 de Abril?,
      ou foi só 28 de Maio, 25 de Novembro 
      e quejandas maldatas?
Merece ser memória e memorial o campo da morte 
no Tarrafal e outros lugares?,
      e os massacres na Baixa do Cassanje, 
      em May Ly, e os por aí, hoje?
À minha minúscula escala, valeu a pena os curros, 
a tortura, a prisão?,
      as mortes a descerem à rua?

AH!, VALEU!,
TUDO VALEU A PENA!

Somos e seremos o que lembrarmos e continuarmos,
Somos e seremos o que não esquecermos 
e não deixarmos esquecer:
       todas as duras conquistas que foram… 
       e tantas ficam…
       – algumas homem a homem, mulher a mulher, 
       luta a luta –
       que não conseguirão destruir, 
       de que não arrancarão a semente

-------------------------------------

Os aviões dos Estados Unidos que vieram ”salvar a Europa”
       chegaram a aterrar ou foram logo 
       logo logo “ajudar” Hiroshima e Nagasaqui?
Levantam, como se magnânimos fossem, o cerco a Cuba?,
       e Guantánamo fica onde e como?

Não!, não quero uma versão parcial da História.
        Quero-a com um mínimo de verdade
A bandeira dos Estados Unidos – que só eu vi – estava a mais?
Não!, havia era outras a menos!
Ou nenhuma ou algumas…
       … até aliadas contra a barbárie vestida de suástica
Nunca só aquela. Visível e subliminar!

19.07.2015
Arabesque

e CineTeatro-Ourém 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

da arca do velho

Na mesa ao lado            A ALEGRIA FALSIFICADA
                                        A EUFORIA IRREPRIMIDA

Aqui, no papel
desta toalha                     A TRISTEZA RESPONSÁVEL
                                          O DESESPERO CONTIDO                

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Pois continuo a c(a)ontar...

Canto do Cisne ... é uma expressão popular que serve para descrever um gesto ou esforço  antes da morte de um ser humano; esta expressão nasceu porque havia uma crença antiga que o cisne-branco era completamente mudo durante a sua vida até pouco antes da sua morte, quando exprimia uns belos sons. Hoje é sabido que essa crença, que surgiu na Grécia Antiga por volta do século 3 A.C. não é fundamentada porque os cisnes-brancos não são mudos, emitem grunhidos e assobios, e também não cantam ao morrerem. Mas ficou, como metáfora, a ilustrar os derradeiros trinados (belos como nunca antes) de um animal, cisne ou humano.


Pretensiosamente, há longos anos venho etiquetando os meus caontares como "cantos de cisne". 
"Cisneticamente", acho que já excedi os prazos... de fazer de cisne.
Deixá-lo... Bem ou mal, isto é, mal ou pior, continuarei a caontar!  

terça-feira, 14 de julho de 2015

Histórias ante(s)passadas

Era o ano de 1972

Naquele pequeno gabinete, anexo à redacção do Diário de Lisboa, havia três secretárias e éramos três os seus ocupantes.  A Isabel, com a tarefa das traduções das agências estrangeiras, particularmente de coisas da cultura, da literatura, o Zé, com a principal e quotidiana função de escrever as opiniões que o DL tinha, as “notas do dia, e o terceiro era eu, encarregado da área da economia, sobretudo do suplemento semanal.

O ambiente era excelente, solidário, de calma boa disposição e entre-ajuda. Que extravasava daquele gabinete e transportávamos para as nossas vidas “lá de fora”.
De vez em quando, no desempenho das tarefas, trocávamos opiniões e até trechos. Mais de uma “opinião” do DL, na altura das negociações para o acordo comercial com a CEE, por exemplo, teve contributo meu. O que fartamente se compensava com opiniões (da Isabel e do Zé) sobre a minha escrita, que não lhes desagradava, de que elogiavam a facilidade e a espontaneidade… mas a que (sentia-o eu) achavam que faltava… “qualquer coisa”.
O que não foi o caso de uma crónica que escrevi para o Récord, onde colaborava com uma crónica semanal – às 5ªs… feira –, em que eu dizia da minha sensação de irreversibilidade da passagem do tempo e me queixava do avançar da idade (aos 36 anos!) que me ia enterrando sonhos, como o de subir o túnel que ligava os balneários ao relvado do Estádio Nacional para, envergando a camisolas das quinas, ouvir o “heróis do mar, nobre povo…”.
O Zé riu-se (no que não era pródigo) com gosto e gozo, fez rasgado elogio (no que era avaro) à qualidade literária da crónica… e passámos a outras coisas.  
Nunca esqueci esse episódio, e bem longe estava eu (e ele) que aquela avaliação de um escrito meu tinha a chancela de um futuro Prémio Nobel da Literatura.
Hesito em incluí-la no meu currículo…

    

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dia logos in prováveis

- Que é que tens?
-Tenho nada...
- Se não tens nada porque é que estás assim?
- Eu não disse que não tenho nada... respondi-te: tenho nada!
- Lá estás tu a jogar com as palavras...
- Talvez. Mas estou a falar português e a recusar aquela ambiguidade da dupla negativa...
- Está bem. Mas tens alguma coisa. Não podes não ter nada... o que é que tens?
- Posso!... Não tenho alguma coisa, e não coisa nenhuma. Tenho nada. Sim, tenho nada.
...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Porque és um ser humano... e vivo

Queres parar?
Para!

Como os macaquinhos da estatueta,
com as tuas mãos 
(não com outras...), 
fecha os olhos, 
tapa os ouvidos,
cala a boca
(hão-de chegar-te as mãos!)

É um teste
(estúpido como todos os testes,
ilusório como todas as amostras,
falsificador como todas as sondagens)

Ficas a saber 
a falta que fazes,
ou que não fazes falta nenhuma
(é o mais provável...)

Ficas a saber
como tudo continua,
sem que tu vejas,
sem que tu ouças,
sem que tu fales,
berres,
grites
...  escrevas)

Não tem importância,
não tens importância.

Mas não te importes
porque tens,
tu,
toda a importância!
A única:
a de seres tu e estares vivo!

Descerra os olhos, vê 
destapa os ouvidos, ouve
abre a boca, grita
e,
com as tuas mãos livres
(que são poucas, 
só duas, 
e as únicas
se não as juntares às de outros),
faz o que tens a fazer:
LUTA

PORQUE ESTÁS VIVO!



domingo, 28 de junho de 2015

Nobsession


Naturalmente (se não for acidentalmente…) os anos que ainda conto viver contam-se pelos dedos. Talvez os de uma só mão e os dedos dos pés não contam para estas contas.
Merda, dizia o poeta lúcido. Porra, digo eu que não sou poeta mas me quero lúcido.

E ainda tanto para aprender e... PARA  FAZER!

sábado, 27 de junho de 2015

O desespero lúcido

Tempo de aeroporto
         (lendo sobre Herberto Helder no Expresso)
            Casablanca 24.05.2015 em escala para Bissau

O desespero lúcido
O contraditório desespero lúcido
                                         dos poetas
Dos poetas que não entenderam nada
                                               da vida
                                               da História
                                               da Terra
                dos outros
                                               de si
                          (… enquanto seres humanos)
                                               seres vivos
                                               no meio das dinâmicas sociais
                                               no seio dos lugares
                sendo outros
                          (os de antes, os de agora, os de depois)
                                               E eles-próprios


Nós - os eternos desconhecidos

Que sei eu de ti?
Que sabes tu de mim?
Que sabes tu de ti?
Que sei eu de mim?

Que sabemos nós de nós?
Nós
- eu que sou tu,
tu que és eu -
... os eternos desconhecidos!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sesta - 2 (do Pessoa... como/com o Álvaro)

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência 
                              sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A sesta

O sol a passar para o outro lado das telhas, ainda lambendo as pernas e - logo logo - já só os pés estirados no banco de apoio à "cadeira de convés", os verdes a misturarem-se ao ritmo sem som da leve brisa, um fundo azul uniforme, sem núvens, a empena branca da casa vizinha como que num espreitar ausente de janelas.
O corpo que relaxa, as pálpebras que caem e se cerram...

(só a cabeça resiste e diz, para dentro de si: vou escrever isto!)

'tá feito. 

Estou IN

... mas (sempre!) cada vez mais próximo do in-certo dia, da in-adiável  hora, do in-exorável momento em que ficarei OFF. 
A procurar (como todos... menos os suicidas) bater o RECORD tão badalado do senhor Manuel de Oliveira! E lúcido, merda (como dizia o poeta, malcriado como dizia a minha mãezinha). 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

AUTO-EPITÁFIO

?!
Foi(-se como) uma pena...
uma vida a tanto querer servir os outros
e uns tantos a tanto se servirem dele

segunda-feira, 1 de junho de 2015

NOVAS da GUINÉ

DESDE QUANDO
me invadiu esta desalegria ?

  • este não estar bem
  • este desamor pela amada
  • este desencontro com ninguém
  • esta desespera do nada?

DESDE QUANDO ?...
ATÉ QUANDO !
  • porque não desisti
AINDA !

26.05.2015

segunda-feira, 4 de maio de 2015

É tempo de viver sem medo(s) - Eduardo Galeano



contar histórias 
é trazer o passado que foi 
para o presente que é
... e para o futuro que será

domingo, 19 de abril de 2015

Há coisas assim...

Tive, hoje, uma grande alegria:
um texto chamado "intenções do autor", que gostaria de ter escrito... mas de que ainda mais gostei por ter sido escrito por quem foi.
O resto? O resto é silêncio, por agora. E espera.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Com vida e boa saúde

Daqui,
desta terra,
deste desterro 
a que alguns me querem confinar,
daqui vos mando notícias. 
Notícias do Panamá,
de bloqueios e Cimeiras,
de impérios a ruir
e de independências a construir, 
solidárias e firmes,
contra ventos, mares e marés.
Daqui vos digo,
convicto,
com vida e boa saúde,
o que não for hoje será amanhã!

segunda-feira, 30 de março de 2015

Há os que

Há os que se encontram/perdem 
pelas paragens/viagens do belo 
da vida, 
da natureza, 
do descoberto/inventado pelo humano...

segunda-feira, 9 de março de 2015

O que poderia ter sido,
o tanto que não fiz...
... e já é tão tarde!

sábado, 7 de março de 2015

AUTO-CRÍTICA 
DE UM SUJEITO (à sua) MORAL

Sou o merdas de um teórico que só lê, que lê e quer que todos leiam e estudem, essas porras…, que passa a vida a mandar “bocas”, que nunca se drogou nem nada disso (nem ao menos a merda de um charro…). Sou o que tem a mania que é sério, cheio de ética. A ponta de um corno!

isto não vale nada!, 
isto vale tudo… para mim

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Quando. Agora.

Quando.
Quando
nem sei para onde me voltar.
Quando de todo o lado
me chegam sinais
(ou mais que sinais…)
de rejeição
(por vezes, escondidos, sabotando)
de projectos ou propostas minhas 
ou a mim dirigidas;
ou descubro insinuações de que estou 
com o prazo de validade expirado;
ou interpreto implícitas certidões de óbito.
Que fazer?

Quando.
Quando
me sinto ilha deserta.
Quando só vejo mar e pontes abatidas,
E sufoco rodeado de gente por todo o lado,
que me mira com olhar estranho e de estrangeiro.  
Ou se não sei que dizer que seja ouvido 
e nada ouço que valha ouvir.
Ou me pareço aquele da anedota 
do único com o passo certo.
Como reagir?

Estrebucho.
Triste de não poder mais 
e sem procurar Pasárgada.
Mas…
… só posso ter um modo – meu –:
é o de levantar a cabeça.
É o de me mostrar (a mim!) que estou vivo.
Ainda!
E que este filho de sua mãe tentará 
só estar morto e a arrefecer
quando morrer.
Ou seja, que quer manter-se vivo 
enquanto vivo estiver!

Mas o facto facto (e dele me orgulho)
é que nunca a nada me acomodei,
é que quis ajudar a transformar o mundo
    – e continuo a querer !