faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ao almoço, bem servido... com mosca(&)tal

I
Indignação é a palavra
ao discurso de posse de Passos
 (cinismo?
hipocrisia?
venha o Cavaco e escolha)
… e uma mosca à roda…

Um assalt(inh)o de desesperança,
a idade,
o estado de saúde
… e esta mosquinha tonta…

Um surt(ead)o de impaciência,
esta gente à volta
            que irrita
estas vozes estridentes
            que arranham
… e a mosca que não me larga…

II
E os dentes (bem) pagos
a dançarem na boca
E os olhos a chorarem
            sem razões (?) para isso
… e a mosquita a voltear…

III
E o tempo a passar
E o tempo que sobra
… e a mosquinha a pousar aqui e ali…

IV
O ser humano… humano será?
o ser humano… humano é?
                               humano será!
rais parta a mosca… (já te digo!)    

V
Os olhos do homem
seguem o corpo da mulher
… é a lei da caça!

Quando os olhos do ser humano
seguirem os passos do humano ser
… será a lei da História!

VI
Toda a gente a dizer que gosta de mim
E eu a gostar de toda a gente

VII
Sou este velhote (ou velhinho)
            da mesa do canto
que  meta as fontes entre os polegares
nos intervalos de escrever, escrever,
            de escrever… um inevitável cansaço

VIII
Uma falta de apetite
de comer o que me puseram no prato
 (só me apetece sopa passada!).
… e a mosca a pousar, insistente
Uma sede insaciável,
com o copo s encher
e logo a esvaziar-se
… outra vez a mosca?...ou será outra?...

IX
Ninguém acredita no milagre,
salvo os fanáticos ou os doentes,
ou melhor:
            ou os fanáticos doentes
            ou os doentes fanáticos
E a Lúcia!
… e a mosca, saltitante, a escapulir-se…

X
Na busca (desesperada)
de perceber os outros,
perco-me
            da compreensão de mim mesmo,
                                            do que sou

XI
O que está
(o que é!)
                           adquirido?

XII
Os meus dedos
            (e sua escrita)
deixaram de me obedecer

XIII
Como traduzir em legível
o que escrevi
e ilegível ficará?

XIV
Traga a conta, por favor
… e leve a mosca!… (ou as mosquinhas) 

  


CURRAL
na sexta-feira,
30 de Outubro de 2015

1 comentário:

Justine disse...

As moscas são um incómodo - mas ajudam a estruturar um belíssimo texto:))))))))