faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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domingo, 22 de janeiro de 2012

"Cenas" em toalha de papel à volta de um jantar sozinho

  • São dois casais na mesa da direita. Comem silenciosamente, ou sem que os sons venham até mim ou me atraiam o ouvido e a atenção. Convocado efusivamente por uma delas, chega um 3º homem (tipo Orson Wells...). A animação instalou-se. E a desanimação. Cada uma com os seus intérpretes. Invadindo a minha mesa. Só apanho (porque me é atirado pelos ares próximos...) EU fiz, EU vou fazer, EU gosto de, EU não gosto de, ... que desgosto d'ele. Os outros dois homens apagaram-se... e pagaram a conta, empurrando o grupo para fora do restaurante logo que lhes foi sendo possível!
  • Ali, na mesa em frente, um protagonista da opereta tipo vienense, em cena na Avenida de Roma, Os viúvos tristes.
  • Abundam as mesas de pessoa só. Como esta em que me sento e aponto mentes.
  • Ali, o gajo no engate. Será que, acolá, é a gaja no engate? Quem vai ganhar? Se calhar dá empate. Ou perdem os dois!
  • À volta, todo o "descharme" do mundo.
  • Aqui, à minha esquerda, 6-homens-6, da várias cores, reformados do tempo colonial, com todos os tiques, comendo marisco alarvemente, bebendo cerveja às canecas, falando de futebol, das "glórias do passado", berrando unanimemente "qu'hoje não têm gajo nenhum que lhes chegue aos calcanhares".
  • Os grandes candidatos ao Óscar (que seria renhidissimo com este juri) seriam o Matateu e o Eusébio, e, para haver um angolano, veio o Peiroteo (tinha que entrar um branco... e eu lembrei-me do Zé Águas, mas também do Coluna, cá para os meus botões...), e coitado do Mantorras!, que ficará sempre a grande frustração com o correspondente zurzir em médicos e dirigentes!
  • O prazer da solidão povoada.
  • Ou de... la solitude, je suis d'un autre pays que le votre, d'une autre quartier, d'une autre solitude, biologiquement je m'arranje avec l'idée que je me fasse de la biologie, je pisse, j' éjacule... (será assim, oh, Léo?)
  • Às vezes, assim, em solitude, assalta-me a vontade de "apanhar" uma bebedeira... mas ela foge-me, ou esconde-se atrás da (ou mascara-se de) lucidez.

2 comentários:

Maria disse...

Gosto destas tuas notas em toalha de papel... quando jantas sozinho :))
Sim, o Léo deve ter razão.

Beijo.

Justine disse...

Lucidez triste (ou tristeza lúcida,"que no es lo mismo pero es igual"), num texto muito em escrito e muito duro!
Um beijo, para amenizar...