faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

novaiorquinas (do cordel) - 5

De repente (mentira... foi a pouco e pouco), a sandália "deu o berro". Em pleno Central Park, farta de andarilhices, escancarou a bocarra! Ainda tentei andar descalço (ninguém notaria, aqui anda-se de toda a maneira), mas os meus mimosos pés não aguentaram mais que uns metros. Única solução à vista: alugar um "transporte público", uma "byke". Das que se nos andavam, insistentemente, a oferecer-se para nos transportarem, puxando por nós à custa de pedalada.
Lá se fez o contrato com um jovem alto e de bom aspecto (apesar do cheiro a suor). Lá nos instalámos e lá fomos.
Confesso que não me sentia muito bem, e tive ganas de, nas subidas (felizmente poucas e pouco íngremes), saltar do banco e ir dar uma ajuda, empurrando.
O "puto" era simpático no seu estranho linguajar para-pedagógico, de guia meio improvisado. Era o seu trabalho de verão, disse-nos. Mas feito com profissionalismo, pois escolhia bem os ângulos panorâmicos e contava coisas aprendidas, embora privilegiando informações, digamos, de revistas de sala de espera de dentista: o John Lennon, a Madona, o Michael, a Jacqeline Kennedy Onassis, o Woody Allen, o Elton, a Cosa Nostra, os seus apartamentos, os custos, os pormenores de vidas íntimas e (pouco) privadas, sempre com filmes e concertos a servirem de referência.
E fez questão em levar-nos até ao museu onde queríamos ir, pelo meio do trânsito novaiorquino.
À despedida, depois das contas feitas, ao trocarmos nomes como se fossem cartões, a grande surpresa-coincidência: chama-se Serguei, é de origem russa! Acabámos a tratar-nos por Serioja e, cheios de pena, a despedir-nos com obrigados e spassibas.
Ele há coisas!
.
(as próximas, aqui, também trarão ilustração... que é que são menos que as lá do anónimo?)

6 comentários:

Maria disse...

A esta hora a Zé sabe com certeza onde podes comprar umas sandálias...
:))

Boa continuação de ... férias!

Sérgio Ribeiro disse...

Já as comprou, Maria! O homem não podia andar descalço:))
'Tás a ver como estes conhecimentos são úteis???

Sérgio Ribeiro disse...

O comentário assinado com o meu nome não é meu, é de ELA, da que me "levou logo a" comprar uns "converse". Aliás desnecessários porque un "repair shoes" aqui na esquina já me pôs as sandálias em condições (como novas!)em poucas horas.

Saudades

sf disse...

pergunto-me: não foram essas mesmas sandálias de andante que já haviam avariado no viet nam?

Morgana disse...

Também estou com uma sensação de déjá vu (ou será ouvu?).
É que acho que já ouvi uma descrição semelhante noutro contexto qualquer. O teu próximo livro deveria ser "As minhas sandálias"

GR disse...

Adoro estas crónicas.
Terminam sempre com uma surpresa.

(descalço com o chão tão sujo?!!!)

Bjs,

GR