De repente (mentira... foi a pouco e pouco), a sandália "deu o berro". Em pleno Central Park, farta de andarilhices, escancarou a bocarra! Ainda tentei andar descalço (ninguém notaria, aqui anda-se de toda a maneira), mas os meus mimosos pés não aguentaram mais que uns metros. Única solução à vista: alugar um "transporte público", uma "byke". Das que se nos andavam, insistentemente, a oferecer-se para nos transportarem, puxando por nós à custa de pedalada.
Lá se fez o contrato com um jovem alto e de bom aspecto (apesar do cheiro a suor). Lá nos instalámos e lá fomos.
Confesso que não me sentia muito bem, e tive ganas de, nas subidas (felizmente poucas e pouco íngremes), saltar do banco e ir dar uma ajuda, empurrando.
O "puto" era simpático no seu estranho linguajar para-pedagógico, de guia meio improvisado. Era o seu trabalho de verão, disse-nos. Mas feito com profissionalismo, pois escolhia bem os ângulos panorâmicos e contava coisas aprendidas, embora privilegiando informações, digamos, de revistas de sala de espera de dentista: o John Lennon, a Madona, o Michael, a Jacqeline Kennedy Onassis, o Woody Allen, o Elton, a Cosa Nostra, os seus apartamentos, os custos, os pormenores de vidas íntimas e (pouco) privadas, sempre com filmes e concertos a servirem de referência.
E fez questão em levar-nos até ao museu onde queríamos ir, pelo meio do trânsito novaiorquino.
À despedida, depois das contas feitas, ao trocarmos nomes como se fossem cartões, a grande surpresa-coincidência: chama-se Serguei, é de origem russa! Acabámos a tratar-nos por Serioja e, cheios de pena, a despedir-nos com obrigados e spassibas.
Ele há coisas!
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(as próximas, aqui, também trarão ilustração... que é que são menos que as lá do anónimo?)