faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O puto reguila - adenda

Há uns três anos, numa série de 10 "posts" em que contei, aqui, uma ficção do cordel a que chamei O Puto Reguila, germinada – como todas a ficções, de cordel ou não – em vivências, estas de uns anos antes, escrevi o que segue:
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«(…) Um dia, mostrei lhe um calendário, daqueles pequenos, tipo auto-colante, que me fora enviado pelos serviços de turismo de um qualquer país longínquo. O Toino ficou entusiasmado. Sem que ele mo pedisse, porque não era do género de pedir coisas, dei lho. Os olhos riram-se-lhe, meteu-o dentro da camisa e abalou com um obrigado em surdina mas bem lá do fundo dele.
Assim se criou uma espécie de costume. Ele começou a fazer colecção de calendários com motivos vários, e eu passei a ser o seu fornecedor.
Nalguns casos, acompanhado o fornecimento por pequenas conversas sobre os motivos escolhidos para nos informarem, ou influenciarem, no verso, a pretexto de, no reverso, nos fazerem a oferta de um pequeno rectângulo de cartolina com a organização dos dias do ano que está para chegar ou que começou há pouco.(…)»
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Anos passaram sobre isto que escrevi e publiquei, estes que nos trouxeram ao ano em que estamos, e encontrei hoje o inspirador do “puto reguila”. Na Festa do Zambujal. Está com 27 anos, vive (e trabalha!) em Paris… faz a sua vida. Fiquei contente.
Só que. Só que falámos sobre o passado, e sobre o que escrevi a propósito de um certo puto reguila. Começou por de rir, depois como que uma cortina desceu sobre os seus olhos: “… sabe?... cheguei aos 17 mil calendários e auto-colantes… arrumava-os, metia-os em pastas… eram o meu tesouro!... um dia, meu pai, numa das suas fúrias, foi-se a elas e queimou-as todas… mas não quero falar disso!”.
Eu também não! Ou quero?... Talvez noutra ocasião.
Felicidades lá por Paris, “puto reguila”.

1 comentário:

Justine disse...

Os pequenos (ou grandes) crimes caseiros! A incompreensão perante tanta insensibilidade paterna (ou maldade?)