faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril de 2010 - A manhã perfeita

A manhã recebeu-me. Acolhedora. Clara. Era bem o dia inicial, inteiro e limpo, disse-o Sofia.

Pus um boné, sentei-me ao sol que subira já pela copa das árvores do fundo do quintal. Esplendoroso.

Ela fazia uns exercícios de ginástica, moldando o corpo querido, experimentando até onde o podia tornar mais flexível e seguro. Era também sol.

Era também sol o gato, recuperando-o depois de tanto o ter esperado, e espreitado e aproveitado nas nesgas em que o inventara.

Em planos sucessivos, os verdes. Iluminados.

Dei uns passos, sob o arco de glicínias, cuja primeira floração se está a transformar em tapete macio, mas ainda dossel.

E os pássaros! Os pássaros em concerto. Surpreendente. Como sempre. Como se tivessem ensaiado para ser sempre igual e sempre novo. Sempre com surpresa nos acordes.

Ao longe, uns foguetes. Pelo meio do cantar dos pássaros. Lembrando 1812 e Tchaikovski, como se fossem canhões e a Marselhesa a meterem-se pela música, sendo música.

Não sei quem estaria deitando os foguetes aos céus lavados de azul. Nem porquê os estariam deitando. Sei - ah, isso sei! - que, nesta manhã luminosa, me eram oferecidos, e estralejavam porque esta é, sempre, a manhã dos dias nascidos.

3 comentários:

Justine disse...

Partilho tudo contigo: a manhã renascida, a festa, o sol, a vida!

Maria disse...

Tão bonito...

Abraço.

Anónimo disse...

Tudo o que vem de Vocês é lindo.Os textos, os desabafos, as fotos, as homenagens, o gato, o quintal, os livros, enfim, a dona e o faz de dono. Um grande beijo da Joana d'Évora.