Não é preciso baptizar... mas vocês é que sabem!
faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.
...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.
José Gomes Ferreira
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.
José Gomes Ferreira
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Recordacções...
Creio que foi no princípio dos anos 60 (há 50 anos!), na revista do ABC, teatro do Parque Mayer, a vedeta era António Machin. Tempo de guerra colonial. Pediu-se-lhe para cantar "angelitos negros". Fez-se um pouco rogado porque, disse, muito o emocionava cantar aquela canção. E cantou-a. Chorando. Eu vi. Ou a memória assim me traz a recordação!
ANGELITOS NEGROS
Pintor nacido en mi tierra
con el pincel extranjero
pintor que sigues el rumbo
de tantos pintores viejos.
Aunque la Virgen sea blanca
píntame angelitos negros,
que también se van al cielo
todos los negritos buenos.
Pintor, si pintas con amor,
por qué desprecias su color,
si sabes que en cielo
también los quiere Dios.
Pintor de santos de alcoba,
si tienes alma en el cuerpo,
porque al pintar en tus cuadros
te olvidaste de los negros.
Siempre que pintas iglesias
pintas angelitos bellos,
pero nunca te acordaste
de pintar un ángel negro.
Oh, Maria!... isto faz-se?
Obrigado!
No fundo somos todos uns sentimentais...
sábado, 28 de janeiro de 2012
Uma espécie de concurso
Fora do meu cantinho de trabalho e vida para estes anos, por exultantes motivos - que muitas vezes me levarão a migrar -, trouxe "trabalho para fora de casa", até porque há compromissos a cumprir, como a participação, hoje â tarde, numa iniciativa em Carnaxide, no Centro de Trabalho.
A ler uma entrevista, de que não digo a data nem com quem, surgiu-me a ideia/exercício de transcrever frases e de fazer um espécie de concursos. Algum dos eventuais passantes, quer arriscar
quem foi que o disse e quando?
À pergunta sobre que pensa da previsão do primeiro-ministro (à data) de que, com os empréstimos (a "ajuda") "a nossa economia poderá reequilibrar-se dentro de quatro anos"
frase 1 - não é assunto para me pronunciar levianamante: tenho responsabilidades como economista.
frase 2 - os empréstimos ajudam a resolver as dificuldades de pagamentos externos.
frase 3 - Ponto importante é o das consequências a médio e longo prazo.
frase 4 - Como se trata de empréstimos e não de donativos, será necessário pagar juros e os próprios capitais.
frase 5 - muitos dos empréstimos contém cláusulas impondo as compras nos países em que se aplicam no país que empresta...
frase 6 - O capitalismo tem os seus códigos de fraternidade - mas os efeitos sobre a balança de pagamentos que se está a ajudar são, por vezes, pesados.
frase 7 - numa situação precária como a portuguesa, o "banqueiro" domina o jogo, agora que está a emprestar e, depois, quando se tratar de cobrar juros e indemnizações.
frase 8 - Eles, nos EUA, na RFA, no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial (vão sendo sempre os mesmos), sabem das dificuldades e da sua provável persistência; seguram-se, impondo um juro político que vai da "brigada NATO" até à liberdade de movimentos das forças de direita.
Chega? Mas havia tanto mais e tão interessante! Mais algo virá com a resposta, 2ª feira, aos eventuais concorrentes.
Arrisquem, embora nada haja para petiscar...
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
"Purificado"
Excerto de "dias de agora":
Eis-me "purificado" de um terrível pecado mortal que por vezes me assaltava, apesar de morigerado pela amizade de alguns dos invejados/as que, cheios de caridade cristã, me diziam atribuir-me ou partilhar comigo a benção de ser avô.
Obrigado a todos.
O céu está-me mais acessível liberto desse mortal pecado.
E a "purificação" está a trazer consigo outras bençãos colaterais. Assim como questiono quanto tempo pode durar o "canto do cisne", me pergunto quantos dias viverei em "estado de graça".
Obrigado a todos.
O céu está-me mais acessível liberto desse mortal pecado.
E a "purificação" está a trazer consigo outras bençãos colaterais. Assim como questiono quanto tempo pode durar o "canto do cisne", me pergunto quantos dias viverei em "estado de graça".
domingo, 22 de janeiro de 2012
"Cenas" em toalha de papel à volta de um jantar sozinho
- São dois casais na mesa da direita. Comem silenciosamente, ou sem que os sons venham até mim ou me atraiam o ouvido e a atenção. Convocado efusivamente por uma delas, chega um 3º homem (tipo Orson Wells...). A animação instalou-se. E a desanimação. Cada uma com os seus intérpretes. Invadindo a minha mesa. Só apanho (porque me é atirado pelos ares próximos...) EU fiz, EU vou fazer, EU gosto de, EU não gosto de, ... que desgosto d'ele. Os outros dois homens apagaram-se... e pagaram a conta, empurrando o grupo para fora do restaurante logo que lhes foi sendo possível!
- Ali, na mesa em frente, um protagonista da opereta tipo vienense, em cena na Avenida de Roma, Os viúvos tristes.
- Abundam as mesas de pessoa só. Como esta em que me sento e aponto mentes.
- Ali, o gajo no engate. Será que, acolá, é a gaja no engate? Quem vai ganhar? Se calhar dá empate. Ou perdem os dois!
- À volta, todo o "descharme" do mundo.
- Aqui, à minha esquerda, 6-homens-6, da várias cores, reformados do tempo colonial, com todos os tiques, comendo marisco alarvemente, bebendo cerveja às canecas, falando de futebol, das "glórias do passado", berrando unanimemente "qu'hoje não têm gajo nenhum que lhes chegue aos calcanhares".
- Os grandes candidatos ao Óscar (que seria renhidissimo com este juri) seriam o Matateu e o Eusébio, e, para haver um angolano, veio o Peiroteo (tinha que entrar um branco... e eu lembrei-me do Zé Águas, mas também do Coluna, cá para os meus botões...), e coitado do Mantorras!, que ficará sempre a grande frustração com o correspondente zurzir em médicos e dirigentes!
- O prazer da solidão povoada.
- Ou de... la solitude, je suis d'un autre pays que le votre, d'une autre quartier, d'une autre solitude, biologiquement je m'arranje avec l'idée que je me fasse de la biologie, je pisse, j' éjacule... (será assim, oh, Léo?)
- Às vezes, assim, em solitude, assalta-me a vontade de "apanhar" uma bebedeira... mas ela foge-me, ou esconde-se atrás da (ou mascara-se de) lucidez.
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
estórias de sussexo e de insussexo - 2
Nas viagens que então fizemos, algumas ficaram na memória com episódios a pedirem para ser contados como estórias de sussexo e de insussexo.
Eram conhecidas algumas características do senhor ministro (um jovem e corajoso capitão que tomara sozinho o aeroporto de Lisboa, em 25 de Abril de 1974), tal como a sua propensão para se relacionar intimamente com o belo sexo (que redonda maneira de dizer…).
Recebida a delegação – o ministro, um elemento de cada ramo das forças armadas e eu –, logo no almoço com o embaixador em Berlim, e respectiva esposa, houve um episódio que (talvez…) fique para outra estória.
Nesta, conta-se que a delegação, recebida com todas as honras, teve reunião com o ministro do trabalho de lá, e outras, e, para uma manhã, estava programada uma visita a instalações militares, da qual logo me exclui por ser paisano. Surpresa tive quando o ministro-capitão, no jantar da véspera, me disse que também não participaria na visita militar, e aproveitaria para ver comigo o discurso que eu estava a preparar para ele dizer na reunião da OIT, em Genebra, para onde seguiríamos depois.
Ora nessa manhã, após o pequeno-almoço, saíram os tropas, e ministro e eu voltámos aos nossos quartos com a combinação de nos encontrarmos mais tarde. Que eu lhe telefonasse…
Lá telefonar, telefonei... mas ninguém me atendeu. Pelo que resolvi ir à procura dele, convicto que fora erro de comunicação. Na recepção, disseram-me que o sr. ministro estava na sala de jogos, que era na cave, a jogar ping-pong com a intérprete (que me esqueci de dizer que era… uma verdadeira estampa!).
Por dever de ofício, fui lá abaixo. E deparei com uma maneira muito diferente de praticar desporto: uma esbelta alemã a fugir à volta da mesa de ping-pong, com um ministro português a correr atrás dela. Inopinadamente, pus fim àquela modalidade desportiva com pouco futuro.
Acho que o ministro nunca me perdoou…
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
estórias de sussexo e de insussexo - 1
Naqueles tempos e lugares, os portugueses eram olhados como heróis. Sobretudo, os capitães.
Estava um grupo de portugueses, do movimento da Paz, em Budapeste. Um, responsável, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, um professor universitário, de Coimbra, um trabalhador da indústria, do Barreiro, um trabalhador da agricultura, de Viseu, um “capitão de Abril”.
No hotel, estava também uma equipa feminina de atletismo da Polónia. Cujas atletas nos olhavam com a admiração com que nós as olhávamos a elas…
Por insistência do “nosso capitão”, promoveu-se um convívio num quarto daquele corredor. Três para três (o professor retirava-se cedo e quedo, o nosso trabalhador rural era tímido e não falava línguas). Convívio com algumas cervejas trazidas do bar e troca de impressões sobre as terras e a(s) vida(s).
Convívio que não estava a correr ao desejo do “nosso capitão”. Que, por isso propôs um jogo. Uma espécie de roleta. Uma garrafa de cerveja no chão posta a rodar e, para onde apontasse o gargalo, o designado ou tirava uma peça de roupa, ou cantava uma canção da terra dele ou dela.
Boa ideia!
Assim se fez.
E, nesta crónica, poupam-se pormenores e incidentes. Apenas se deixa contado que, até acabar a noite, isto é, até nos despedirmos cada um e uma para as respectivas caminhas, fomos 5 a cantar alternadamente, e também em coral, canções das nossas terras, e um capitão a tirar peças de roupa e a terminar “fardado” de camisola interior (das de alcinhas), cuecas e peúgas e a resmungar que só ele é que sabia jogar aquele jogo.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Ele há os filhos de...
,,, mas também há
as filhas de Rei que têm problemas de saúde, 'tadinhas
(e são capa de revista)
e as filhas de Presidente nosso-salvo-seja que jogam na especulação
(nos nossos bolsos...),
e há os genros e as genras,
e há as noras e os noros
... uma cambada de filhos... da Rainha
e de filhos... da Primeira (ma)Dama
as filhas de Rei que têm problemas de saúde, 'tadinhas
(e são capa de revista)
e as filhas de Presidente nosso-salvo-seja que jogam na especulação
(nos nossos bolsos...),
e há os genros e as genras,
e há as noras e os noros
... uma cambada de filhos... da Rainha
e de filhos... da Primeira (ma)Dama
Há trabalho! Ao trabalho! Bom trabalho!
Cheguei-me ao balcão para pagar a conta.
Olhei-me no espelho lá atrás, no meio de garrafas.
Vi-me velho e triste,
(quase) esmagado pelas notícias que me foram companhia ao almoço.
Vou pagar (... logo que alguém apareça...)
e vou dormir uma sesta.
Acordarei mais capaz para a luta. Que continua! Contínua
Olhei-me no espelho lá atrás, no meio de garrafas.
Vi-me velho e triste,
(quase) esmagado pelas notícias que me foram companhia ao almoço.
Vou pagar (... logo que alguém apareça...)
e vou dormir uma sesta.
Acordarei mais capaz para a luta. Que continua! Contínua
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Filhos de (ou netos de)...
Um Brel, Brel
... e o Brel "cucado":
... e o Brel "cucado":
Filhos de burgueses ou filhos das ruas,
Todas as crianças são como as tuas.
Filhos de reis ou filhos de plebeus,
Todos os filhos são como o teus,
O mesmo sorriso, as mesmas lágrimas,
Os mesmos medos, os mesmos suspiros.
Filhos d'algo ou filhos de ninguém,
Todas as crianças são filhas de alguém.
(… só depois, muito tempo depois…)
Mas…filhos de sultão, filhos da miséria,
Todas as crianças têm um império.
Torneiras de ouro sob tectos de palha,
Todas as crianças têm um reino,
Uma onda do mar, uma flor que dança,
Um pássaro que no azul do céu balouça.
Filhos de sultão, filhos da miséria,
Todas as crianças têm um império
(… só depois, muito tempo depois…)
Mas…filhos de família ou filhos de terceiros,
Todas as crianças são feiticeiros.
Filhos do amor, filhos de acaso,
Todas as crianças são poetas.
Eles são pastores, eles são doutores,
Fazem os caminhos por onde caminhar.
Filhos de família ou filhos de terceiros,
Todas as crianças são feiticeiros.
(… só depois, muito tempo depois…)
Mas… filhos de burguês ou filhos da rua,
Todas as crianças são como a tua.
Filhos d'algo ou filhos de ninguém,
Todas as crianças são filhas de alguém.
O mesmo sorriso, as mesmas lágrimas,
Os mesmos medos, os mesmos suspiros.
Filhos de burguês ou filhos da rua,
Todas as crianças são como a tua.
(onde está filhos de... pode ler-se netos de...)
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