faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

Brel, sempre e eu... j'arrive!

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Triplo-salto

No tempo em que eu pensava vir a ser "alguém" no desporto, particularmente no futebol ou no atletismo, não me limitava ao treino. Estudava as modalidades. O facto é que, tendo umas bases, quer práticas, quer teóricas, muito limitadas e tardias - nem os meus pais, nem qualquer parente ou vizinho, praticaram ou foram "amantes" de qualquer modalidade ou clube desportivo -, também não treinei com o afinco necessário nem estudei com a exigida atenção. Fiz umas coisas, aprendi umas coisas... Que retive e de que, hoje, me lembro como se fosse ontem, como é costume dizer-se.
É assim, aliás, em tudo. Fiz e sei umas coisitas...
Por exemplo, e é por esse exemplo que estou nesta ladaínha, o triplo salto.
Tomava balanço no escritório do meu pai, corria o corredor que teria aí 3 metros, atravessava a cozinha, passava pela varandita, fazia a chamada no degrau, e lá fazia o triplo-salto já no corredor do quintal. Não podia ser grande o salto triplo porque o muro era logo ali, a uns dez metros, mas era o que se arranjava a arremedar o que via fazer nos Estádio José Alvalade a alguns, como o Rui Ramos, do Belenenses, que colocou o nosso recorde na marca extraordinária (para a altura) de 15 metros e 54! (hoje, o Nelson Évora é campeão olímpico com 17,67 m., tem o recorde nacional em 17,74 m., e o recorde mundial é de um inglês com 18,29 m.).
Como a preparação e a técnica evoluiram neste intervalinho (!!!) de tempo!
Aprendi que o triplo-salto era pulo-passo-salto. Dava-se um pulo grande (o maior que se podia), um passo intermédio (para aproveitar o impulso sem desequilíbro) e acabava-se com o verdadeiro salto para cair na caixa de areia o mais longe possível bicicletando no ar (no meu quintal deveria ser para lá do muro, já no pátio dos vizinhos... ).
Agora... bem, agora são mesmo três saltos! Não há cá pulos e passos intermédios. É salto, salto e salto. Ah!, aqueles amortecedores e molas chamados pés!
Porque é que estou a escrevinhar sobre isto? Porque me apetece, e chegaria. Mas, também, por causa das eleições no Brasil. Foram um passo, dizem alguns. E com toda a razão, embora se possa descortinar uma certa frustração pelo tamanho do passo, esquecendo-se, quem o possa sentir, o que foi feito para o impedir (valeu tudo!), e o que teve de ser feito para que ele se desse.
O caso é que os saltos se fazem a partir dos passos. E o Brasil (e todos nós) parece estar a treinar triplo-salto e a apurar as suas técnicas. Às vezes, tem de se voltar atrás porque se pisou a tábua e a linha de partida. Não foi o caso do Brasil neste domingo. Brindemos.
O certo, certo é que não se passou dos 15 metros do Rui Ramos para os 18 metros do Nelson Évora sem muito treino e estudo. E não só do atleta, evidentemente!

(onde é que hei-de colocar este "post"?
Bom... vai para as ficções do cordel,
não quero pesar demasiado o anónimosecxxi!)

3 comentários:

Justine disse...

Muito bem contado!
E vivó povo brasileiro:)))

Pata Negra disse...

Se bem entendi, o que tu queres dizer é que o salto do Brasil vai chegar ao quintal do vizinho! Eu direi: é um gato, vai saltar de quintal em quintal, abrir todos os ferrolhos, vai ser uma festa e todos os porcos vão acabar no espeto!
Melhor dizendo: catorze e meio?! Mais sete e meio no Zé Luis?! 14+7=21; meio mais meio um, total 22 - isso não é uma discoteca que existe perto de ti?! Vamo lá!

Até já!

GR disse...

Ainda bem que viste a ser alguém “muito Grande” mas na economia, na área política e cultural do país. És uma mais-valia para todos nós e que seria de nós sem ti?
Quanto ao salto do povo brasileiro, foi o triplo salto e correu bem. Espero que continuem a correr, sem cair.
Adorei a tua tripla história.

Bjs,

Guida