faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Hom'Eça!

As vezes apetecem-me "habilidades" destas... ou d'Eças.

O Expresso está a fazer uma campanha Eça é que é Eça, mais sobre Os Maias!

Achei graça a esse título genérico de Eça agora:


para Maias, assinalando os Maias ou menos 125 anos da 1ª edição d'Eça livro.

E, desafiado, resolvi dizer Hora Eça, venham Maias d'Eças p'Eças!.

Feita a gracjnha, depr'Eça me despeço.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Passo a passo, porta a porta, cavaco a cavaco... até quando, Catilina?

De dívida em dívida,
de dúvida em dúvida,
de desgoverno em desgoverno,
de juro em juro,
de troika em troika
(troikando alegremente),
de avaliação em avaliação,
de passos em falso em passos em falso,
de portas abertas em portas abertas,
de cavaco em cavaco
(relvas já foi,
gaspar já foi,
álvaro já foi.
outros irão ou não),
de salvação em salvação,
de destruição em destruição

até à dívida impagável
até ao desastre final
até à revolução fatal
(para eles...)

Estórias para contar - 1 - ONDE o telefone toca

ONDE O TELEFONE TOCA!

Em tempos que já lá vão – de que alguns leitores ou ouvintes se recordarão – havia um programa de rádio chamado “quando o telefone toca”.
Se bem me lembro, o telefone tocava e um rádio-ouvinte pedia uma música – “posso pedir um disco?...” e tinha de dizer uma frase publicitária patrocinadora do programa –, e o disco, de vinil, claro!..., era posto no prato e servido ao “estimádóvinte”.
Passaram muitos anos e, agora, a estória é outra. Mas que tem ainda uma outra pelo meio. Que é a de “onde estão os meus óculos?”. Estória esta que até deu para título de um livro que me ofereceram quando fiz aí os meus 50 anos, isto é, pela primavera… quando só usava óculos para ler, os de “ver ao perto…”, como se dizia, e acontecia, às vezes, mas só às vezes…, não saber onde os deixava.
“Mas onde raio pus eu os meus óculos?”
Isso passou. Agora os óculos são acessórios permanentes, e até lhes chamam progressivos quando o que acontece é que a visão é regressiva, Tanto assim que há netos que julgam que os avós são aqueles seres que nasceram com óculos, e que servem para eles fazerem aquilo que os pais não os deixam fazer.
… Não nos desviemos do tema e título…
Já não se procuram os óculos, desde que passámos à fase – muito curiosa e engraçada… para os outros… – de termos andado à procura deles com eles postos pendurados no nariz.
Agora a nossa preocupação mais frequente (por mim falo…) é onde teríamos deixado o telemóvel.
Invenção mais recente para o quotidiano do ser humano, o telemóvel tornou-se numa espécie de prótese do ouvido, ou um prolongamento dos dedos e, pela sua dimensão e mobilidade, é frequente não se saber onde ele está.
Qu’é do meu telemóvel, raispartaisto…”

E procura-se, desesperadamente – como se fosse Susana… –, em todos os lugares em que o telemóvel, evidentemente, não está. Nos bolsos do roupão, do pijama (há os que os têm), na casa de banho (ao lado da sanita ou na prateleira da banheira), nas algibeiras das calças que se vestiam ontem, no meio dos comandos da televisão, entre o rato e o computador… sei lá, nas cómodas e incómodas, nos sofás e cadeiras de jardim “... ah! espera aí… terá ficado no carro ontem à noite?”
E passamos em revista todas as últimas horas da nossa vida (incluindo as do sono), revistas sem objecto à vista.
Até que surge o uso ao último recurso.
O telefone toca… e onde toca o telefone será onde o telefone está. Eureka!
Começa, então, uma nova saga. Se o salteador ou o procurador do telefone perdido está acompanhado, pede o auxílio de quem o acompanha; se não está, mas tem a companhia de um telefone fixo, serve-se deste.
Melhor é a primeira hipótese por mais telefonicamente móvel.
“Empresta-me aí o teu telemóvel”.
Vencidas as eventuais resistências (“há coisas que não se emprestam..., não tens um?”, “tenho mas não sei onde está… e é para o o encontrar”, “és sempre a mesma coisa… nunca sabes onde pões as coisas”, e etc. e tal).
Assim preparados para a busca, por mão própria ou marcação alheia, lá vamos marcando o nosso número, de ouvido à escuta, escrutinando a casa toda à procura do som que há-de vir não se sabe de onde, chamado pelo toque de um outro colega de telecomunicações.
A ver onde o telefone toca. Ou melhor: a querer ouvir onde o telefone há-de tocar.
E, às vezes, corre-se a casa toda, e o pequeno jardim e vai-se a outro móvel, ao automóvel.
E ele, o telemóvel desaparecido ou escondido, acaba por aparecer. Com um som sumido, quase se diria tímido e arrependido.
Nos sítios mais inimagináveis. No meio da roupa da cama, debaixo do banco do automóvel, no fundo da algibeira de uns calções que – julgávamos nós – não vestíamos há meses e experimentáramos ontem, já meio-a-dormir, no vaso de flores a fazer companhia a um ramo ontem apanhado para enfeitar a casa, no saco com que se foi às compras, num outro daqueles sacos para meterem os jornais que queremos ler e onde metem tudo o que ler não queremos, ao pé da comida do gato, entalado nas dobras das almofadas do sofá, no meio de um livro… sei lá, nos sítios mais incríveis.
Quantos cantos e santos da casa já descobrimos por toque e graça de um telemóvel perdido episodicamente, e afanosamente procurado por chamamento sonoro?
São as maravilhosas aventuras do tempo presente. Outras virão!

Sérgio Ribeiro

domingo, 7 de julho de 2013

Este tempo (e escrita) só pode ser de ficção... e de cordel!

Estória de uma gralha

«O senhor ministro, lider de partido, ex-jornalista-director de jornais para intrigar, comprador de submarinos por forma que - lá fora... - leva outros a tribunal, com passagem por universidades novas e novas universidades, malabarista costumeiro e contumaz, puxou os punhos da camisa, ajeitou o nó da gravata e a banda do casaco, pigarreou e ditou, com o seu ar imperativo, para a secretária ou secretário  favorito:

"... sendo assim, tomei a decisão clara e revogável de..." 

A secretária (ou o secretário?), embevecida/o com a pose e a pompa da circunstância e a postura imperiosa ou imperial, teve um momento de desconcentração, de que logo recuperou, e escreveu:

"... sendo assim, tomei a decisão, claro irrevogável, de..."

Tudo se explica, e comprova como um pequeno pormenor pode mudar os rumos da História... e reforçar a desacreditação de quem já não tinha credibilidade nenhuma.»


A propósito, ou a despropósito,
lembrei-me de como começa
a História do Cerco de Lisboa do Saramago.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ainda?, sempre!

Cá vou,
não cantando e pouco rindo,
mas contando e continuando
pelos meus cantos
... como se fosse um cisne.

Assim,
cisne me vejo,
no espelho da juventude,
enquanto,
aos olhos de muitos outros,
serei o patinho feio
e já fora de prazo
(o que até tinha asas e não quis voar!)

Cá vou,
contando e continuando,
pelos meus cantos e cantinhos,
a procurar chegar,
com o "canto do cisne",
onde a voz me chegar.

Ainda quanto tempo?
ainda o que for.
Sempre!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

É preciso (des)ocupar o "espírito" quando demasiado ocupado

Há quem cante, eu tento contar.
Há quem desenhe durante e ao lado das notas, eu escrevo ou jogo com as palavras. (Quase) tudo para deitar fora:


  • A dívida
  • A dúvida
  • As dúvidas
  • As dívidas
  • A dívida interior
    • (do imo)
  • A dúvida pública
    • (soberana!)
  • A dívida cartesiana
    • (metódica!)
  • A dúvida em % do PIB

domingo, 26 de maio de 2013

DIREcTO... adverbiando

tanto li e tanto escrevi,
que não sei onde li,
que não encontro onde e quando escrevi.
Se tivesse esperado tudo aprender
para alguma coisa  tentar ensinar,
nada teria divulgado.
Escrevi demais?
Talvez...
De certo, deveria ter escrito melhor

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O "senhor Horácio"

O “senhor Horácio” era um dos meus “chóferes”. Era assim que se dizia…

Horário era o nome de um  funcionário que, naqueles idos anos de 1975, tinha a tarefa de motorista da Direcção-Geral do Emprego, adstrito prioritariamente a transporte do “senhor director-geral". Que era eu.

E eles eram dois. O Espadinha, em primeiro lugar, que logo se apresentou como camarada e como tal se comportou sempre. E continua. Com encontros frequentes, embora espaçados. (Amanhã talvez nos abraçaremos em Belém). O Horário, nessa tarefa de me transportar, substituía-o, por conveniência ou arranjo de serviço. Para que o director-geral pouco tinha a ver…

Muitas vezes o fez mas de duas vezes me recordo. Porque foram especiais.

Uma, porque foi desagradável, ou porque ele, o Horário, não escondeu o desagrado ou a inconveniência que o serviço lhe provocara.

Foi numa ida inesperada a Arraiolos, por causa da Cooperativa Fraternidade, dos tapetes, e para que o Espadinha não estava disponível, por causa de outro qualquer serviço, ao serviço da D-G.

Não havendo Espadinha, lá teve de ir o Horácio, o que veio complicar a sua organização de vida... onde se incluía um turno de taxista. O que vim a saber ao cuidar de conhecer a razão do seu inhabitual ar carrancudo, que o pagamento de horas extraordinárias não apagava.

Mas lá se compôs tudo… e o regresso, já tardio, foi feito na costumeira conversa amena.

A outra, terá sido por arranjos outros. Foi o caso de uma ida a Viseu mais beiras interiores, terras que dele eram, e em que havia pernoita. E, por isso, o secretariado (da Direcção-Geral) arranjou as coisas por forma a que eu fosse conduzido pelo Horácio. Tudo certo. 

Eu deveria ficar num hotel qualquer, mas o secretariado não reservara e – foi-me dito – isso ver-se-ia com o delegado do director-geral de Viseu.

Mas havia ali alguma “conspiração”... e, no começo da viagem, o Horácio, com algum tacto, pôs-me a questão se eu teria problema em considerar dormir na casa dele, na aldeia. É que assim tudo se conciliaria. O serviço e os interesses pessoais. Eu logo o pus à vontade, dizendo-lhe que, se era um convite, o aceitaria de bom grado.

E a viagem de ida decorreu em ainda melhor disposição. Sempre boa, apesar de, de vez em quando, o Horácio extravasar preconceitos anti-comunistas e afirmar a sua postura “social-democrata” (ou seria “socialista”?...).

Ao fim do dia de trabalho, que nunca terminava cedo, lá fizemos os quilómetros que nos separavam da aldeia e casa familiares do Horácio, e (se bem me lembro) fui recebido pelos pais com a hospitalidade costumeira, e terei adormecido debaixo de uma montanha de cobertores que, nem por isso, apagaram a memória de que rapei muito frio.

De manhã, relativamente cedo, banquetearam-me com um pequeno-almoço (melhor se diria pequeno-banquete), e o "senhor Horácio" fez questão de me mostrar a propriedade.

Visitei a casa e os seus baixos e anexos. E não me esqueço de um pormenor para que o Horácio me chamou a atenção. Na vastos baixos com adega e lagar, segundo ele seu recente contributo para a casa paterna, fizera as obras por forma a que, a vir a haver (ou quando houvesse…) partilhas entre os seus três filhos, ainda crianças, tudo fosse fácil e as “partes” fossem iguais, e havia pilares que poderiam continuar-se por paredes a dividir o espaço em três.

Impressionou-me aquela preocupação sobre herança e partilhas a longo prazo. Tanto que aguardei como memória inapagada. Talvez resultado da “qualidade” de filho único de filho único.



Mas… o "senhor Horácio"… que será feito dele?, e dos três filhos (se por aí se ficou)?

O que a memória nos traz!





segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ontem, antes de me deixar adormecer

Ontem, antes de me deixar adormecer, à roda da/às voltas com a felicidade...

Nalguns lugares
nalguns momentos
sei
- hoje sei -
que fui feliz
naquele lugar
naquele momento.

Mas não o sabia
naquele momento
naquele lugar.


Mais do que procurar ser feliz,
a minha busca de felicidade
foi a recusa de ser infeliz!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Num regresso, a pé, pela madrugada


Três notas, tiradas  de papéis rascunhados:

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 1.     Mar é morada de saudade (de letra de morna)

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2.     Vou pensar na partida
Vou querer ficar
Violão vai chorar
Vou ir com a solidão
É hora di bai!
(“arranjo” sobre letra de morna)

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3. Vivo não para ter “um lindo enterro” 
mas para viver o melhor que puder, 
i.é., o mais vivo e coerente possível,
 até ao fim.