faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

sábado, 7 de março de 2015

AUTO-CRÍTICA 
DE UM SUJEITO (à sua) MORAL

Sou o merdas de um teórico que só lê, que lê e quer que todos leiam e estudem, essas porras…, que passa a vida a mandar “bocas”, que nunca se drogou nem nada disso (nem ao menos a merda de um charro…). Sou o que tem a mania que é sério, cheio de ética. A ponta de um corno!

isto não vale nada!, 
isto vale tudo… para mim

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Quando. Agora.

Quando.
Quando
nem sei para onde me voltar.
Quando de todo o lado
me chegam sinais
(ou mais que sinais…)
de rejeição
(por vezes, escondidos, sabotando)
de projectos ou propostas minhas 
ou a mim dirigidas;
ou descubro insinuações de que estou 
com o prazo de validade expirado;
ou interpreto implícitas certidões de óbito.
Que fazer?

Quando.
Quando
me sinto ilha deserta.
Quando só vejo mar e pontes abatidas,
E sufoco rodeado de gente por todo o lado,
que me mira com olhar estranho e de estrangeiro.  
Ou se não sei que dizer que seja ouvido 
e nada ouço que valha ouvir.
Ou me pareço aquele da anedota 
do único com o passo certo.
Como reagir?

Estrebucho.
Triste de não poder mais 
e sem procurar Pasárgada.
Mas…
… só posso ter um modo – meu –:
é o de levantar a cabeça.
É o de me mostrar (a mim!) que estou vivo.
Ainda!
E que este filho de sua mãe tentará 
só estar morto e a arrefecer
quando morrer.
Ou seja, que quer manter-se vivo 
enquanto vivo estiver!

Mas o facto facto (e dele me orgulho)
é que nunca a nada me acomodei,
é que quis ajudar a transformar o mundo
    – e continuo a querer !

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Com passaporte ( e visto... de S.José das fronteiras?)

Já perdi a oportunidade
de morrer e de ter um lindo enterro
- membro do CC, "autor" do Som da Tinta,
presidente da direcção do JO (na 1ª divisão!).
membro (viril) da Assembleia Municipal
... e mais coisas que tais.

Foi em 2006
e o cancro do colon não me levou
porque o Martinho não deixou.

Perdi a oportunidade...
e o que não tem remédio,
remediado está.
Perdi a oportunidade!

Em contrapartida,
continuo vivo.
e ganhei mais companheira,
e ganhei queridos netos,
fiz livros...
ganhei tempo...

... e um passaporte
com visto para a eterna idade,

10.02,2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uma coisa da "arca do velho"


UMA ESCALA PARA OS HORRORES

No nosso tempo

A indizível, a invisível, a surda
     A exploração do homem pelo homem
     A repressão violenta

A (re)conhecida, a gritada
     Os curros do Aljube
     As salas de interrogatório e tortura
     Caxias e Peniche e outras
     Tarrafal
     Auschwitz 
     e tantos outros lugares

Nos tempos dos tempos

Consequências da necessidade metafísica
     A Santa Inquisição por amor de Deus
     A barbárie ordenada por Allah
     Os horrores em nome de outros-todos-os-deuses

domingo, 8 de fevereiro de 2015

QUE TEMPO ESTE....

Que tempo estranho este em que estamos!

Estamos estranhos uns-para-os-outros,
sendo nós-os-outros

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

enCURRALado

(talvez devesse ter vindo para aqui mas, no caminho, "perdeu-se" pelo anónimo sec. xxi)

. em restaurante com toalhas de papel:

  • "... cento e não sei quantos mihões no euromilhões..."
Não jogo!
nem no euromilhões 
nem em nada parecido.
Se eu ganhasse esses milhões todos
ficaria tudo na mesma
                    menos eu...
e o que quero é ajudar 
                    a mudar tudo!

  • "... cresce a pobreza em Portugal... cada vez há mais crianças com fome..."
logo que chegar a casa vou (transcre)ver o EDITAL
do JOAQUIM NAMORADO:



Edital

Foi afixado 
nos locais do costume 
que É PROIBIDO MENDIGAR. 

Logo mão que se descobre 
escreveu a tinta por baixo 
MAS NÃO É PROIBIDO SER POBRE. 

(Joaquim Namorado, in "A Poesia Necessária")

domingo, 21 de setembro de 2014

Dias de agora - contábil idade

(...)

Ao lembrar paleio futebolístico em que, nos comentários, o espaço do rectângulo se divide em terços, e as questões se colocam ao nível do terço defensivo, do terço médio ou do terço ofensivo (como o Sporting está a falhar neste último terço!), reconverti o espaço em tempo (de vida) e tomei umas notas enCURRALadas sobre este último terço em que estaria.

&-----&-----&
E escrevi qualquer coisa como (acrescentado com cálculos feitos aqui à secretária):

No último terço? – não querias mais nada

No último quarto? – também já lá vai

No último quinto? – contas pouco certas

No último sexto? – isto é, até aos 94?!, não seria mau desde que…

No último sétimo? – daria 91, e preparo-me para tanto(s)… pelo menos

No último oitavo? – é mais uma década e um anito de troco

No último nono (mas não nô-nô…)? – mais uma década… sem trocos

No último décimo? – 87 anitos folgados… vamos a ver e vivó velho!

 &-----&-----&
Não, não estou obcecado, ou com uma ideia fixa.
&-----&-----&
Mas estou, acho eu, lúcido… e estatístico.
(...)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Na mesa ao lado, num fim de férias emigrantes

Ao comando, o pai. De braços (e gestos, e tudo... como a sua vida) musculados, duros.

Em frente, indiferente, o filho. Com duas linhas em vez de braços a terminarem em polegares... a polegarem um telemóvel.

Ao lado do pai, a mãe. Calada. Atenta. A tentar "pontes". Insegura, inquieta, na procura (inútil) de equilíbrios e sorrisos.

No canto recanto, palco escondido, a filha. À margem (talvez em França ou mais longe). De calções e maquillage suposta ou imaginadamente provocadores (para quem?).

no XICO  

Num desvio (?) de "uma volta ao mundo das ideias económicas" (Avelãs Nunes)

Não se esqueçam
(ou lembrem-se!...)
que todos temos o mesmo destino.
O que Keynes - por maus motivos e más causas - 
tão bem prognosticou:
a longo prazo todos (mas todos!) estaremos mortos.
Valeu a pena viver?
Sim!!! se tivermos sido conscientes, coerentes
... e felizes.

enCURRALado