faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

sábado, 28 de novembro de 2015

quebrararn-se os (meus) laços

dizia,
todo impante,
ter jogado à bola no campo de S. Sebastião
          com avós
                  pais
                  filhos
                  e netos!

já não há (há muito!) campo de S. Sebastião
já não há, agora, um avô desses tempos
já os raros pais têm escassa memória
já os filhos não têm recordações
já os netos não me conhecem
          sabem lá quem eu sou
          quanto mais quem eu fui
          (ou vice-versa
          ... dá na mesma!)

EnCURRALado
27.11.2015


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Tivesse eu...


  



TIVESSE EU…


Tivesse eu sonhado
Tivesse eu adivinhado
Tivesse eu querido
Tivesse eu sabido
Tivesse eu podido
Oh!, tivesse eu sido
… mas apenas sou!
Apenas sou o que sonhei
O que adivinhei
O que quis
O que soube
O que fiz
… ou o que ajudei a ser feito
E dou-me por satisfeito
Vivi!
E vivo estou…
(empedernido… mas vivo!)

S.R
(publicado 
- e muito elogiado, apesar de mal paginado -.
no boletim nº4 da USO)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Uma "ideia" de cidadania

O "cidadão ideal" para o Expresso:

"Para terminar, sugiro que compense a agrura das notícias reclinando-se (ou imaginando que se reclina) numa cadeira desenhada por Aalto e produzida pela Artek e vá espreitando o Expresso online até à hora do Expresso Diário."

e, depois, há... os outros

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ao almoço, bem servido... com mosca(&)tal

I
Indignação é a palavra
ao discurso de posse de Passos
 (cinismo?
hipocrisia?
venha o Cavaco e escolha)
… e uma mosca à roda…

Um assalt(inh)o de desesperança,
a idade,
o estado de saúde
… e esta mosquinha tonta…

Um surt(ead)o de impaciência,
esta gente à volta
            que irrita
estas vozes estridentes
            que arranham
… e a mosca que não me larga…

II
E os dentes (bem) pagos
a dançarem na boca
E os olhos a chorarem
            sem razões (?) para isso
… e a mosquita a voltear…

III
E o tempo a passar
E o tempo que sobra
… e a mosquinha a pousar aqui e ali…

IV
O ser humano… humano será?
o ser humano… humano é?
                               humano será!
rais parta a mosca… (já te digo!)    

V
Os olhos do homem
seguem o corpo da mulher
… é a lei da caça!

Quando os olhos do ser humano
seguirem os passos do humano ser
… será a lei da História!

VI
Toda a gente a dizer que gosta de mim
E eu a gostar de toda a gente

VII
Sou este velhote (ou velhinho)
            da mesa do canto
que  meta as fontes entre os polegares
nos intervalos de escrever, escrever,
            de escrever… um inevitável cansaço

VIII
Uma falta de apetite
de comer o que me puseram no prato
 (só me apetece sopa passada!).
… e a mosca a pousar, insistente
Uma sede insaciável,
com o copo s encher
e logo a esvaziar-se
… outra vez a mosca?...ou será outra?...

IX
Ninguém acredita no milagre,
salvo os fanáticos ou os doentes,
ou melhor:
            ou os fanáticos doentes
            ou os doentes fanáticos
E a Lúcia!
… e a mosca, saltitante, a escapulir-se…

X
Na busca (desesperada)
de perceber os outros,
perco-me
            da compreensão de mim mesmo,
                                            do que sou

XI
O que está
(o que é!)
                           adquirido?

XII
Os meus dedos
            (e sua escrita)
deixaram de me obedecer

XIII
Como traduzir em legível
o que escrevi
e ilegível ficará?

XIV
Traga a conta, por favor
… e leve a mosca!… (ou as mosquinhas) 

  


CURRAL
na sexta-feira,
30 de Outubro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Gostar tanto da vida

Ser tanta a alegria de viver
e estar tão triste por a vida nos fugir...
a cada passo,
em cada gesto, 
minuto a minuto vivido.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

não é ficção e muito menos do cordel...

O José João, da ID, suicidou-se. 
Como em qualquer outra circunstância, a notícia foi brutal.  Nada me ligava, com intimidade ou afecto particular, a este companheiro de luta, encontro de muitas ocasiões, sempre agradável, sempre simpático e afável. 
Como o foi o de sábado. contra as manobras da NATO. Mas este, de há três dias, tornou mais brutal - e particularmente brutal - a notícia brutal do suicídio  de um companheiro, encontro de tantas lutas.
Muito conversámos durante as quase duas horas em que estivemos juntos e nos cruzámos com tanta gente. Descemos o Chiado, subimos o Chiado. Em conversa sempre viva e muitas vezes interrompida por outras conversas de passagem e abraços. Assistimos, juntos e trocando impressões, ao comício no Largo Camões. 
Revejo o que dissemos, reconstituo quase palavra a palavra. Tenho, na minha frente, o endereço que o José João escreveu num pedaço de papel, e para onde ia enviar o "coisas da arca do velho", quando chegou a notícia.
Tudo parece absurdo, sem sentido.
E revolve-se, cá bem dentro de mim, a busca inútil de uma palavra dita ou não dita por mim, de um gesto ou de um comentário meus, e que, naquele último sábado, pudessem ter contribuído, na imensidade de palavras, de gestos, de  comentários que, ao longo de uma vida, terão levado um homem a desistir de viver.

sábado, 24 de outubro de 2015

coisas de que tenho andado arredio

na "TRINDADE"

Aqui!
Quantos anos depois?
Depois de
... há tantos anos...
ter sido um meu "refeitório"!
Aqui regressado
a caminho de ir dizer NÃO à NATO
com a mesma convicção de sempre,
sempre acrescida
... e a crescer. Sempre!

Só!
O único só numa mesa,
a comer os percebes, 
o bife do costume e duas "mixtas"
Só... eu!
Em casa cheia,
com tantoutros à volta
e quantos sózinhos em mesas de vários?

domingo, 4 de outubro de 2015

4 de 0utubro

Eu - ... Olá!, vivam!... vieram votar?... já votaram?
Eles  - ... já...
A resposta, os olhos a fugirem dos olhos qual amarras, tornavam dispensável a continuidade da pergunta (meio a sorrir)
Eu - ... e votaram bem?
Eles - ... sim... 

- um sim apagado, tímido, com olhos a fugirem dos olhos, e a (ténue mas certa) consciência de que fora não porque fora contra eles próprios.

mudámos, rápido, de "cumbersa".

sábado, 3 de outubro de 2015

Coisas da arca




















Adriana,
no Chico Santo Amaro

Resposta sábia... e a universalizar

MJ - ... então... aprendeste alguma coisa?
SN - ... quando se sabe pouco aprende-se sempre muito!

resposta "à Einstein",
que sempre achou que sabia pouco!