faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

quarta-feira, 14 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Caminho



De olhos na estrada,

calcorreio, passo a passo,

o espaço que percorro,

fixado no que será o meu chão.

Levanto os olhos do chão,

levanto-os para os verdes das árvores,

para o azul infinito.

Levanto os olhos para o horizonte

(não para o céu em que tantos acreditam).

Faço, a andar, o caminho

(que não há outras maneiras de o fazer…).

Já vejo a casa e o poiso.

Desta vez chegarei!


Por quantas mais?

domingo, 4 de março de 2012

e depois de agora?... e fora de aqui?

O meu problema é sempre o mesmo:
sinto-me bem... e depois?
sinto-me bem hoje, onde estou... e mais tarde, fora de aqui?
sinto-me bem nas cercanias, agora... e nas lonjuras, mais logo?

sexta-feira, 2 de março de 2012

É isto que eles querem...

Fazer de cada homem um explorador.
E de cada explorado um não-homem!

puta que os pariu !
(em grito!)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Já fui "doente" (há muitos anos...)

... mas curei-me. Mas de ser português não me curarei...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dêem nome a esse néné!

Não é preciso baptizar... mas vocês é que sabem!

Recordacções...

Creio que foi no princípio dos anos 60 (há 50 anos!), na revista do ABC, teatro do Parque Mayer, a vedeta era António Machin. Tempo de guerra colonial. Pediu-se-lhe para cantar "angelitos negros". Fez-se um pouco rogado porque, disse, muito o emocionava cantar aquela canção. E cantou-a. Chorando. Eu vi. Ou a memória assim me traz a recordação!

ANGELITOS NEGROS

Pintor nacido en mi tierra
con el pincel extranjero
pintor que sigues el rumbo
de tantos pintores viejos.

Aunque la Virgen sea blanca
píntame angelitos negros,
que también se van al cielo
todos los negritos buenos.

Pintor, si pintas con amor,
por qué desprecias su color,
si sabes que en cielo
también los quiere Dios.

Pintor de santos de alcoba,
si tienes alma en el cuerpo,
porque al pintar en tus cuadros
te olvidaste de los negros.

Siempre que pintas iglesias
pintas angelitos bellos,
pero nunca te acordaste
de pintar un ángel negro.

Oh, Maria!... isto faz-se?
Obrigado!
No fundo somos todos uns sentimentais...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Uma espécie de concurso

Fora do meu cantinho de trabalho e vida para estes anos, por exultantes motivos - que muitas vezes me levarão a migrar -, trouxe "trabalho para fora de casa", até porque há compromissos a cumprir, como a participação, hoje â tarde, numa iniciativa em Carnaxide, no Centro de Trabalho.

A ler uma entrevista, de que não digo a data nem com quem, surgiu-me a ideia/exercício de transcrever frases e de fazer um espécie de concursos. Algum dos eventuais passantes, quer arriscar

quem foi que o disse e quando?

À pergunta sobre que pensa da previsão do primeiro-ministro (à data) de que, com os empréstimos (a "ajuda") "a nossa economia poderá reequilibrar-se dentro de quatro anos" 

frase 1  - não é assunto para me pronunciar levianamante: tenho responsabilidades como economista.
frase 2 - os empréstimos ajudam a resolver as dificuldades de pagamentos externos.
frase 3 - Ponto importante é o das consequências a médio e longo prazo.
frase 4 - Como se trata de empréstimos e não de donativos, será necessário pagar juros e os próprios capitais.
frase 5 - muitos dos empréstimos contém cláusulas impondo as compras nos países em que se aplicam no país que empresta...
frase 6 - O capitalismo tem os seus códigos de fraternidade - mas os efeitos sobre a balança de pagamentos que se está a ajudar são, por vezes, pesados.
frase 7 - numa situação precária como a portuguesa, o "banqueiro" domina o jogo, agora que está a emprestar e, depois, quando se tratar de cobrar juros e indemnizações.
frase 8 - Eles, nos EUA, na RFA, no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial (vão sendo sempre os mesmos), sabem das dificuldades e da sua provável persistência; seguram-se, impondo um juro político que vai da "brigada NATO" até à liberdade de movimentos das forças de direita.

Chega? Mas havia tanto mais e tão interessante! Mais algo virá com a resposta, 2ª feira, aos eventuais concorrentes. 
Arrisquem, embora nada haja para petiscar...

Não era para vir para aqui. Mas, já que veio, fica... com uma prova do "exultante motivo"
D. Neto, o 1º

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Purificado"

Excerto de "dias de agora":

Eis-me "purificado" de um terrível pecado mortal que por vezes me assaltava, apesar de morigerado pela amizade de alguns dos invejados/as que, cheios de caridade cristã, me diziam atribuir-me ou partilhar comigo a benção de ser avô.
Obrigado a todos.
O céu está-me mais acessível liberto desse mortal pecado.
E a "purificação" está a trazer consigo outras bençãos colaterais. Assim como questiono quanto tempo pode durar o "canto do cisne", me pergunto quantos dias viverei em "estado de graça".  

domingo, 22 de janeiro de 2012

"Cenas" em toalha de papel à volta de um jantar sozinho

  • São dois casais na mesa da direita. Comem silenciosamente, ou sem que os sons venham até mim ou me atraiam o ouvido e a atenção. Convocado efusivamente por uma delas, chega um 3º homem (tipo Orson Wells...). A animação instalou-se. E a desanimação. Cada uma com os seus intérpretes. Invadindo a minha mesa. Só apanho (porque me é atirado pelos ares próximos...) EU fiz, EU vou fazer, EU gosto de, EU não gosto de, ... que desgosto d'ele. Os outros dois homens apagaram-se... e pagaram a conta, empurrando o grupo para fora do restaurante logo que lhes foi sendo possível!
  • Ali, na mesa em frente, um protagonista da opereta tipo vienense, em cena na Avenida de Roma, Os viúvos tristes.
  • Abundam as mesas de pessoa só. Como esta em que me sento e aponto mentes.
  • Ali, o gajo no engate. Será que, acolá, é a gaja no engate? Quem vai ganhar? Se calhar dá empate. Ou perdem os dois!
  • À volta, todo o "descharme" do mundo.
  • Aqui, à minha esquerda, 6-homens-6, da várias cores, reformados do tempo colonial, com todos os tiques, comendo marisco alarvemente, bebendo cerveja às canecas, falando de futebol, das "glórias do passado", berrando unanimemente "qu'hoje não têm gajo nenhum que lhes chegue aos calcanhares".
  • Os grandes candidatos ao Óscar (que seria renhidissimo com este juri) seriam o Matateu e o Eusébio, e, para haver um angolano, veio o Peiroteo (tinha que entrar um branco... e eu lembrei-me do Zé Águas, mas também do Coluna, cá para os meus botões...), e coitado do Mantorras!, que ficará sempre a grande frustração com o correspondente zurzir em médicos e dirigentes!
  • O prazer da solidão povoada.
  • Ou de... la solitude, je suis d'un autre pays que le votre, d'une autre quartier, d'une autre solitude, biologiquement je m'arranje avec l'idée que je me fasse de la biologie, je pisse, j' éjacule... (será assim, oh, Léo?)
  • Às vezes, assim, em solitude, assalta-me a vontade de "apanhar" uma bebedeira... mas ela foge-me, ou esconde-se atrás da (ou mascara-se de) lucidez.