faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

domingo, 28 de abril de 2019

Mesas ao lado...

Ele há cada cretino...
este, ali de perfil,
convencido e cheio de si,
isto é, VAZIO

a falar de Salazar e da 2ª guerra,
de Goa, e de Dadrá e Nagar-Aveli

Fala, fala, fala
     e bate com a mão na coxa...
Pode (será possível?) estar a dizer coisas certas...
     .... é um cretino, um velho tonto!

Um casal jovem
face a face
que não se olham nos olhos
que não se vêem
que dedilham 
(cada um de seu lado da mesa)
o seu  telemóvel...

Porquê?, porque razão?... perguntas tu....

... mas para tudo são precisas razões?
Neste  tempo sem razão,
neste tempo em que o tempo foge 
e a razão esmorece...

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Por aqui passando...

Por onde tenho andado?
Que tenho feito?
que aqui nada tenho deixado...

Por outras ficções,
puxando outros cordéis,
vivendo outras/a mesma vida.
(que outra não há!)

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

"2019 - 1º dia

o que eu teria escrito na toalha de papel...
se não tivesse almoçado (opiparamente...) em casa:

ESTE É UM TEMPO TÃO TÃO DESEQUILIBRADO
QUE SÓ OS DESEQUILIBRADOS (OU EQUILIBRISTAS?...)
PARECEM EQUILIBRAR-SE!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Serei?...


Sou um cidadão comum,
cidadão como um,
que aprendeu com a vida
a ser apenas e tudo isso:
um cidadão comum,
como um e como todos.

Sou um cidadão comum,
cidadão como todos
os de antes e os de depois,
os de antes de eu ter sido
e os de depois de eu ter sido
este cidadão comum.

Como todos e como cada um,
ou seja (se for...),
todos e cada um
de antes de eu ser,
enquanto sou,
e depois de eu ter (s)ido.      

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Para reflexão e uso próprio


CIDADANIA(S)
uma leitura


A perspectiva-concepções que o ser humano vai formando e tendo – de si próprio, da vida, do mundo –  extrema-se entre o olhar para o umbigo pelo interior das suas entranhas, todo enrolado dentro de si, e o que sente e vê com os olhos atirados para fora só a verem à volta, abaixo e arriba, uns verdadeiros cata-ventos.
Outras imagens poderiam ajudar a estas redutoras simplificações e adjectivações. Como a de observar ao microscópio as minúcias invisíveis ou a de usar lentes macroscópicas para ver o que o olho desarmado nem vislumbra à distância de anos-luz. Como a de o ser humano muito se preocupar e só se ocupar com ninharias, ser um coca-bichinhos, ou de o ser humano de tudo se despreocupar, nada o ocupar, ser um cabeça-de-vento.

Não juro, mas estou quase certo que não há casos estremes, exemplares puros. Toda uma imensa gama se estende entre as duas fronteiras. Diria mesmo que cada ser humano é – enquanto é – único.
Depois, nessa misturada que forma e em cada momento transforma o ser humano, nessa miscigenação de genes e de circunstâncias que cada um é, há encontros, desencontros, e encontrões. Há o com-viver, há a socialização. A cidadania…

As cidadanias (a vivência em colectivo, socializada, nas cidades pelo mundo) sempre mais próximas – por terra, por mares, por ares, por ondas… magnéticas ou o que são ou vierem a ser – e sempre mais interdependentes. Interdependência assimétrica mas interdependência inevitável e inelutável.

Com a informação a ganhar cada vez mais determinação.

Em que mundo vivemos?, como o humanizar?
… ou como, um-a-um e em grupo(s), impedir que se deshumanize (mais…), ou – até! – que se destrua?


23/24.10.2018

terça-feira, 2 de outubro de 2018

LIVRES E “À SOLTA”



De pólvora seca?

Estarei a “queimar os últimos cartuchos”…
Mas, que querem?..., ninguém me convence que já não tenho cartuchos para queimar e que, lá por serem os últimos, não vale a pena dispará-los.
Não seria disparatado disperdiçá-los?


Com dores

À maneira de (uma) Pessoa (qualquer):

Qualquer pessoa,
quanto mais velha
mais finge sofrer as dores que deveras sofre.


Muito aquém…

Há muito quem se diga “de esquerda”
            porque não gosta de desigualdades e injustiças
            porque não é racista
            porque não sofre de homofobia (pelo contrário)
            porque gosta de bichos e do resto da natureza
           
E tenha, ainda, outras qualidades…
… mas não vai além!                                


terça-feira, 11 de setembro de 2018

EM VELHO CIMENTO


EM VELHO CIMENTO

Envelhecer é fácil. É rápido. É para milhões. Mas não é para todos… há os que ficam pelo caminho.
O que é difícil é em-velho-ser. Pessoalmente, o que é mesmo muito complicado é o estado em-velho-sou.
Em que estou. De passagem.
E é duro saber que se vai, não tarda muito, “sair de cena” (Philip Roth).
Angustia a consciência de estar “no caminho do nunca” (Jaime Gralheiro, sem interrogação). Tantos passos e gestos e actos que nunca mais, embora lendo e escrevendo “nunca digas nunca mais” (em todas as línguas).
Não amacia estas ásperas certezas e as sempre menos vésperas “um homem sorrir à morte com meia cara” (José Rodrigues Miguéis).
Pouco vale o recurso a citações de prosadores (como de poetas abundaria… já Bocage não sou…) e tentar exercícios de estilo originais e perenes.
Melhor se diria prosa(de)dores. Que elas tantas são, por fora e dentro do corpo, que mais que enumerá-las melhor seria dizer o que não dói!

D’esta Festa em que me vi(vi) em-velho-sido.
10.09.2018

terça-feira, 24 de julho de 2018

Mounti - 23-07-2018


Aqui te nomeamos 
patrono deste blog,
agora que desceste das alturas,
ao contrário do que dizem algumas vozes...,
agora que mergulhaste no chão e no nada,
agora que apenas vives em quem vivo te queria.
Assim, assumimos por inteiro a consigna 
- sempre atento, nunca venerador, a nada obrigado -
que em tua postura encontrámos,
e nos ajudou a manter e reforçar nossa,
nestes tantos anos que con(nosco)viveste.

(temos muito melhores fotografias mas esta acompanha-nos
desde 2007, e tem o tom enevoado dos dias de hoje)



sábado, 7 de julho de 2018

Não-protagonista

Nunca fui espectador passivo.
Sempre procurei ser, pelo menos, crítico e participante da plateia ou com tarefas no palco, ser cidadão responsável e interveniente. Paguei, e pago, alguns custos e custas.
Nunca protagonista, tive - e tenho - alguns papeis relevantes, algumas vezes fazendo sombra (de sombrinha, guarda-chuva ou para-raios...) a 1ªs, figuras.
Hoje, cá por coisas e memórias, sinto-me - guardadas as devidas distâncias - um pouco em figura de Sancho, de dr. Watson, de Friedrich!