faz de conta que o que é, é!... avança o peão de rei.

...
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.

José Gomes Ferreira

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Para a cronyca






















Fomos até onde tem fim a terra
acima das terras que portuguesas são.
Andámos pela Galiza
pelos caminhos ditos de Santiago
de San Cibram fizemos porto e ponte
em A Corunha acostámos e ouvimos sagas de gente nossa
bordejámos a Costa da Morte
subimos às rias altas
descemos pelas rias bajas.
Se saímos de Portugal foi como se de Portugal não tivéssemos saído
voltámos pelo Minho como se no Minho tivéssemos sempre estado.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Poema em dó

Todos prós (confiança!) & nenhumzinho contra

Eram quatro senhores
muito senhores,
muito senhores de si
e uma senhora,
muito senhora,
muito senhora em mi.

E muitos senhores,
e algumas senhoras,
tudo senhores (e algumas senhoras)
bem arreados e comportados
para assistir e aplaudir.

Eram quatro senhores
para nos devolverem,
não o dinheiro – não, esse, não! –
mas a confiança;
não o dinheiro,
que, esse, não sendo deles, deles é como se fosse,
todo, todinho, e mais algum que o Estado injecte.
Para nos devolverem a confiança
que parece andar perdida de nós,
de quem o dinheiro é, como se não fosse,
e que eles – os senhores – gerem e digerem.

Eram quatro senhores
(muito engravatados, muito emproados)
e uma senhora
(muito emplumada, muito produzida)
com confiança para darem (?) e venderem(-se)
e nós, nós, confiantes nos meliantes!,
a termos de pagar – outra vez – o que é nosso.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Na mesa ao lado...

Na mesa ao lado, "ela", toda produzida e sericoteques, diz - palradora que era... e com voz gritada - "... lembro-me, quando eu era menina...".
Antes de ouvir o resto, o que não quis (diga-se de passagem), apeteceu-me interromper "Ih! há quanto tempo!...".
Qual seria a reacção?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Qual o mais devoto?


______________
(Obrigado, Manel!)

Títulos para umas cenas baris...

'Tás c'a bolha?
Olhó balão... e a resistência dos materiais.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Manhã de outono, solarenga e frescota















Estou triste e pensativo!

Procuro cá dentro de casa o sol da manhã,

que lá fora está frescote.

E a donaminha p'ra Lisboa...
A travessa da janela e a sua sombra

servem-me de óculos escuros!

E por aqui anda "o barbas" donomeu à roda de mim...













.

.

.

Além da tristeza (é mais nostalgia...)

também estou preocupado.

"O barbas" conversa comigo sobre essas coisas da crise financeira.

Mas é tudo muito complicado para gato...

que fará para humano!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Com bicho...

Estou a acabar de comer uma das últimas maçãs colhidas de uma das árvores aqui do quintal. Uma maçã com bicho. Que o teve tendo o dito deixado marcas, como os buracos por onde teria entrado e saído.
Soube-me bem. Soube-me a maçã!
Não foi um desses produtos assépticos, luzidios, embrulhados em plástico ou "solofane" ou lá o que é, que a nada cheiram, a nada sabem, que nada são a não ser... um produto. E que, nalguns casos, vêm da África do Sul para serem vendidos na carismática "Praça da Fruta das Caldas da Raínha"!
Vivam as maçãs com bicho!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Papéis velhos...

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.

A Cabo-Verde,
aos caboverdeanos

No fundo de umas calças velhas rotas encontrei uma pequena lâmina. Daquelas que servem para fazer barbas nas manhãs endorminhadas. Mas esta não. Esta é uma lâmina suja de terra e que guarda um cheiro lembrança a flor e fruto.
Do fundo de umas calças velhas rotas veio esta ferrugenta lâmina lembrança de vida e de convívio em manhã folga de cooperante da cooperação de todos os dias. Uma lâmina ferrugenta que cortou plástico negro invólucro de raízes de árvores a plantar e fazer crescer. Para chamarem a chuva que – disseram-me – ainda este ano não veio.
Em mim desceram mais fundo as raízes da vontade de ser útil. De dar préstimo a esta lâmina ferrugenta e terra e árvores para trazerem chuva onde se vive seca, e as secas são memória e foram fome e fomes.
No bolso deste meu casaco de trazer pelas Lisboas e Europas guardo uma lâmina insólita, ferrugenta e terra e árvores para nascerem e serem esperança de chuva.

22.03.1982
(há quase 29 anos!)

sábado, 27 de setembro de 2008

A propósito...

... a propósito de uma coisa acabadinha de ler:

a escola de hoje é diferente da de ontem (veja-se o "Magalhofa").

Ah! poizé...
como a escola de ontem era diferente da de anteontem e como a de anteontem era diferente da de trans-anteontem. E como a escola de hoje é diferente da de amanhã.