o que eu teria escrito na toalha de papel...
se não tivesse almoçado (opiparamente...) em casa:
ESTE É UM TEMPO TÃO TÃO DESEQUILIBRADO
QUE SÓ OS DESEQUILIBRADOS (OU EQUILIBRISTAS?...)
PARECEM EQUILIBRAR-SE!
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Serei?...
Sou um cidadão comum,
cidadão como um,
que aprendeu com a vida
a ser apenas e tudo isso:
um cidadão comum,
como um e como todos.
Sou um cidadão comum,
cidadão como todos
os de antes e os de depois,
os de antes de eu ter sido
e os de depois de eu ter sido
este cidadão comum.
Como todos e como cada um,
ou seja (se for...),
todos e cada um
de antes de eu ser,
enquanto sou,
e depois de eu ter (s)ido.
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Para reflexão e uso próprio
CIDADANIA(S)
uma leitura
A perspectiva-concepções que o ser humano vai
formando e tendo – de si próprio, da vida, do mundo – extrema-se entre o olhar para o umbigo pelo
interior das suas entranhas, todo enrolado dentro de si, e o que sente e vê com
os olhos atirados para fora só a verem à volta, abaixo e arriba, uns verdadeiros
cata-ventos.
Outras imagens poderiam ajudar a estas redutoras
simplificações e adjectivações. Como a de observar ao microscópio as minúcias
invisíveis ou a de usar lentes macroscópicas para ver o que o olho desarmado
nem vislumbra à distância de anos-luz. Como a de o ser humano muito se
preocupar e só se ocupar com ninharias, ser um coca-bichinhos, ou de o ser
humano de tudo se despreocupar, nada o ocupar, ser um cabeça-de-vento.
Não juro, mas estou quase certo que não há casos
estremes, exemplares puros. Toda uma imensa gama se estende entre as duas
fronteiras. Diria mesmo que cada ser humano é – enquanto é – único.
Depois, nessa misturada que forma e em cada momento
transforma o ser humano, nessa miscigenação de genes e de circunstâncias que
cada um é, há encontros, desencontros, e encontrões. Há o com-viver, há a
socialização. A cidadania…
As cidadanias (a vivência em colectivo, socializada,
nas cidades pelo mundo) sempre mais próximas – por terra, por mares, por ares, por
ondas… magnéticas ou o que são ou vierem a ser – e sempre mais interdependentes.
Interdependência assimétrica mas interdependência inevitável e inelutável.
Com a informação a ganhar cada vez mais determinação.
Em que mundo vivemos?, como o humanizar?
… ou como, um-a-um e em grupo(s), impedir que se
deshumanize (mais…), ou – até! – que se destrua?
23/24.10.2018
terça-feira, 2 de outubro de 2018
LIVRES E “À SOLTA”
De pólvora seca?
Estarei a “queimar os
últimos cartuchos”…
Mas, que querem?..., ninguém
me convence que já não tenho cartuchos para queimar e que, lá por serem os
últimos, não vale a pena dispará-los.
Não seria disparatado disperdiçá-los?
Com dores
À maneira de (uma) Pessoa
(qualquer):
Qualquer pessoa,
quanto mais velha
mais finge sofrer as dores
que deveras sofre.
Muito aquém…
Há muito quem se diga “de
esquerda”
porque não gosta de desigualdades e injustiças
porque não é racista
porque não sofre de homofobia (pelo contrário)
porque gosta de bichos e do resto da natureza
…
E tenha, ainda, outras qualidades…
… mas não vai além!
terça-feira, 11 de setembro de 2018
EM VELHO CIMENTO
EM VELHO CIMENTO
Envelhecer é fácil. É
rápido. É para milhões. Mas não é para todos… há os que ficam pelo caminho.
O que é difícil é em-velho-ser.
Pessoalmente, o que é mesmo muito complicado é o estado em-velho-sou.
Em que estou. De passagem.
E é duro saber que se vai,
não tarda muito, “sair de cena” (Philip
Roth).
Angustia a consciência de
estar “no caminho do nunca” (Jaime
Gralheiro, sem interrogação). Tantos passos e gestos e actos que nunca mais, embora lendo e
escrevendo “nunca digas nunca mais” (em todas as línguas).
Não amacia estas ásperas
certezas e as sempre menos vésperas “um
homem sorrir à morte com meia cara” (José Rodrigues Miguéis).
Pouco vale o recurso a citações
de prosadores (como de poetas abundaria… já
Bocage não sou…) e tentar exercícios de estilo originais e perenes.
Melhor se diria prosa(de)dores.
Que elas tantas são, por fora e dentro do corpo, que mais que enumerá-las
melhor seria dizer o que não dói!
D’esta Festa em que me vi(vi)
em-velho-sido.
10.09.2018
terça-feira, 24 de julho de 2018
Mounti - 23-07-2018

Aqui te nomeamos
patrono deste blog,
agora que desceste das alturas,
ao contrário do que dizem algumas vozes...,
agora que mergulhaste no chão e no nada,
agora que apenas vives em quem vivo te queria.
Assim, assumimos por inteiro a consigna
- sempre atento, nunca venerador, a nada obrigado -
que em tua postura encontrámos,
e nos ajudou a manter e reforçar nossa,
nestes tantos anos que con(nosco)viveste.
(temos muito melhores fotografias mas esta acompanha-nos
desde 2007, e tem o tom enevoado dos dias de hoje)
sábado, 7 de julho de 2018
Não-protagonista
Nunca fui espectador passivo.
Sempre procurei ser, pelo menos, crítico e participante da plateia ou com tarefas no palco, ser cidadão responsável e interveniente. Paguei, e pago, alguns custos e custas.
Nunca protagonista, tive - e tenho - alguns papeis relevantes, algumas vezes fazendo sombra (de sombrinha, guarda-chuva ou para-raios...) a 1ªs, figuras.
Hoje, cá por coisas e memórias, sinto-me - guardadas as devidas distâncias - um pouco em figura de Sancho, de dr. Watson, de Friedrich!
Sempre procurei ser, pelo menos, crítico e participante da plateia ou com tarefas no palco, ser cidadão responsável e interveniente. Paguei, e pago, alguns custos e custas.
Nunca protagonista, tive - e tenho - alguns papeis relevantes, algumas vezes fazendo sombra (de sombrinha, guarda-chuva ou para-raios...) a 1ªs, figuras.
Hoje, cá por coisas e memórias, sinto-me - guardadas as devidas distâncias - um pouco em figura de Sancho, de dr. Watson, de Friedrich!
quinta-feira, 28 de junho de 2018
espreitad'eus
aqueloutro homem que eu espreito a espreitar-me naquele espelho onde me queria ver sou ainda eu?
domingo, 20 de maio de 2018
Um texto antigo, esquecido e recuperado
CADEIRAS ENTRE 2 TABULEIROS
As cadeiras, assentes em duas das suas quatro pernas, acabrunhadas sobre as mesas e sem terem quem nelas se (as)sentasse, puseram-se a conversar. Para passar o tempo…
Até que uma, ao espreitar ao redor, o chão e a parede mosaicados em quadrados pretos e brancos, teve
uma ideia “… e se nós aproveitássemos a folga e as quadrículas, e fossemos
jogar uma xadrezada?”; vai daí, outra disse “boa ideia!… mas essa coisa
do xadrez é muito complicada … talvez às damas…”; logo uma mais rabitesa
veio de pronto resmungar “… ao xadrez, às damas!… cadeiras a jogar, a
imitarem quem nelas s’assenta!, onde é que já se viu?, só de cadeiras tontas…”.
Nenhuma lhe ligou,
embora a da ideia tivesse ficado um bocadinho sentida (cadeira que não se sente
não é filha de boa gente, n’é verdade?…), e começaram a organizar um torneio. A
formar equipas e, curioso…, todas queriam ser do Boavista por ser axadrezado.
No entanto… no
entanto, antes de iniciarem o torneio, ainda houve uma cadeira que se levantou
do assento e colocou uma questão pertinente: “jogamos no chão ou na
parede?”.
Ficaram perturbadas.
Ao chão não chegavam por causa das pernas altas, na parede, o tabuleiro ficaria
torto e até as rodelinhas brancas e pretas que podiam fazer de conta que eram
damas escorregariam… quanto mais com reis e rainhas, e bispos, e torres, e
cavalos, e os peões, todos aos saltos e a comerem-se uns aos outros.
Ainda tentaram – só
com as damas… – mas foi uma confusão ao quadrado, isto é, aos quadradinhos.
Ensarilharam as pernas todas, as de umas nas de outras, e ficaram num monte. À
molhada, como se costuma dizer. Mas quem disse a última palavra foi a rabitesa
resmungona que disse “… eu não vos disse, suas cadeiras tontas?!”
Zambujal
segunda-feira, 16 de abril de 2018
nada, tudo, pouco e mais à moda de malmequer(o)
comigo, quando nasci, não nasceu NADA
comigo, quando morrer, não morrerá TUDO
... entretanto,
enquanto viver
- entre NADA, TUDO e tantos -,
sou, e terei sido, POUCO
frustre por convicto de poder ser MAIS
comigo, quando morrer, não morrerá TUDO
... entretanto,
enquanto viver
- entre NADA, TUDO e tantos -,
sou, e terei sido, POUCO
frustre por convicto de poder ser MAIS
Dos que nasceram no "meu tempo"
Uns nem deram os primeiros passos
outros começaram a andar
alguns meteram-se a caminho
Destes,
uns desistiram no difícil caminhar,
outros demitiram-se ou meteram-se por atalhos
alguns teimaram e continuam,
a par e passo
Eu?
sempre quis estar com estes,
tropeçando (sem nunca cair),
levantando-me (se preciso fosse),
ombro com ombro, braço dado,
cabeças levantadas, vozes ao alto
rumo certo e passo acertado.
Em tudo e em todas!
Porquê, então, em nada fiquei?
Não que tenha estado para ficar,
mas sim para ESTAR e SER!
FUI, mas parece que não estive...
Uns nem deram os primeiros passos
outros começaram a andar
alguns meteram-se a caminho
Destes,
uns desistiram no difícil caminhar,
outros demitiram-se ou meteram-se por atalhos
alguns teimaram e continuam,
a par e passo
Eu?
sempre quis estar com estes,
tropeçando (sem nunca cair),
levantando-me (se preciso fosse),
ombro com ombro, braço dado,
cabeças levantadas, vozes ao alto
rumo certo e passo acertado.
Em tudo e em todas!
Porquê, então, em nada fiquei?
Não que tenha estado para ficar,
mas sim para ESTAR e SER!
FUI, mas parece que não estive...
domingo, 15 de abril de 2018
procurando desencurralar-me
Uma
“curralada”:
coloco-me fora de mim
(como
o outro que quero ser)
a procurar ver como os outros me vêem
domingo, 25 de fevereiro de 2018
EUquações
EU = a eu E tu-outros
... o que é muito diferente de
EU = a EU + TU + Tu + tu + tu + tu + ... os outros
... o que é muito diferente de
EU = a EU + TU + Tu + tu + tu + tu + ... os outros
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
domingo, 18 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Num dos regressos a/do nicky (o outro)
Referência
2018-01-24
Ao Marcelo. Na miséria álacre em que existem - e em que não pouco consentem existir -, os gentios rogam-lhe: afecta-me mais um bocadinho, vai. Como se cantassem tout va très bien, madame la Marquise. Ou o caralho. Nicky Florentino.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
leão que já fui - 3: CTT e serviço público
Era
uma vez um rapazito que vinha passar temporadas de férias à aldeia natal do
pai. E como eram longos os verões daqueles verdes anos!
Por isso o chocou (e protestou, com a
sua pequena força a querer juntar-se à de muitos para serem e terem força) a
privatização dos CTT, e a sequente degradação do que sempre conhecera como
serviço público, primeiro incipiente e depois progressivamente melhorando. E,
veja-se lá, sendo empresa pública com uma gestão económica de folgados
resultados positivos a contribuírem para outros serviços públicos, como os da
saúde e da educação.
Amante
do desporto, em acepção boa do vocábulo, o jóvem era sportinguista ferrenho
embora não fanático. Como então o futebol também tinha férias, a que se chamava
defeso, no verão o interesse pelos acontecimentos desportivos centrava-se no
ciclismo. De que era exemplo o que acontecia lá por fora – isto era, por França…
–, em que o jornal L’Equipe organizava
o Tour para preencher o vazio
informativo de um jornal diário desportivo em país sem futebolistas a jogar e
sem negócios de transferências (e outros de outras espécies!) para encherem
primeiras páginas.
A
memória de quem foi esse rapazito traz-lhe a lembrança da ansiedade com que
acompanhava as etapas diárias da Volta a Portugal, as vitórias ao sprint do
João Lourenço, as escaladas da Serra da Estrela, o Alves Barbosa e o Ribeiro da
Silva, herdeiros dos históricos Nicolau (do Benfica) e Alfredo Trindade (do
Sporting).
Mas
com que dificuldades! Rádio não havia, televisão nem se sonhava, jornais só na
sede do concelho e com dias ou até semanas de atraso, sem transporte público
(nem privado) para tornar perto a légua de distância. O melhor – ou o menos pior,
visto a esta distância de tempo – eram os correios, um serviço público.
E
o rapazito, determinado e com a necessária resignação, lá fazia a pé o percurso
do Zambujal a Pinhel, à venda do ti’ Francisco da Reca, que tinha posto de correio,
levar e trazer a correspondência (como postais dos pais, quando o deixavam ao
cuidado da família de outro ti’ Francisco, este de Santo Amaro, em S. Sebastião,
ou da família do ti’Zé Alfaiate, ainda mais vizinha)… e do jornal de que fizera
assinatura, o jornal do Sporting. Também, quando calhava – e sempre fazia por
isso –, para se encontrar e cavaquear com os filhos da casa de Pinhel, o Zé, o
Quim, o Amilcar, e os vizinhos Moreira ou Flores (os “Bichos”), em S. Sebastião,
o Manel, o Chiquito, as irmãs Maria e Luiza. Se bem se lembra, todos sportinguistas.
Vá lá saber-se porquê, talvez por culpa dos 5 violinos…
Entretanto,
passaram anos (passam sempre, embora a velocidades sempre mais rápidos…), na
vila rasgou-se uma avenida onde veio avultar o edifício dos Correios, que ainda
se mantém como referencial. Tudo começou a ficar muito mais perto, com a ajuda,
primeiro da bicicleta, depois, do automóvel que já parece ter sempre feito parte da vida de todos nós.
Muito
foi acontecendo nos anos que nunca cessam de se suceder. O miúdo cresceu, e tem
veleidades que não só por fora. E aprendeu, aprendendo sempre. Andou, correu,
caiu e levantou-se na procura de caminhos de, ou para o, futuro. Crendo estar a
percorrê-los. Com os outros. Com todos, que de todos os caminhos são.
Abriu
uma estação de correios na Atouguia, sede da freguesia. Toda impante. E sempre
que lá tinha de ir – de carro, claro –, para fazer envios ou levantar avisos
deixados pelo carteiro porta-a-porta, o rapazito a em velho ser lembrava as
caminhadas até Pinhel e rejuvenescia com a satisfação cidadã de estar a dar
passos num caminho para o futuro que ajudara, infinitesimamente, a construir. Estava
a usar um serviço público cada vez mais ao serviço do público, do povo!
Triste
ficou, tristeza que confirmou quando até o remendo do serviço, que passara a
ser (em)prestado numa lojita da Atouguia, encerrou! Tem de ir a Ourém, ao vetusto
edifício da Avenida que ainda resiste, em risco de ser pretexto para um negócio
qualquer, desde que lucrativo e que encha os atafulhados bolsos dos accionistas
ditos investidores privados.
Sente-se, quem já velho é, a dar passos atrás.
Mantendo firme a certeza de que o caminho é de luta e em frente.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Lembrete
- ... logo à noite, lembra-te, por favor, de me lembrar de lembrar ao senhor José que não se esqueça dos chorões, 'tá bem?
- Tá bem, vou tomar nota para não me esquecer de te lembrar.
- Tá bem, vou tomar nota para não me esquecer de te lembrar.
A escrituracao digitalizada
Hoje, agora mesmo, deixei-me actualizar pelo “sapo”
e apanho com esta, tirada do Público:
“Um ano depois: Soares e a caca…”
não consegui ler mais, e ainda não parei de rir!
A falta (fará?) que faz uma , debaixo de um c...
“Um ano depois: Soares e a caca…”
não consegui ler mais, e ainda não parei de rir!
A falta (fará?) que faz uma , debaixo de um c...
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